Tim-tim! A cerveja é nossa

Empreendedor, Gustavo Stentzler cria novas versões para uma das bebidas mais populares do mundo. É arte, sem moderação

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Atualizado há 13 anos

Por Mariana Honesko

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Gustavo já criou sete variedades da bebida

A paixão pela arte é nítida. Os olhos de Gustavo Stentzler Garcia de Lima, de 26 anos, ficam iluminados quando o assunto é cerveja. Não é para menos: trabalhar na produção da bebida é sonho cultivado desde os bancos acadêmicos, especialmente após a conclusão do curso de Química, pela Universidade Federal do Paraná (UPFR). O cervejeiro é moço prendado: sabe passar um bom café e agradar os amigos com belos pratos. “Mas prefiro um churrasquinho”, sorri.

Natural de Palotina (PR), Gustavo morou na capital do Paraná mas não esconde sua preferência por Porto União, onde vive com a mãe e tem, provisoriamente na garagem de casa, um laboratório repleto de tubos de ensaio, panelas imensas, rótulos e garrafas. O local exala organização e simplicidade. Mas, como já dizia a escritora Clarice Lispector, uma simplicidade que dá trabalho. E como dá. “Levo um mês para produzir uma quantidade boa, desde o começo até o final do processo. Gasto 30, 40 horas para uma produção de até 50 litros”, explica.

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De trigo, cerveja combina aromas, suaves e frutados

A produção é artesanal e, por enquanto, em pequena quantidade. Hoje, apenas amigos e familiares provam os sabores elaborados pelo químico. “Eles apoiam e reclamam quando a cerveja acaba”, brinca. A cerveja produzida por Gustavo foge aos padrões comerciais. O sabor é outro, bem como o é sua textura e formas de consumo. A bebida vai à mesa, pode ser harmonizada com uma variedade de pratos e não pode ser simplesmente bebida, antes, degustada, sem se prender aos famosos “porres” e ressacas do dia seguinte. “É uma cerveja artesanal, diferente do que existe no mercado, nas promoções. É diferente no preço e na qualidade”, ressalta.

 

#laikabeer

O cervejeiro testou e chegou à sete variedades distintas mas duas delas, neste momento, tem maior produção e demanda. Trata-se da cerveja de trigo, que “puxa” para sabores aromatizados e frutados, e da Pale ale, de alta fermentação, clara e com boa presença de lúpulo. Ambas têm 5% de dosagem alcoólica. Outras receitas devem ser testadas em breve, inclusive, as que combinam os ingredientes básicos com especiarias e frutas. No laboratório de Gustavo, uma abóbora deve ser “abatida” para novos testes. “É uma cerveja para paladares mais apurados que vem para a mesa, para ocasiões especiais”, sorri.

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Teste checa condições dos insumos e indicam resultado da combinação

A bebida já tem nome e na rede social recebe “curtidas” em páginas mais populares. “O nome saiu de uma brincadeira, lembra o nome da cadelinha da União Soviética que foi para o espaço e na rede social até combina com o lance de curtir mesmo”, explica o cervejeiro sobre a sua Laika Beer. A produção segue em bom ritmo: em média, por mês, cerca de 300 litros são confeccionados. Gustavo trabalha sozinho, mas nos finais de semana conta com o apoio dos amigos que, além de ajudar, “testam” o produto.

Aprendendo mais sobre cervejaria

Gustavo conheceu mais sobre a combinação química para a produção da cerveja nos bancos acadêmicos. “Meu interesse é desde a faculdade, mas por falta de tempo e de outras coisas que tínhamos que fazer, não puder dar tanta atenção na época”, conta. Mas, a dedicação ao assunto foi seu lema a partir da graduação.

Em Curitiba, lançou-se de cabeça ao aprendizado de técnicas e culturas. Abdicou de seu tempo livre e desprendeu algumas cifras em prol de sua vocação. Além das capacitações, que lhe garantiram uma boa cerveja preta em sua estreia como cervejeiro, Gustavo estudou a logística industrial quando trabalhou em uma empresa do ramo químico.

O jovem é modesto e mesmo sonhando em atuar na área de cervejaria ou ter sua própria fábrica, garante que sua meta é aprender mais, muito mais. “Estou sempre buscando mais especialidades. Fazer em casa é uma coisa, mas na indústria, é bem diferente”, pontua. Assim, endossam seu currículo cursos no Senai do Rio de Janeiro – considerado por Gustavo um dos melhores na área – e em Florianópolis. Aprender e aprender, são suas bandeiras.

Cerveja - 02Bebendo menos e melhor

A cerveja artesanal produzida em Porto União reúne os principais elementos das receitas tradicionais. Gustavo importa o malte, o lúpulo e a levedura, insumos só encontrados com qualidade fora do Brasil, já que o país não dispõe deles em potencial. A água também de qualidade e na garagem da mãe de Gustavo, apenas a filtrada é utilizada. Antes vindo de fora, os insumos já são negociados com importadoras nacionais, de Curitiba e do Rio de Janeiro. Os produtos não são baratos, mas Gustavo afirma que o investimento vale muito. “É beber menos, mas melhor, com qualidade”, diz.

Um brinde ao conhecimento!

Gustavo está de malas prontas. Em agosto, ele viaja para os Estados Unidos, para o mestrado na área de cervejaria. Os estudos e a viagem serão custeados pelo programa Ciências sem Fronteiras, do Governo Federal. Por lá, o empreendedor fica durante dois anos.

Enquanto isso, segue dando exemplo. Ainda neste ano, o químico, à convite da Unespar de União da Vitória, vai dar uma palestra para os acadêmicos de Química. “Sobre cerveja e empreendedorismo”, sorri. “As pessoas aprendem muito na faculdade, mas às vezes não sabem onde podem aplicar o conhecimento”, completa.

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