Enquanto um dorme, o outro mama. Quando um mama, o outro dorme. E tem um terceiro neném aí, que ora mama ora dorme. A simplicidade dessa descrição não explica, nem de perto, toda a rotina que a mamãe Eliane Hoinacki enfrenta em casa, com o auxílio apenas dos outros quatro filhos, para cuidar dos trigêmeos, nascidos no dia 22 de abril.

(Fotos: Mariana Honesko).
Mãe novamente aos 40 anos, a auxiliar de cozinha ganhou alta do hospital junto com seus “tri”, no final da semana passada. Em casa, no bairro Bom Jesus, em União da Vitória, ela encara com leveza uma rotina puxada. Os bebês, Gabriel, Rafael e a menina, Maria Luiza, passam bem, mamam no peito, tem um chorinho fininho, reclamam pouco e deixam a mamãe Eliane descansar quando precisa. “É uma experiência incrível, boa, não tem como explicar. O Gabriel é o único que quer ficar mais perto, ser exclusivo, é o primeiro a mamar. Ele até pula fila”, sorri a mamãe. E ao longo dos dias, são muitas fraldas, muitos banhos. “Tenho cerca de uma hora de intervalo entre uma coisa e outra. Ai, é hora de correr: ou tomar banho, limpar a casa, lavar a roupa”, conta. “Se você não tem jogo de cintura, lascou-se!”.
Eliane descobriu que seria mãe novamente quando estava já no quinto mês de gestação. Foi surpresa, sem qualquer planejamento. Quando soube da notícia, garante que entrou em choque, que paralisou, que perdeu o fôlego. “Eu soube na segunda semana de janeiro. Foi um susto grande. Entrei em pânico”, lembra.

Os trigêmeos nasceram de parto cesárea, na Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI). Os nenéns, que vieram ao mundo saudáveis, ficaram alguns dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). É que eles nasceram um pouco antes do tempo – com pouco mais de sete meses de gestação. Rafael, nasceu com 1.820 quilos; Gabriel, com 2.210 e Maria Luiza, 2.300 quilos. “A menina chegou chegando”, brinca a mãe. Os bebês sairão do hospital do mesmo jeito que vieram ao mundo: juntos.
Rede de solidariedade
Em casa, a mamãe precisou se organizar. É que a casa é pequena, de poucos cômodos. Os bebês dormem todos no mesmo berço, já que são bem pequenos e ficam um ao lado do outro. A cama de casal que ficava ali, foi substituída por uma de solteiro, onde Eliane dorme (ela está separada do marido, pai das crianças). O roupeiro também foi trocado por um armário multiuso. “Está tudo prático. É uma experiência incrível, única”.
Eliane mora em uma casa custeada com aluguel-social, projeto da prefeitura. Por conta da demanda, toda ajuda é bem-vinda, especialmente a medida em que o tempo passa, e as crianças vão crescendo.
Neste momento, a mamãe conta apenas com o auxílio de renda de um dos filhos para o sustento de todos os moradores da casa. Desde o anúncio de sua gravidez, a comunidade vem ajudando. Mas, com os bebês agora no mundo, muito mais apoio será preciso. Isso envolve desde a doação de fraldas e leite, até a manutenção da qualidade alimentícia dos demais filhos – e da própria mãe. Quem tiver interesse em ajudar, pode procurar a equipe de assistência social da APMI.
Caso é raro
De acordo com o também obstetra, Ary Carneiro Junior, dentro da condição natural, o percentual de chances para o nascimento de gêmeos ou mais é de 1 a 2% de casos. “Eles aumentam a probabilidade caso a família da gestante tenha histórico. Os índices podem chegar até 15%. Tem fatores que aumentam o potencial: o implante de embrião, a inseminação, por exemplo”, contou à reportagem na ocasião do nascimento das crianças.
Mulheres com mais de 30 anos, conforme o profissional, tem mais chance de ter este tipo de gestação. Isso acontece por conta das alterações dos níveis hormonais. “É evidente que tem os casos de gravidez de quatro, cinco, seis bebês, mas é algo muito raro”.