Por Mariana Honesko

Rosa Falk tem traços fortes, que revelam uma vida de trabalho, cuidado com os filhos e pouco tempo para si. Aos 55 anos, a moradora do Bairro São João Maria, em Porto União, tem no bordado sua verdadeira paixão. Na verdade, é mais do que isso. “O artesanato me tranquiliza, me acalma. Se estou nervosa, eu vou fazer o meu bordado”, sorri. Mãe de três filhos e avós de quatro netos, Rosa encontra em sua linhagem a possibilidade de seguidores. “Pérola, minha neta, gosta um pouco do bordado e do tricô”, conta, sobre a menina de 11 anos.
A idade é a mesma com que a artesã aprendeu a arte dos fios. Com uma madrinha, conheceu os principais pontos. “O essencial”, sintetiza. Mais tarde, aprendeu como fazer tricô com sua irmã. “Não gostava muito do tricô, mas depois que um sobrinho nasceu, gostei mais”, diz, com franqueza.
O amor, de fato, aflorou. Além das produções em vários modelos de bordado, Rosa confecciona também trabalhos em EVA e casaquinhos para bebês em lã. O que aprendeu na infância foi aprimorado pelas técnicas que conheceu nas revistas especializadas. Rosa lê, olha bem e copia os modelos mais interessantes. Uma das criações é, inclusive, ecologicamente sustentável. Com lacres de latinhas, ela produz bolsas e sacolas de mão. Todos são “amarrados” com pontos em crochê, outra modalidade feita com maestria por Rosa. Mesmo sendo habilidosa em outras “praias”, ela não esconde sua preferência. “Gosto mesmo é do bordado. Rende mais”, explica.

A artesã dedica boa parte de seu dia à produção. Conforme ela, quando nem tem muito serviço doméstico, fica ainda mais à vontade para produzir novas peças. “Meu marido faz o almoço e eu só paro para tomar um café, de tarde”, sorri. Ainda assim, Rosa garante que não consegue se manter com a venda do artesanato. “Para isso acontecer eu teria que viver apenas para o artesanato. Fazer apenas isso”, avalia.
Mesmo com pouco tempo e dividindo atenção com os filhos e neto, Rosa sinaliza amor incondicional pelo que faz. Suas peças podem ser vistas na Arte do Porto, na Rua Sete de Setembro. Rosa também trabalha com encomendas e com material pronto para a entrega. “Para mim, é um remédio”, diz, com segurança.