Por Mariana Honesko

Mesmo oferecendo horários ampliados para compras na semana véspera do Dia das Crianças, as vendas para a data ainda ficaram aquém do que esperavam os lojistas. Dados preliminares da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) indicam que a redução girou em torno dos 3% na comparação com o ano passado. Para o lojista e também diretor do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) da CDL, Silvio Iwanko, a redução individual é resultado do aumento da oferta de serviços e produtos. Exemplo está em União da Vitória e Porto União onde três novas lojas se instalaram em um ano. “Não deixamos de vender mas como temos mais empresas, o bolo precisou ser dividido”, avalia.
A avaliação da semana do Dia das Crianças mostra ainda que as compras ocorreram em sua maioria à vista ou com cartões de crédito. Assim, o número de consultas ao SPC local, na comparação com 2012, também não sofreu alteração. “Isso mostra que as pessoas estão endividadas e acabam comprando mais assim do que no crediário”, pontua Iwanko. A redução nas consultas também confirma a compra nas lojas que não são originalmente das cidades. A maioria consulta o crédito do consumidor a partir do cadastro nacional.

Nos grandes centros, o cenário é um pouco diferente. De acordo com o levantamento feito pelo Serasa, as vendas cresceram em 3,1% na semana das crianças. No dia 12, porém, os números ficaram aquém do ano passado, quando o aumento foi de 7,7%. Para os economistas do Instituto, o comportamento é um indicativo do que pode ocorrer no Natal. As vendas em dezembro também não devem empolgar. Elas devem registrar crescimento inferior aos 5,1% verificados no Natal do ano passado.
Troca de presentes já começou
Nesta semana, os lojistas continuam recebendo um bom público. No entanto, não são as compras o que motiva a visita. Antes, a troca dos presentes que não deram exatamente certo ou, por algum motivo, não agradaram. A movimentação tem regras. “Trocas por mero arrependimento, por exemplo, o comerciante não é obrigado a fazer. Ele é obrigado se fica identificado algum defeito flagrante, algo na embalagem que comprometa o produto”, lembra o gerente geral do órgão em União da Vitória, Raphael Garcia Bertolin.
Assim, a troca não ocorre obrigatoriamente nos casos em que o presente não agradou. “O comerciante não tem obrigação nestes casos”, explica Bertolin. Contudo, o cancelamento da compra pode ocorrer quando o consumidor encontrar algo no contrato que não havia negociado. A cobrança de valores indevidos – garantias, por exemplo, nas compras de eletrônicos – ou a inclusão de algum tipo de seguro, são passiveis de reclamação desde que consumidor não tenha autorizado a cobrança. “Desistência motivada por falta de informação do consumidor sobre o que foi feito no contrato, má fé e contrato abusivo vale para compras pela internet e telefone também”, ressalta o gerente do Procon. No caso de compras feitas longe do produto, cabe também o cancelamento da compra por arrependimento.
Em todas as situações, o consumidor precisa estar com a Nota Fiscal em mãos. Ela é o documento que garante a origem e o proprietário do produto. Sem ela, qualquer intervenção do Procon fica restrita. “Além disso, o consumidor precisa frisar todas as informações sobre a compra e exigir isso por escrito”, ressalta Bertolin.