Por Mariana Honesko

A visita histórica da presidente Dilma Rousseff no dia 18 marcou o auge de um dos momentos mais dramáticos já vividos nas Cidades Irmãs. Naquela terça-feira Dilma saiu de Brasília e sobrevoou a região. Se disse chocada e prometeu ajuda. Na Praça Alvir Riesemberg, ao lado do busto que homenageia Getúlio Vargas, ela saudou os simpatizantes e fez questão de acenar até para os manifestantes contrários.
Mas, a visita da presidente mexeu com a memória. Afinal, esta seria a primeira visita de um presidente da República? O murmúrio replicou-se na região e de imediato, os getulistas saíram em defesa de seu eterno líder. Sim, de fato, Getúlio Vargas esteve na região e até deu discurso. A sacada do já extinto Hotel Internacional, na Praça Hercílio Luz ficou famosa: foi de lá que em outubro de 1930, Vargas acenou para a população que aglomerava-se perto do chafariz.

Nesta semana, o assunto foi especialmente pesquisado pelo professor e historiador, Aluísio Witiuk, e pela coordenadora da Casa Cultural Aníbal Khury, em Porto União, Therezinha Wolff. Ambos concordam que Vargas não veio à região como presidente. “Getúlio veio em 16 de outubro de 1930 e ele assumiu a presidência no dia 3 de novembro”, explica Witiuk. Terezinha compactua da data, mencionando detalhes da ilustre visita. “Na ocasião ele recebeu flores na praça e acenou para a população”, afirma. Vargas era amigo pessoal de Domício Scaramella e é provável que para visitá-lo, o “Pai dos Pobres” teria vindo à região em uma segunda ocasião. O encontro do ex-presidente e do ex-prefeito de União da Vitória foi registrado. O arquivo, contudo, não tem registro de data e permite a dúvida.
A amizade com moradores da região também teria motivado a visita de Jucelino Kubitschek. Não há informações sobre a data dessa rápida pisadinha em solo regional mas, o que se sabe, é que Kubitschek teria vindo abraçar o colega de profissão, o também médico Lauro Soares, membro do corpo clínico do Hospital São Braz. Na ocasião, Kubitschek não era presidente do Brasil.

Mais recentemente, em 1989, Luis Inácio Lula da Silva visitou a região. A época era política e Lula, apenas um metalúrgico barbudo, dono de uma voz grave e sonhos ambiciosos. O então candidato concorria a primeira disputa presidencial após o Golpe Militar de 1964. Na ocasião, contudo, ele perdeu a eleição no segundo turno para Fernando Collor de Melo. Em União da Vitória, Lula concedeu entrevista à imprensa local e, ao jornalista, Jair “Piloto” Nunes, também falou. Ainda candidato, Lula esteve novamente na região. Era a segunda tentativa sua à presidência. Em ambas visitas, Luis Inácio era, ainda, coadjuvante na República.
A visita mais antiga

A região das Cidades Irmãs já era popular em 1909. Conforme o livro Apontamentos Históricos de União da Vitória, de Cleto Silva, em 4 de abril daquele ano, o então presidente, Afonso Augusto Moreira Pena, chegava à cidade. “Depois de curta permanência nesta cidade, seguiu até a estação Presidente Pena, na linha Sul, cujo nome foi dado em sua homenagem”, diz, em partes, trechos da obra. A estação mencionada no livro de Cleto Silva compunha o trecho de 103 quilômetros da linha férrea que ligava Porto União – na época a região pertencia ao Paraná – à Caçador. “Afonso Pena chegou de trem na região”, conta Witiuk. Pena, do contrário de Vargas, Lula e Kubitschek, desembarcou na região na condição de presidente. Assim, os dados históricos encerram a discussão que começou no dia 18 deste mês. A região de União da Vitória e Porto União já havia recebido um presidente da República, em pleno exercício de seu cargo, há mais de um século.