Prefeito em exercício diz que empresa que realizava as obras não vai mais voltar

Ou foi mais uma daquelas mancadas administrativas de final de mandato, ou Porto União vive o abandono completo por parte do governo de Santa Catarina. O que todo mundo desconfiava, foi confirmado pelo prefeito em exercício, Aloísio Salvatti, na manhã de ontem. A empresa Bresciani Terraplenagem, de Joinville (SC), contratada para realizar uma operação de emergência de tapa buracos, não retornou na segunda-feira, 6, data prevista para a retomada dos trabalhos. “Não voltou e não vai voltar”, dispara o prefeito em exercício. Ele foi informado que agora é esperar a licitação para a revitalização e reforma do trecho entre Porto União e Matos Costa. O problema é que a licitação não deve sair antes de março ou abril. “Se iniciarem os trabalhos imediatamente após a licitação, a reforma pode começar no mês de maio”, diz Salvatti.
Desanimador? Então a informação a seguir é pior ainda. Tanto o prefeito em exercício, quanto o licenciado, Anízio de Souza (PT), imploram desde dezembro para o vice governador, que é do PMDB, para realizar uma operação tapa buracos e uma sinalização contundente nos trechos mais perigosos. Até agora não há previsão de uma nova operação. “Desde 2014 quando foi inaugurado, esse trecho já teve quase 30 operações tapa buracos. Temos que admitir, a estrada foi mal feita. O trecho entre Matos Costa e Calmon está excelente, o nosso é uma vergonha”, desabafou Salvatti.
Promessas e promessas
O então secretário de Infraestrutura de Santa Catarina, João Carlos Ecker, e o

presidente do Deinfra, Paulo Meller, confirmaram a revitalização do trecho Porto União e Matos Costa, da SC-135. O Secretário confirmou ainda que o projeto que está inserido no Pacto por SC somente será colocado em prática no ano que vem. Por enquanto a ordem era para a equipe do Deinfra de Joinville, conhecer a rodovia e ver a melhor maneira de implantar uma imediata sinalização e melhoria no local. Até agora ninguém apareceu.
A comunidade chegou a protestar fechando a rodovia em novembro. Depois a Câmara de Vereadores promoveu uma audiência pública, que terminou com o compromisso da SDR de fazer a operação tapa buracos e reforçar a sinalização vertical no trecho entre o Distrito de São Miguel da Serra e a sede do município de Porto União. Mais uma vez o Governo descumpriu suas promessas, será pela falta de competência da SDR de Canoinhas? Mesmo se a operação tapa buracos fosse feita seria a terceira em três anos consecutivos. A exemplo das anteriores, a ação paliativa não soluciona o problema e implica em novos gastos públicos.
SC-478 paralisada

O descaso do Governo de Santa Catarina com a SC-478 está gerando indignação da região de Porto União. É um mistério a paralisação das obras de asfaltamento na SC-478, trecho entre Lança, na BR-280, até o Distrito de Santa Cruz do Timbó. De acordo com o prefeito licenciado, Anízio de Souza, o Deinfra informou que a empresa interrompeu os trabalhos depois de pedir um aditamento de R$ 3 milhões. Ainda segundo o prefeito, o Governo do Estado alegou que não havia mais tempo hábil no ano passado, por causa do final de mandato. “Eles prometeram recomeçar os trabalhos em janeiro, mas não se pode afirmar com certeza”, declarou o prefeito, claramente chateado. Faltam cerca de três quilômetros para terminar o trecho a ser asfaltado, mais ainda faltam outras melhorias que constam no contrato.
Fora do mapa
Apesar de estar localizada a noroeste do estado, Porto União convivia

pacificamente com o status de estar no “planalto norte catarinense”, até que os tecnocratas do Governo resolveram extinguir o Planalto Norte catarinense e colocar a região de Canoinhas e Porto União no “Meio Oeste”. Se já era difícil ter alguma atenção, depois da divisão míope, Santa Catarina acaba em Caçador e Canoinhas, que também reclama de ter ficado no mapa da fome do Estado.
O fato é que Porto União por estar cravada em uma divisa de estado com o Paraná sofre um tipo de preconceito por sei “meio paranaense” e deixa de ser assistida como deveria. Pior, não tem representação política. Os deputados federais e estaduais que se dizem representantes da região são emprestados de outras cidades – justamente Caçador e Canoinhas. Por isso que em época de eleição os paraquedistas fazem a festa. Falta aqui nossos próprios representantes.