O Vaticano instalou nesta quinta-feira, 4, a imagem de Carlo Acutis na fachada da Basílica de São Pedro, em Roma.
O gesto simbólico faz parte da preparação para a cerimônia de canonização marcada para o próximo domingo, 7, na Praça de São Pedro.

Carlo nasceu em 1991, em Londres, mas foi criado em Milão, na Itália. Desde a infância demonstrava profunda fé católica e grande habilidade com tecnologia.
Aos nove anos, desenvolveu um site que catalogava milagres eucarísticos reconhecidos pela Igreja, o que lhe rendeu o título de “padroeiro da internet” entre os fiéis.
Vida breve, legado duradouro
Acutis morreu em 12 de outubro de 2006, aos 15 anos, vítima de leucemia fulminante — data que coincide com a festa de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.
Devoto fervoroso, frequentava missas diárias, rezava o terço e praticava a adoração eucarística, inspirando milhares de pessoas com sua fé simples e intensa.
Milagres reconhecidos
Dois milagres atribuídos à intercessão de Carlo foram reconhecidos pelo Vaticano. O primeiro ocorreu no Brasil, em 2010, quando um menino de Campo Grande (MS) foi curado após tocar em uma relíquia do jovem.
O segundo envolveu a recuperação de uma jovem da Costa Rica que havia sofrido traumatismo craniano.
Primeira canonização do Papa Leão XIV
A cerimônia de canonização será presidida pelo Papa Leão XIV, eleito em maio deste ano após a morte do Papa Francisco. Esta será a primeira canonização conduzida pelo novo pontífice, reforçando o simbolismo do evento, que deve reunir milhares de fiéis de várias partes do mundo.
A mãe relembra
Antonia Salzano, mãe de Carlo, afirma que o filho era “um garoto como qualquer outro”, mas que colocava Jesus em primeiro lugar e usava seus talentos para evangelizar.
Outro santo será declarado
Na mesma celebração, Pier Giorgio Frassati — falecido em 1925 e conhecido pelo trabalho de caridade junto aos pobres — também será canonizado.
Sepultado em Assis
O corpo de Carlo Acutis está exposto em Assis, vestido com jeans, tênis e moletom, como forma de evidenciar sua vida comum. O local se tornou ponto de peregrinação para milhares de jovens.
O corpo de Carlo é “incorrupto”?
Após o anúncio do reconhecimento do 2º milagre do beato, voltaram a circular nas redes sociais informações indicando que o corpo de Carlo Acutis seria “incorrupto”, nome dado ao fenômeno de quando todo o corpo ou parte dele se mantém preservado após a morte.
Entretanto, ainda em 2020 a Diocese de Assis, cidade onde o beato fica exposto, esclareceu que, na verdade, houve uma “reconstrução” do corpo do garoto.

“Quando foi exumado no cemitério de Assis, o que se realizou a 23 de janeiro de 2019 com vista à sua transferência para o Santuário – explica Dom Sorrentino – encontrava-se no estado normal de transformação, típico da condição cadavérica.
No entanto, como os anos de sepultamento não foram muitos, o corpo, embora transformado, mas com as várias partes ainda na sua constituição anatômica, foi tratado com aquelas técnicas de conservação e integração habitualmente praticadas para expor com dignidade os corpos dos fiéis à veneração dos beatos e santos. Uma operação feita com arte e amor.
A reconstrução do rosto com máscara de silicone foi particularmente bem-sucedida. Com um tratamento específico foi possível recuperar a preciosa relíquia do coração que será aproveitada no dia da beatificação”, disse a autoridade católica da região na época.
Também na Itália outra santidade da igreja católica está, esta sim, “incorrupta”. Na cidade de Cássia, seguem expostos os restos mortais de Santa Rita de Cássia, que faleceu em 1457.
Após 567 anos, apenas parte do rosto da santa foi reparado com cera. Para além da preservação incomum, pessoas relatam sentir cheiro de rosas no túmulo. Cássia está ligada à flor, depois que uma delas nasceu no lugar onde ela fazia suas orações.
Já de acordo com a ciência, as condições de preservação de um corpo podem influenciar sua incorruptibilidade. Fatores como baixas temperaturas e a ausência de oxigênio nos caixões são algumas das características que ajudam na conservação do corpo, mesmo sem embalsamamento ou outra forma de mumificação.
Símbolo da fé digital
A canonização de Carlo representa um marco para a Igreja Católica: o reconhecimento da santidade em um jovem da era digital, visto como exemplo de espiritualidade vivida com naturalidade em tempos de internet e redes sociais.