Pelo menos três crianças morreram de complicações ligadas ao aparelho respiratório entre 2 e 18 de junho em três das quatro cidades que compõem a comarca de Canoinhas. As mortes foram registradas em Major Vieira no dia 2 de junho e no mesmo dia, esta quinta-feira, 18, em Canoinhas e Três Barras. Em todos os casos há suspeita de bronquiolite.
O primeiro caso, em 2 de junho, chamou a atenção para o fato de o bebê ter sido um dos 11 que há quase um ano receberam, por engano, soro antiofídico no lugar da vacina contra a hepatite B. José Alfredo de Campos, de 10 meses, enfrentava problemas de saúde recorrentes desde o nascimento, o que para os pais podem estar associados ao soro. Leila Bueno relatou ao JMais que, ao longo dos meses, procurou diversas vezes atendimento médico para o filho e chegou a pedir exames mais aprofundados, mas que os profissionais avaliavam os sintomas como quadros gripais comuns.
Procurado à época, o Hospital Santa Cruz afirmou que a criança morreu em decorrência de uma bronquiolite, mas tanto o hospital de Major Vieira quanto o de Joinville não confirmam o diagnóstico. Uma perícia foi feita no corpo, mas até o momento o resultado não saiu.
DUAS MORTES NO MESMO DIA
Nesta quinta-feira, 18, dois bebês morreram em decorrência de problemas respiratórios. Em Três Barras, Heitor Astrisi Cordeiro, de dois meses, deu entrada no Pronto Atendimento do Hospital Félix da Costa Gomes na segunda-feira, 15. No dia seguinte ele foi transferido para Mafra, onde acabou falecendo nesta quinta-feira, 18. A reportagem apurou junto a amigos da família que o bebê teve uma pneumonia, decorrente de bronquiolite. Seu sepultamento ocorreu às 11 horas desta sexta-feira, 19, no Cemitério Municipal de Três Barras.
Já em Canoinhas, a Secretaria de Saúde do Município confirmou que Valentina Nathieli Ferreira, de seis meses, morreu em decorrência de bronquiolite. O corpo da menina foi sepultado às 17 horas no Cemitério Municipal de Canoinhas.
Segundo amigos da família, a menina começou a passar mal na madrugada desta quinta-feira, 18. Os pais a levaram ao Pronto Atendimento de Canoinhas, onde ela ficou até a tarde, quando foi transferida para Mafra, mas acabou morrendo no caminho. A Secretaria de Educação de Canoinhas publicou uma nota de pesar, já que a menina frequentava o CEI Vinicius de Moraes, da rede pública de ensino.
ALERTA
Por ocasião da morte de José Alfredo, o Hospital Santa Cruz já havia emitido um alerta sobre a importância da vacinação para evitar a bronquiolite. “A bronquiolite é uma infecção respiratória aguda que acomete principalmente crianças menores de dois anos, sendo causada, na maioria dos casos, pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR). A doença provoca inflamação dos bronquíolos, dificultando a passagem de ar e podendo causar insuficiência respiratória grave, especialmente em bebês prematuros ou com baixa imunidade. Notícias recentes divulgadas em 2026 registraram aumento de internações e óbitos infantis relacionados à bronquiolite em diversas regiões do país. Importante esclarecer que a bronquiolite causada pelo VSR não possui relação com a vacina contra Hepatite B nem com a administração de soro antibotrópico, utilizados para finalidades médicas completamente distintas. Também deve ser considerado que o protocolo municipal específico de prevenção contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) passou a ser adotado apenas ao final do ano de 2025, razão pela qual muitas crianças anteriormente não tiveram acesso à imunização preventiva disponível atualmente. Especialistas destacam que a gravidade da doença está associada à rápida evolução respiratória em crianças pequenas, sendo fundamentais o diagnóstico precoce, o acompanhamento médico adequado e as medidas preventivas específicas contra o VSR para redução de complicações e óbitos infantis.”
A Secretaria de Saúde de Canoinhas informou que vai fazer uma série de divulgações a partir da próxima semana alertando os pais para a importância da vacina.
Mortes de bebês por bronquiolite acendem alerta no Brasil em meio à alta de doenças respiratórias
O aumento da circulação do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite em crianças pequenas, voltou a preocupar autoridades de saúde em todo o Brasil. Dados divulgados nos últimos meses apontam crescimento das internações por doenças respiratórias graves entre bebês e crianças de até dois anos, faixa etária mais vulnerável às complicações da doença.
A bronquiolite é uma inflamação dos bronquíolos — pequenas vias aéreas dos pulmões — e pode provocar dificuldade respiratória intensa, exigindo internação e, em casos mais graves, levando à morte. O Ministério da Saúde estima que o VSR seja responsável por até 80% dos casos da doença.
O cenário já vinha sendo observado em 2025. Levantamento divulgado neste ano mostrou que os casos e as mortes relacionadas ao VSR cresceram mais de 60% em comparação com o período anterior, evidenciando a força da circulação do vírus no país.
Em 2026, o aumento das síndromes respiratórias graves em bebês também chamou a atenção dos pesquisadores. Segundo dados epidemiológicos divulgados em maio, o Brasil registrou mais de 57 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com o VSR entre os vírus mais detectados nas análises laboratoriais.
Diante desse quadro, o governo federal ampliou as estratégias de proteção. O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer a vacina contra o VSR para gestantes e iniciou a distribuição do anticorpo monoclonal nirsevimabe para prematuros e crianças com condições de risco. A expectativa é reduzir hospitalizações e óbitos entre recém-nascidos e lactentes.
Os primeiros resultados já são considerados positivos. O Ministério da Saúde informou que o número de internações e mortes de bebês nos primeiros meses de vida apresentou redução superior a 50% após o início da vacinação de gestantes, que já alcançou mais de um milhão de mulheres em todo o país.
Especialistas reforçam que a principal forma de prevenção continua sendo a vacinação das gestantes, além de medidas como evitar contato de bebês com pessoas gripadas, higienizar as mãos frequentemente e manter os ambientes ventilados durante o período de maior circulação dos vírus respiratórios.