Veterinários defendem aplicação de medicina alternativa em animais

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Atualizado há 12 anos

Por Mariana Honesko

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(Foto: Mariana Honesko).

Imagine suínos estressados por conta do desmame sendo “curados” com, e apenas com, lavanda francesa. Agora pense em um cavalo, com graves lesões no pelo, sendo tratado com fitoterapia. Veja um cachorro, com convulsões, recebendo sensíveis melhoras a partir da aromaterapia. A terapia comum em clínicas sofisticadas, voltadas aos humanos, agora está também disponível aos bichos. A proposta é ousada mas, garante a coordenação do curso de Veterinária da Uniguaçu, bem acessível. O modelo é jovem, tem cerca de três anos na instituição, e já contabiliza bons resultados nos testes e tratamentos aplicados em animais assistidos pela unidade.

Ontem, a prova prática de que a intervenção pode ter sucesso, foi tema da segunda edição da Amostra de Trabalhos do Curso de Medicina Veterinária. O evento apresentou os resultados do tratamento através do uso e aplicação da Medicina Holística. “A medicina vem se transformando em várias áreas e as terapias holísticas ocupam áreas de destaque. Precisamos criar esse diferencial, para que os alunos conheçam algo além. A busca de alternativas é algo fantástico”, elogiou o coordenador do curso, João Estevão Sebben.

projetoanimal-uniguaçu-evento2Resultados mais sensíveis puderam ser vistos de perto durante a Amostra. Foi o caso, por exemplo, da pequena Nani, uma cadela de pouco mais de dois anos. Segundo os acadêmicos, o animal estava no Koala, vivendo dentro de uma gaiola para pássaros. Uma das patas ficou atrofiada e o corpo bastante debilitado, tanto em movimento quanto em força.

Em dois meses de trabalho intenso, o grupo de estudantes que adotou o caso, garantiu a recuperação do animal. “Eles até cozinharam. Deram suporte primeiro para o sistema imunológico do animal para só então começar o tratamento”, sorri a professora Cláudia Vieira Rocha, veterinária e especialista em Medicina Chinesa e Fisioterapia, ambos para animais.

Cláudia, autora das novas técnicas na Uniguaçu, vibra com o resultado da intervenção dos alunos. Para ela, garante, é difícil escolher o melhor trabalho ou o mais surpreendente. “Estão todos ótimos mas o melhor de tudo é o que alunos se preocuparam com o bem estar dos bichos. Isso é o que é importante”, sorri.

Tratamento de hiperatividade

projetoanimal-uniguaçu-evento3Paralelo aos efeitos positivos nos animais, o trabalho desenvolvido pelo acadêmico Nésio Medeiros foi além. Ele ousou ao trabalhar com Bruno, um menino hiperativo com medo de cachorro. Para ajudar o garoto, Medeiros apostou justamente no animal que então causava arrepios ao menino. Maia foi mais que cobaia: foi a cura para o menino cheio de arrepios e reações diante de um único latido. “O Bruno ficou muito mais calmo. Ele tinha pavor de cães e agora está muito melhor”, comemora a mãe Janaina.

Conforme Medeiros, o trabalho não terminou mas já está longe das dificuldades encontradas no começo. “Quando precisei adaptar o Bruno com o cachorro”, lembra. Ontem, durante a Amostra, Bruno e o cachorro estavam próximos, ambos, sem qualquer medo um do outro.

Saiba mais

O site www.uniguacu.edu.br e o telefone 3524-5960 estão disponíveis para outras informações.

Sobre os trabalhos da amostra

O resultado mostrado no evento realizado ontem é fruto de pesquisa e ações desenvolvidas no segundo semestre. Ao todo, 84 alunos, todos do oitavo período do curso, trabalharam em grupos e apresentaram 24 resultados. Cavalos, cachorros – a maioria do Koala – e suínos participaram do tratamento. Fabiana Forte, protetora de animais independente e defensora da causa, visitou a mostra e saiu satisfeita com o que viu. “A gente acompanhou os animais como estavam e agora, ver eles assim, é impressionante. A evolução é muito grande”, elogiou.

Tratamento disponível para a comunidade

Como já mostrou O Comércio em setembro, o tratamento com as técnicas alternativas pode ser acessado pela comunidade. O serviço de reabilitação está disponível no Hospital Veterinário da Uniguaçu. Conforme o programa, cada sessão, independente da técnica, custa R$ 15. A espera nas filas existe mas não é tão longa.

Além da comunidade, a instituição também recebe animais de rua e silvestres. Mais recentemente, adotou os cães do Koala – ONG interditado à pedido do Ministério Público local – que também passaram pelo processo de reabilitação.

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