
A quarta-feira amanheceu com um tom de luta em todos os cantos do Brasil. Desde cedo, diversas linhas sindicais organizaram manifestos contra a reforma da previdência e trabalhista. É claro que aqui no Vale do Iguaçu não poderia ser diferente. A movimentação aconteceu na Praça Alvir Riesemberg, em União da Vitória, em frente a Câmara de Vereadores. O evento teve início às 9h30.
Vale ressaltar que as manifestações coincidem também com o dia de assembleias e greves convocadas por sindicatos da educação no Brasil. Para tanto, professores municipais e estaduais concordaram em aderir à paralisação com o objetivo de pressionar os deputados frente as mudanças nas regras da aposentadoria no país.
De acordo os movimentos, os impactos da proposta de Lei para a Reforma da Previdência Social no Brasil são tremendos e, exigem que o governo repense e justifique as mudanças.
O fato é o seguinte: recentemente o Governo Temer encaminhou ao Congresso Nacional a sua proposta de Lei para a Reforma da Previdência Social no Brasil. Entre as principais mudanças propostas está o aumento da idade mínima para aposentadoria aos 65 anos de idade para homens e mulheres e tempo de serviço para 49 anos de trabalho para ter direito a aposentadoria integral.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de União da Vitória, Valdir Luis Corttelini, a ‘tal’ chamada Reforma da Previdência, na verdade, tem o objetivo de destruir a aposentadoria do povo brasileiro. “A medida atinge todos os trabalhadores. O povo deve ir as ruas e reivindicar os seus direitos. Nada cai do céu meu povo! Vamos lutar nas ruas”, confirma.
A opinião de Corttelini é partilhada com o Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Porto União, Mário Raimundo Horn. Com lágrimas nos olhos, ele fala sobre a possível retirada de direitos dos trabalhadores, que segundo ele, foi tão batalhada pela classe.
Pela região
Bernardo Vergopolen chegou cedo aqui no Vale do Iguaçu. Ele é presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Bituruna e também é presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da região Sul (Fetraf/PR). Ele conta que a ação também está acontecendo simultaneamente em Irati, Bituruna e São Mateus do Sul, todos organizados pela Fetraf. “Hoje é um dia de luto. Poderíamos estar aqui apresentando avanços para a categoria, mas estamos é lutando por nossos direitos”.
Aposentado presta apoio
Osni Werle já é aposentado. O benefício veio já aos 60 anos de idade. Mesmo com dificuldades de locomoção, ele afirma apoio aos demais moradores do Vale do Iguaçu. “Eu não consigo imaginar uma pessoa com 60 anos ou mais trabalhando e batalhando ainda pela vida. É momento de colher os frutos, concordam? ”, conta ele.
Mudanças
A reforma da Previdência vem sendo bastante questionada antes mesmo de entrar em votação definitiva. O texto está atualmente em tramitação em uma comissão especial na Câmara dos Deputados, onde deverá ser votada até abril. A proposta do Governo foi apresentada no final do ano passado, e tem gerado debates acalorados, inclusive na base aliada do presidente dentro do Congresso.
A proposta prevê pontos polêmicos, como o estabelecimento de idade mínima aos 65 anos para todos os trabalhadores, além dos 49 anos para conseguir o teto da aposentadoria. Além de dificultar o acesso ao benefício, outra crítica ao projeto é a flexibilização das rendas destinadas a deficientes físicos e idosos de baixa renda, hoje vinculados ao valor do salário mínimo.



















