TRIGÊMEOS: Esse é só um pezinho. Multiplique por três
Auxiliar de cozinha de União da Vitória se torna mãe de trigêmeos. Com os novos integrantes, família cresce e número de filhos chega a sete
Por Mariana Honesko
24/04/2019 - 11h26 · Atualizado há 7 anos
Pezinhos na UTI: bebês nasceram saudáveis, mas ficam alguns dias em observação (Fotos: Mariana Honesko).
São muitas fraldas, muitos banhos, muitas mamadeiras. Se cuidar de um bebê já é uma função que exige muito dos pais, imagine as dificuldades da execução de todas as mesmas tarefas multiplicadas por três.
Pois é justamente essa conta que a auxiliar de cozinha, Eliane Hoinacki, vai precisar fazer a partir de agora. Ela se tornou mãe de trigêmeos – os meninos, Gabriel, Rafael e a menina, Maria Luiza – na manhã de segunda-feira, 22. Com a chegada dos bebês, sua casa, no bairro Bom Jesus, em União da Vitória, fica mais cheia: por lá, além dela, moram seus outros quatro filhos, todos homens.
E é uma discrepância única – e especial: o mais velho, tem 20 anos e já é pai também; o mais novo, é uma criança alegre, de seis anos. Agora, são seis meninos e uma menina, a nova rainha do pequeno castelo da família. O marido, pai dos trigêmeos, está afastado de casa por conta de uma medida protetiva.
A auxiliar de cozinha, de 40 anos, conta que descobriu que seria mãe novamente já no quinto mês de gestação. Foi surpresa, sem qualquer planejamento. Quando soube da notícia, garante que entrou em choque, que paralisou, que perdeu o fôlego. “Eu soube na segunda semana de janeiro. Foi um susto grande. Entrei em pânico. Agora, espero que Deus me ajude, me encaminhe. Não vai ser fácil, mas difícil não vai ser também”, diz. “Já fiz as contas. São mais de 700 fraldas por mês, além do leite, todas as coisas de higiene. Mas vai dar certo”.
Eliane teve os trigêmeos de parto cesárea. A mãe, que deve receber alta nesta quarta, passa bem, assim como seus filhos.
Eliane momentos antes de dar à luz
Raridade
O nascimento de trigêmeos não é algo que se vê todos os dias, nem mesmo na Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI), onde os trigêmeos de Eliane vieram ao mundo. O hospital, que atende à região, havia registrado o último caso de trigêmeos em 2017, quando uma mãe biturunense, deu à luz. O trio de Eliane é o primeiro deste ano, algo que chamou a atenção até mesmo dos profissionais que trabalham na unidade. “Sou mãe de gêmeas e tudo o que ela sentiu, é exatamente é isso. A gente sabe e para. A gente fica minutos assimilando, até cair na realidade. Mas depois, é só felicidade”, compartilha Rosane Bilinski, assistente social da APMI. “Falei para a Eliane que Deus dá a cruz conforme a gente consegue carregar. E vai ser assim. Ela vai dar conta. O nascimento de trigêmeos é raro e especialmente esses bebês saudáveis. O pré-natal fez uma grande diferença”.
Coincidentemente, a obstetra Marta Damico Fam foi a médica dos bebês de Bituruna (PR) e dos filhos de Eliane. Para a profissional, que já tem uma carreira de 35 anos, o parto é apenas uma cena de toda a história: o acompanhamento da gravidez, o “fazer chegar até o fim”, é a grande vitória. “Na primeira vez, fiquei emocionada de ter feito o parto e ter consigo fazer chegar essa gravidez. O importante é tirar crianças saudáveis, com condições, apesar de todos os problemas financeiros, por exemplo, que virão. No caso da Eliane, eu já a conhecia, ela já tinha trabalhado comigo um certo tempo. Todo o contexto, toda a comunidade trabalhando, foi muito interessante”, conta.
De acordo com o também obstetra, Ary Carneiro Junior, dentro da condição natural, o percentual de chances para o nascimento de gêmeos ou mais é de 1 a 2% de casos. “Eles aumentam a probabilidade caso a família da gestante tenha histórico. Os índices podem chegar até 15%. Tem fatores que aumentam o potencial: o implante de embrião, a inseminação, por exemplo”, conta. Mulheres com mais de 30 anos, conforme o profissional, tem mais chance de ter este tipo de gestação. Isso acontece por conta das alterações dos níveis hormonais. “É evidente que tem os casos de gravidez de quatro, cinco, seis bebês, mas é algo muito raro”.
Marta Damico Fan foi a obstetra de Eliane e do último caso registrado anteriormente na APMI
Bebês passam bem
Os nenéns estão bem, embora estejam na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) até os próximos dias. Eles nasceram um pouco antes do tempo, com pouco mais de sete meses de gestação. Rafael, nasceu com 1.820 quilos; Gabriel, com 2.210 e Maria Luiza, 2.300 quilos. “A menina chegou chegando”, brinca a mãe. Os bebês sairão do hospital do mesmo jeito que vieram ao mundo: juntos.
Pezinhos na UTI: bebês nasceram saudáveis, mas ficam alguns dias em observação
Solidariedade
“As crianças nasceram e a comunidade precisa ajudar elas se tornarem pessoas de bem. O parto foi apenas o início”. O alerta da obstetra Marta atenta para a situação social da família de Eliane. Mãe solteira, ela conta apenas com o auxílio de renda de um dos filhos para o sustento de todos. Desde o anúncio de sua gravidez, a comunidade vem ajudando. Mas, com os bebês no mundo, muito mais apoio será preciso. Isso envolve desde a doação de fraldas e leite, até a manutenção da qualidade alimentícia dos demais filhos – e da própria mãe. Quem tiver interesse em ajudar, pode procurar a equipe de assistência social da APMI. Toda ajuda é bem-vinda.
“Agora, espero que Deus me ajude, me encaminhe. Não vai ser fácil, mas difícil não vai ser também”
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