
Na Sessão da Câmara de Vereadores de Porto União desta terça-feira, 2, a instalação de um crematório foi apresentada. O vereador Christian Martins, que também é presidente da Comissão de Desenvolvimento Econômico, abordou o tema. Segundo ele, o empresário Mohamed Abdul Abbas o procurou falando sobre a intenção da instalação do crematório.
O empresário, que está há mais de 60 anos na região, adquiriu uma área de divisa com o cemitério e viu ali a possibilidade do empreendimento que tem a intenção de auxiliar as famílias interessadas no processo, trazendo facilidade e um preço acessível.
“Pessoas de outras cidades estão vindo aqui, vender esses planos crematórios, muitas vezes com valores altos”, explicou o empresário.
Para ele, muito já foi retirado de Porto União pelo governo. “Muitas autarquias e secretarias de governo foram retiradas daqui a minha intenção é ajudar o município”, comenta.
O empresário contou também que gosta de desafios, e que inclusive já comprou elefantes brancos que hoje são empreendimentos e, que estão dando certo.

O crematório, segundo Abbas, deve atender a demanda de toda a região. O primeiro passo já foi dado. A Prefeitura de Porto União já aprovou o laudo de ocupação de solo, agora, o empresário busca outras licenças que demandam prazos. O empreendimento deve atender critérios ambientalmente corretos, e seguir as regras do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA).
No Vale do Iguaçu alguns cemitérios estão interditados por não cumprirem a Lei ambiental e inclusive estão proibidos de realizar sepultamentos. O problema é compartilhado por outros tantos municípios brasileiros, que sofrem com a superlotação, e esbarram na grande burocracia para a liberação de novos cemitérios.
“A tendência é que os crematórios sejam a saída para a falta de espaço, e para a burocracia envolta da construção de novos cemitérios”, lembrou Martins.
Licença para instalação
A questão ambiental é uma das mais complexas a se fazer. O IMA precisa emitir licença de instalação e ambiental para que o empreendimento comece. Através do instituto são emitidas licenças como:
EIA RIMA, Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental
O EIA/RIMA foi instituído no Brasil pela Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), Lei 6938/81. A resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA) nº 001 de 1986, regulamenta os critérios básicos e as diretrizes gerais para aplicação da Avaliação de Impacto Ambiental, assim como define as atividades que se enquadram nesta modalidade e ainda estabelece os conteúdos mínimos para a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental e do Relatório de Impacto Ambiental (EIA/RIMA).
RIMA – Relatório de Impacto Ambiental
O Rima é um documento público que confere transparência ao EIA, um resumo em linguagem didática, clara e objetiva, para que qualquer interessado tenha acesso à informação e exerça controle social. Assim, as informações devem ser traduzidas em linguagem acessível, ilustradas por mapas, cartas, quadros, gráficos e demais técnicas de comunicação visual, de modo que se possam entender as vantagens e desvantagens do projeto, bem como todas as consequências ambientais de sua implementação.
Após isso, o próprio instituto realiza uma Audiência Pública com a comunidade. Em Porto União alguns empecilhos estão aparecendo. Além da burocracia do processo, alguns vizinhos do terreno estão sendo contrários a ideia. O principal receio da população é o mal cheiro que o empreendimento pode causar. Segundo Christian a população está um pouco resistente a novidade.
Estrutura do crematório
O prédio deve ter aproximadamente 1200 metros quadrados, dois andares e subsolo, respeitando um metro e meio os muros próximos. Fica ao lado do cemitério municipal, local que inclusive já conta um moderno velatório.

No primeiro andar, dois salões para velório, área restrita para a família, uma capela ampla para missa de corpo presente. Na lateral terá um café, com profissionais para o atendimento a família e amigos.
No fundo da sala um elevador feito em granito, que após as homenagens finais, o caixão desce ao subsolo para o processo de cremação, que dura aproximadamente uma hora e meia. Lá materiais, como metais e vidros são retirados do caixão antes do processo, que é feito com gás GLP. São duas câmaras para cremação, uma para corpos humanos e outra para pets.
No outro dia, as cinzas são retiradas do local – é necessário esperar 24h para o resfriamento. Uma chaminé de aço inox entre 12 e 15 metros também deve ser instalado. Todo o processo é sem odor. Uma pequena nevoa quase transparente se dissipa no ar ao sair pela chaminé.
“Nossa cidade merece esse empreendimento. Não penso em resultado financeiro, quero ajudar a nossa região”, comenta Abbas.
O empresário está na cidade desde 1957, começou como vendedor de roupas, e hoje se frustra ao comparar, por exemplo, a cidade de Porto União com Caçador. Segundo ele, Caçador era bem menor, e hoje está expandindo suas empresas, gerando empregos. Para Abbas o que falta aqui é mais união entre os empresários.
“Eu gosto de desafios, penso no bem da cidade, não quero prejudicar ninguém, eu gosto do que faço. Estamos aqui para somar, para ajudar e o crematório não vai prejudicar ninguém”, finaliza.
Todo o processo burocrático deve durar aproximadamente oito meses.
A previsão é que o crematório fique pronto em 2022.