Ucranianos rezam pelo fim do conflito

Na região, descendentes da etnia ajudam com orações. De longe, a torcida é pela organização do país de origem

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Atualizado há 13 anos

Por Mariana Honesko

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Nas celebrações, fiéis lembram o conflito e rezam pela paz (Bruna Kobus/Jornal O Comércio)

Eles não conseguem assistir ou ler os noticiários sem demonstrar qualquer envolvimento. Mesmo muito longe, os descendentes que moram na região, mostram empatia pelos companheiros de mesma origem. A maioria dos que moram em União da Vitória e Porto União, cuja etnia é forte, não tem mais familiares vivos no país. Mesmo assim, sabendo de sua história e linhagem, se sensibilizam diante do conflito que, especialmente desde fevereiro, tem causado uma série de confrontos e mortes na Ucrânia.

No mês anterior, cerca de 82 pessoas morreram durante protestos entre ativistas e as forças de segurança. “O pessoal só tem rezado por eles”, diz Eugênio Covalchuk Primo, um dos dinâmicos representantes ucranianos nas Cidades Irmãs. Segundo ele, orações é o que pede a representação central dos ucranianos, em Curitiba, bem como os padres católicos.

O pároco da Igreja São Basílio Magno, de União da Vitória, reforça a proposta. “De fato, não temos muito que fazer. Nas nossas celebrações, a gente pede para que as pessoas rezem, para que os governos entrem em acordo, para a democracia vença”, diz Josafá Firman. Conforme ele, há cerca de 600 famílias na região descendentes de ucranianos.

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Vilson José Kotviski

Assim como os ucranianos natos, os descendentes, no Brasil, torcem pela aproximação da Ucrânia com a Europa. A ideia é deixar para trás a herança soviética. “A Rússia é o algoz da Ucrânia e pela potência que o país tem, temos medo do que possa acontecer”, avalia o presidente do Clube Ucraniano e diretor dos Amigos da Praça da Ucrânia, Vilson José Kotviski. Saudosista, lembra do seu bisavô, ucraniano, que sonhava por uma Ucrânia independente. “Ele cantava o hino e dizia que não veria a Ucrânia livre, mas que nós iríamos ver”, sorri. De fato, ela veio e neste aspecto, é ainda uma criança. A liberdade ocorreu apenas em 1991. “Torcemos para que não vire uma guerra. Temos consciência de que é algo mais sério. O país está instável”, preocupa-se Kotviski.

criseO mapa do conflito

A crise começou em novembro do ano passado, quando o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, se recusou a assinar um acordo com a União Europeia, priorizando as relações com a Rússia. Ele recebeu a proposta de um pacote de ajuda de US$ 15 milhões de Moscou, além da redução do preço do gás importado dos russos, em troca. Os protestos contra a decisão começaram tão logo o acordo foi anunciado. Em janeiro os manifestos ficaram mais violentos, quando o governo adotou novas leis, com a intenção de frear as manifestações.

O Parlamento afastou o presidente e novas eleições devem ocorrer em maio. Mesmo após o afastamento de Yanukovich a população protesta, já que considera a medida um golpe de Estado na capital, Kiev. A Rússia tem na Ucrânia seu foco: o país é rota de gasodutos que transportam gás russo para a Europa. Além disso, a Rússia mantém uma base militar na região da Crimeia, região ucraniana onde a maioria da população é de origem russa.

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