Por Mariana Honesko

Depois de semanas debruçados sobre a história de Cristo e de muito trabalho para acertar os passos das obras, os artistas plásticos Carlos Kussik e Roque Correa, ambos de Porto União, dormiram e acordaram descansados. Na manhã de ontem, a Via Sacra assinada por eles foi entregue à comunidade.
No alto do Morro da Cruz, cartão-postal da cidade, uma breve cerimônia marcou a estreia das estações e o pontapé do projeto que, a curto prazo, envolve todo o Parque Monge João Maria em uma aposta da prefeitura no fomento do turismo religioso. “Esperamos que a população valorize o trabalho e que o divulgue. É uma importante obra para a economia, que através do turismo religioso, pode crescer muito mais”, disse o secretário de Cultura, José Carlos Gonçalves. Em sintonia com essa aposta, o vice-prefeito, Aloísio Salvatti, também tem no turismo religioso a certeza de mais desenvolvimento local. “É uma indústria grande, que não gera tantos empregos diretos mas de maneira indireta, movimenta muito mais”, sinalizou.
A construção da Via Sacra, em suas 15 estações, é custeada com recursos próprios. Conforme o prefeito Anízio de Souza, a partir da obra, os próximos passos de execução do projeto serão dados. Está na lista, para início logo após as eleições, a construção do mirante. “A Via Sacra era um sonho nosso e o que vemos aqui é algo de muita qualidade”, sorriu. O mirante, de acordo com o projeto, deve ter formato de cruz com visão panorâmica de toda a cidade. “Será possível ver a cidade daqui de cima e do centro, por exemplo, enxergar o Cristo. Ele será suspenso alguns metros e iluminado”, revelou o prefeito.
Via Sacra

São 15 grandes totens instalados na parte mais alta do morro da Cruz. Para visualizá-los, basta acessar a Rua Theodoro Kroetz, no centro. As peças estão na área pavimentada da via. Conforme os artistas plásticos, que pela primeira vez trabalharam juntos, o trabalho artístico não foi fácil: além de mais de 120 dias de dedicação, ele consumiu muitas horas de estudo, leitura e releitura.
O resultado convence. As estações foram modeladas em argila e mais tarde, montadas em formas de gesso. Só depois foram concretadas e, apenas mais tarde, levadas até seu destino final. No alto do morro, as peças receberam tons de bronze e acabamento. “Era um sonho. Queríamos muito deixar nosso trabalho e nosso nome escritos”, disse Correa. “Agradeço muito a oportunidade de fazer o projeto. Agradeço também quem acreditou na gente”, completou Kussik.
Projeto turístico
O projeto de reestruturação do Parque Monge João Maria é audacioso e valoriza a expressão de santidade que a comunidade devota ao Monge João Maria. A proposta une grutas, trilhas, poços e religião em um mesmo circuito.