Por Mariana Honesko

Foi por pouco. Muito pouco. A cerimônia de entrega da comenda Pinhão do Vale, entregue pela Academia de Letras Vale do Iguaçu (Alvi) ficou mais silenciosa. No sábado, a solenidade não alcançou sucesso pleno. Ao lado do artista Ulysses Teixeira, a enfermeira Zelir Pelegrini, a Sani, também receberia o título.
Receberia, com verbo no passado. Na madrugada do dia 31, a idosa, de 80 e poucos anos – ela mesma não sabia informar exatamente sua idade – faleceu. Sani estava internada no Hospital São Braz por ter sua saúde comprometida. Lúcida, morreu onde deixou muitos amigos e onde dedicou praticamente sua vida toda. Conforme reportagem do Portal Vvale, publicada ainda na sexta-feira, Sani chegou por acaso na unidade hospitalar e, de lá, saiu apenas depois de sua morte. Sua indicação ao título é do professor Aluísio Witiuk. Ele ficou bastante comovido com a notícia de falecimento da enfermeira. “Fiquei desestruturado. Estava feliz, contente e acabei ficando sem rumo”, afirma.

Por conta da morte de Sani, nenhum familiar – todos de Bituruna, terra natal da idosa – foi ao evento realizado no auditório da Uniguaçu. A cerimônia ocorreu e a comenda foi recebida simbolicamente pela anestesista Magali Unterstell Brittes. Conforme ela, Sani era simples e muito capaz. A história de dedicação da enfermeira foi narrada por Therezinha Wolff, membro da Alvi. O corpo de Sani foi velado no auditório do hospital e sepultado em Bituruna na tarde de sábado. A direção do São Braz não confirmou o dia e horário da missa de sétimo dia, mas acredita que a cerimônia ocorra no sábado, na Matriz de Porto União.

Uma vida plena, dentro do hospital
Zelir Pelegrini, conforme seus companheiros de trabalho e amigos, encantava pela simplicidade. Era dona de um rosto miúdo, de cabelos curtos e de uma vida dedicada em servir ao próximo. Abnegada, encontrou ainda menina sua vocação. Foi por acaso, mas a arte de cuidar bem caiu-lhe como uma luva. Sua história ganhou destaque na edição do dia 30.