Por Mariana Honesko
Há uma semana o coração de Regeane dorme e acorda apertado. Para ela é difícil apagar da memória o dia em que seus meninos quase foram levados para um destino incerto. Na ocasião, um homem teria procurado o estabelecimento de ensino onde eles estudam, em União da Vitória, e se apresentado como funcionário do pai dos garotos. “Ele falou o nome dos meus filhos, que são nomes incomuns, disse que era funcionário do meu marido, falou o nome dele e disse que veio mais cedo para buscar as crianças para nós”, conta a mãe.
O fato só não aconteceu pela agilidade das funcionárias da escola. Uma delas, em especial, disse que pegaria os meninos. Na verdade, a “deixa” foi apenas uma forma de confirmar a veracidade da história. “Neste tempo ela me ligou e eu disse que ninguém estava autorizado a tirar as crianças da escola. Na hora eu fiquei desesperada e fui correndo para lá”, conta Regeane.
O caso foi registrado na Polícia Civil, em um Boletim de Ocorrência (BO). Na escola dos garotos, a estratégia para liberação dos alunos não mudou: eles só vão para casa com os pais ou responsáveis autorizados pessoalmente ou com recomendação escrita. A partir do ano que vem, a escola deve intensificar os mecanismos de segurança.
Na Polícia Civil, de acordo com o delegado, André Luis de Oliveira Vilela, o caso segue sendo investigado, mas os avanços não podem ser comunicados à imprensa. Ao mesmo tempo, Vilela sugere mais atenção. “É preciso ficar atento com relação aos terceiros. O ideal é sempre que os pais busquem e que as instituições tenham câmeras de segurança”, recomenda.

Bento Trindade
O monitoramento eletrônico ainda não é um padrão, mas começa a ganhar mais reconhecimento e importância. Em Porto União, segundo o secretário Bento Trindade, a ideia prevê que a partir do próximo ano todos os Núcleos de Educação Infantil tenham o sistema instalado no portão de entrada e nas salas de aula. Alguns já estão adaptados. É o caso, por exemplo, do Pingo de Gente, no centro. O núcleo mantém a câmera no portão da escola. Medidas mais simples, contudo, seguem valendo. “Em 2007 minha briga era que os portões ficavam abertos. Foi indo devagar, educando. Hoje as portas são abertas cedo e logo são cadeadas. Ninguém entra”, explica. A rigidez é aplicada na entrega das crianças. Elas só saem com os pais ou com pessoas previamente autorizadas.

Do lado paranaense, o número de câmeras já instaladas é mais tímido, mas funcional, segundo o secretário da Educação, Célio Calikoski. “Em algumas escolas tem câmeras e em outras portão eletrônico”, conta. Nos Centros de Educação Infantil, porém, nenhuma câmera está instalada. “Mas a previsão é de investir nisso no próximo ano”, sinaliza Calikoski. Todas as instituições, contudo, tem alarme monitorado e a liberação das crianças só ocorre a partir de autorização prévia.
Investimento
Garantir a segurança das crianças não é tão barato. Nas empresas que trabalham com os equipamentos, as câmeras, bem como todo seu sistema de instalação e monitoramento, custam, em média, R$ 1.500,00. O cálculo foi feito baseado em uma suposta compra de duas câmeras, com visão noturna.