Encontrado foco de Dengue em União da Vitória

Divisa entre os bairros São Basílio Magno e Rocio serão monitorados nos próximos dias. Larva do mosquito estava em um ponto de reciclagem

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Atualizado há 12 anos

Por Mariana Honesko

A equipe da Vigilância Sanitária confirmou na segunda-feira, 5, a “identidade” da larva. Trata-se, de fato, de um foco da Dengue, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Se por um lado o encontro confirmou o sucesso do trabalho dos agentes de combate, denunciou a vulnerabilidade da região. Em 2013, entre os me

Criadouro onde foi encontrada larva do Aedes aegypti nesta semana
Criadouro onde foi encontrada larva do Aedes aegypti nesta semana

ses de março e maio, os bairros São Basílio Magno e Rocio já haviam sido pivôs de outras larvas.

O “achado” desta semana, diz a equipe, não acelera o estado de pânico, mas indica o início de um trabalho mais intenso. “Em um raio de 300 metros os agentes farão a visitação de casa em casa, para falar sobre a prevenção, mas também para procurar outras larvas do mosquito”, explica o responsável pelo programa em União da Vitória, Wagner de Moura Santos. A larva, confirmada como sendo da Dengue, estava em um ponto de reciclagem. Conforme as imagens feitas pela equipe, o local era próprio para a proliferação: barris e vasilhames abertos e cheios de água convidavam ao depósito dos ovos. “Não sabemos se este ovo foi depositado pelo mosquito ou se acabou vindo de outra região, de maneira passiva”, observa.

Os ovos sobrevivem bem às “caronas” e na região dos bairros focos da ação, podem ter encontrado oportunidades para a reprodução. “Ali é uma região com bastante trânsito de caminhões. Temos ali também muitas borracharias, mecânicas”, lembra Santos. Um único ovo pode sobreviver até 450 dias longe da água. Basta um leve contato com ela para que, em 30 minutos, a larva “nasça”. Em até dez dias, todo o ciclo está completo e o mosquito pronto para voar e agir. “É um número otimista. O ciclo completo pode acontecer até antes”, reforça o responsável pelo programa.

Além dos 300 metros de observação mais profunda, os agentes ficarão atentos aos possíveis sintomas da doença. A partir dele, uma nova etapa será desdobrada: se houver doentes, é possível que o mosquito esteja circulando. A ação de controle, nestes primeiros dias, vai contar com o apoio das equipes de Porto União. Os bairros Rocio e São Basílio Magno ficam próximos à divisa de estado e, pelo menos em um pequeno trecho dos 300 metros, ultrapassa a linha férrea.

Wagner analisa outras larvas encontradas na mesma região: por enquanto, novos casos estão descartados
Wagner analisa outras larvas encontradas na mesma região: por enquanto, novos casos estão descartados

No município, o trabalho é diferente do praticado em União. No lado paranaense, são os agentes de combate, 12 no total, os grandes responsáveis pelo trabalho de vistoria e conscientização. Já em Porto União, as armadilhas “monitoram” a presença das larvas. “Temos 102 delas e mais 42 pontos estratégicos”, aponta o agente ambiental Juliano Seger. O modelo é padrão em Santa Catarina. “As armadilhas estão dispostas a cada 300 metros de um ponto ao outro”, completa. A ação tem dado resultado: em fevereiro deste ano um foco da Dengue foi encontrado no cemitério do Bairro São Pedro. “Foi o último e único caso deste ano”, explica Seger. O encontro não teve desdobramentos: não houve registros de doentes, tampouco relatos de aparecimento de novos casos. Mesmo assim, alerta o agente, é preciso ficar atento. “O período não é tão critico, mas as pessoas não podem descuidar”, enfatiza.

Epidemia em 17 municípios do PR

Nesta semana a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) avaliou o boletim da Dengue, divulgado no dia 6. Conforme o documento, 17 municípios estão em situação de epidemia da doença. Além disso, outras 23 cidades estão em estado de alerta e recebem apoio governamental para desenvolver medidas de prevenção e controle do mosquito. O relatório foi apresentado na reunião ordinária do Comitê Interinstitucional de Controle da Dengue, em Curitiba, e leva em conta o número de casos registrados desde agosto de 2013 até agora. Neste período, o Paraná já contabiliza 8.528 casos confirmados, sendo que 89 evoluíram para a forma grave da doença.

Para reprodução, não é preciso muito: água e calor agradam o mosquito
Para reprodução, não é preciso muito: água e calor agradam o mosquito

Na terça, a Sesa também confirmou que a Dengue foi a principal causa da morte de mais dois paranaenses. O primeiro óbito é de uma criança de quatro anos, moradora de Maringá, que morreu no dia 30 de abril. Já a segunda morte confirmada foi de um idoso, de 71 anos, morador de Rolândia, que tinha problemas cardíacos e pulmonares. Com as duas confirmações, sobe para cinco o número de mortes por dengue ocorridas no Paraná desde agosto de 2013.

A situação séria, mas ainda controlada que vive o Paraná, não ocorre na região Sudeste. Especialmente em São Paulo, o aumento do número de casos tem deixado em alerta as equipes de saúde. Especialistas já rotulam o momento como a “maior epidemia” da doença. Em Campinas, por exemplo, mais de 17 mil casos já foram registrados desde janeiro. Em abril, foram 8,9 mil. As cidades de Taubaté, Atibaia, Ilhabela e Pindamonhangaba somam outros cinco mil casos. Sumaré soma outros 843 casos de Dengue e Jaú mais três mil.

Mapa da dengue
Em vermelho, o foco é do Aedes aegypti. Em amarelo, do Aedes albopictus, uma espécie de “primo” do transmissor da Dengue, e, em azul, do Anopheles sp, transmissor da Malária

Os ovos e as larvas do Aedes aegypti são bastante resistentes. Os ovos “vivem” até 450 dias. As larvas, por sua vez, além de alcançar com rapidez o final do ciclo – ele termina com a transformação em mosquito – domina o processo chamado de “diapausa”. “É uma pausa mesmo”, explica Wagner. O modelo é parecido com a hibernação. Nos dias mais frios, a larva fica no fundo dos lugares onde está e lá pode ficar por meses, sem qualquer prejuízo. “É por isso que é difícil acabar com a Dengue. Além das larvas que são encontradas, há essas, que ficam escondidas e só depois aparecem”, explica o responsável pelo programa em União da Vitória.

Para não criar mosquito em casa

Manter o mosquito bem longe de casa é simples e pode ser rápido. Material criado pela Sesa e já disponível em União da Vitória garante que em dez minutos, por semana, é possível manter a casa livre da Dengue.

O checklist é prático e pode ser feito sempre. Entre as sugestões, a principal é eliminar todos os recipientes que possam acumular água, limpa ou suja. A medida vale até para algumas plantas. É o caso das Bromélias, que acumulam água.

No caso das flores, ainda, manter pratinhos com areia é a melhor indicação. Nos cemitérios locais, placas reforçam a medida.

Dê olho nos pontos estratégicos

Nas Cidades Irmãs, são pelo menos 80 os lugares que recebem maior atenção das equipes de combate à Dengue. Os lugares são visitados a cada 15 dias. Borracharias, cemitérios, pontos de reciclagem e ferros-velhos lideram a lista.

Sintomas da Dengue

Inicialmente, eles se confundem. Mas, vale ficar atento às dores de cabeça, dor atrás dos olhos ou no corpo. A automedicação não é recomendada. Antes, a procura por uma unidade de saúde.

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