
Rosinha é uma graça de pessoa. Literalmente, ela é bonita por dentro e fora. Alguns minutos ao seu lado nos engrandece o dia. Ela é uma jovem senhora que superou as mazelas da vida, recomeçou e conquistou a felicidade.
Hoje, aos 44 anos, Rosinha está matriculada da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de União da Vitória (Apae) de Porto União e assumiu o cargo de autodefensora local e regional das pessoas com deficiência.
Rosa, Rosinha
Rosinha é como uma flor. Ela encanta os jardins da vida, exalando delicadeza e inúmeros sorrisos.
Batizada com o nome de Rosa Maria da Silva, ela nasceu em novembro de 1972, em casa, com a ajuda de parteira. Juntamente dos 16 irmãos, Rosa teve uma vida simples, mas emanada de muito amor. Foi da roça que provinha todo o sustento da família.
Conta Rosinha, que sua infância, até os sete anos de idade, foi como de qualquer outra criança. Porém, quando ela deveria descobrir as brincadeiras da vida e amizades, ela descobriu uma paralisia infantil. A data do diagnóstico, ainda é recordada por Rosinha, sendo 1º de janeiro de 1980. “Esse dia ficou para sempre em minha memória. Fiquei vários dias no hospital, sem os movimentos, apenas mexia a cabeça para trás”.
Rosinha revela que por vários momentos, ela e sua família saíram desenganadas pelos médicos, depois de algumas semanas internada. “Na época minha mãe procurou várias alternativas, uma delas foi procurar benzedeiras, qual foi depositada muita esperança de cura principalmente depois de começar a recuperar movimentos através de banhos quentes e ervas medicinais receitados por uma delas; Primeiro senti muitas dores, quais lembro até hoje dos dias de choro e gritos de agonia; mas logo depois os movimentos foram voltando, primeiro foi a mão direita, depois o pé esquerdo. Tudo isso gerou muita alegria em mim e minha família, mas infelizmente os movimentos das pernas que eram muito esperados em voltar, não voltaram”, diz.
Rosinha desabafa que nos primeiros anos não entendia o que havia acontecido com ela. “Eu não sentia mais dor, mas parecia tudo tão distante, tão longe do meu alcance; queria brincar, correr, já não podia mais. Ficava sempre em uma cadeira de madeira que meu pai adaptou para mim, pois na época meus pais não tinham nenhuma condição para comprar uma cadeira de rodas”.
Sua mãe, seu anjo
Conta Rosinha que na época dependia muito da mãe. “Ela fazia tudo por mim sempre e com muito amor, pois via em mim muita vontade de recuperar-me”.
Foi então que em 1986, Rosa e a família decidiu morar em São Pedro do Timbó, interior de Porto União (SC). Na época, ela recorda que era um lugar de pouco acesso, onde as ruas não eram pavimentadas e quase não conseguia se locomover para lugar algum.
Depois de dois anos, a mãe de Rosa conseguiu a primeira cadeira de rodas, tornando a vida da pequena um pouco mais leve, pois já conseguia se movimentar e sair do lugar. “Eu tinha tanto para aprender, mas minha mãe fazia tudo por mim, não me deixava fazer muitas coisas, pois achava perigoso e tinha medo que me machucasse”.
Já 1997, Rosinha começou a frequentar a Apae de Porto União, onde segue matriculada até hoje. “Foi nesta Instituição que descobri que podia fazer várias coisas, como qualquer outra pessoa, pois podia aprender, participar de danças, teatros, participar de aulas produtivas como costurar dentre tantas outras atividades. Surgiram várias pessoas na minha vida, mostrando para minha mãe através de reuniões, na Instituição, minhas capacidades, o que eu podia fazer e que era possível. A partir dessa etapa minha vida mudou muito, e também melhorou a vida da minha mãe, pois ela diminuiu o seu papel de mãe super protetora, ela passou a confiar mais em mim e na Apae me deixando participar de vários projetos como o coral, dança, artesanato, teatro e muitos mais”.
Em 2002, a vida de Rosinha desabou novamente. Sua mãe ficou doente passando vários dias no hospital, vindo mais tarde a falecer. “Foi então que bateu o desespero. Eu me perguntava como iria fazer as coisas em casa. Tudo passava em minha cabeça, mas descobri que era muito forte. Aos poucos fui aprendendo a fazer as coisas sozinha. Alguns dias depois minha mãe retornou do hospital com algumas sequelas. Hoje me vejo mais forte, mais segura, acredito mais em mim e no meu potencial”.
Autodefensora
Rosinha ocupa hoje a função de autodefensora local e regional das pessoas com deficiência. O trabalho é mediado na própria Apae, com suporte da direção e equipe pedagógica.
Rosa afirma que leva uma vida normal. Ela reside em Porto União, com uma das irmãs. Hoje possuiu uma cadeira de rodas elétrica. Ela confirma autonomia para tomar suas decisões.
Ela namora há três anos com uma pessoa também com deficiência, o que, segundo ela, “não nos impede de vivermos um relacionamento normal dentro de nossas possibilidades”.
Paralisia infantil
A Poliomielite é uma doença viral que pode afetar os nervos e levar à paralisia parcial ou total. Apesar de também ser chamada de paralisia infantil, a doença pode afetar tanto crianças quanto adultos. A poliomielite foi praticamente erradicada em países industrializados com a vacinação de crianças, inclusive no Brasil, onde a vacina contra a doença foi incorporada à caderneta de vacinas obrigatórios. Mas o vírus causador, no entanto, ainda pode ser encontrado em países da África e da Ásia.

