Por Mariana Honesko
O horário de Verão é pivô de uma enxurrada de opiniões. Há quem o defenda, há quem o critique. O certo é que não há como escapar da mudança: à meia-noite de hoje, os relógios precisam ser ajustados e adiantados em uma hora. A regra vale para a região Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País e só termina no dia 16 de fevereiro do ano que vem.
Na tentativa de buscar equilíbrio para o organismo na adaptação da mudança, alguns pais já perderam o sono. Mas, especialistas garantem: manter a rotina contribui muito para que as crianças encarem bem a alteração. “É importante para ter um sono adequado criar uma rotina para dormir. Evitar estímulos sonoros e atividades físicas intensas, que aumentam a quantidade de substâncias no organismo, dificultam a indução do sono”, explica o pediatra Plínio Leonel Jakimiu. Na rotina sugerida por ele, entram, por exemplo, a escolha de um local adequado e tranquilo para a criança. “O ideal é que seja quarto dela mesma”, orienta o médico. Luzes, sons e conversas também precisam ser evitadas.
A preocupação dos pais com o sono dos baixinhos tem justificativa cientifica. O descanso é fundamental para o desenvolvimento neuropsicomotor. É preciso dormir bem e bastante. “Uma criança dorme em média de 16 a 18 horas no início da vida. Por volta dos seis meses, diminui para 14 horas, intercalando períodos de vigília a cada, mais ou menos, três a quaro horas”, explica o pediatra. Mesmo com uma boa estrutura em casa e uma rotina completa, não há como prever como o organismo vai reagir à mudança. Em média, é preciso até três semanas para que o corpo “entenda” que algo ocorreu.
Economia na conta de luz
Para as empresas que fornecem energia elétrica, o horário adaptado garante equilíbrio entre o sistema elétrico e a distribuição para ligações domésticas e empresariais. “Com a mudança, o consumidor residencial deixa de consumir ao mesmo tempo em que os sistemas públicos são acionados”, explica o chefe da agência de União da Vitória da Companhia Paranaense de Energia (Copel), Odair Marchiori. Além disso, a sobrecarga deixa de ocorrer e os sistemas de transmissão ficam mais flexíveis.
A expectativa é de que a redução alcance até os 5%. “Ou seja, 220 megawatts de potência, equivalente a demanda máxima da região metropolitana de Ponta Grossa”, compara Marchiori. “O beneficio maior é o investimento. Se a Copel precisa fazer muito investimento para atender o horário de ponta, isso vai influenciar na tarifa da energia”, avalia o gerente.
De olho nos ponteiros
O ajuste dos relógios é fruto de uma iniciativa do Governo Federal. A primeira tentativa durou cinco meses, entre os anos 1931 e 1932. Mas, é desde 1985 que a prática vem sendo adotada sem interrupções, com algumas diferenças nos estados e períodos de duração. A medida tem como foco o melhor aproveitamento da luz natural e, em consequência, a geração de economia no consumo artificial, especialmente entre às 18 e 20 horas.