Por Mariana Honesko

A ideia é ousada, inovadora e um desafio para os artistas Roque Correa e Carlos Kussik. Os dois trabalham na produção dos 15 painéis que vão compor a Via Sacra. Prontos, eles serão colocados no alto do Morro da Cruz, em Porto União, encerrando o projeto de revitalização para o endereço.
O primeiro painel está praticamente pronto. No ateliê de Kussik, a obra impressiona. Não é para menos: o efeito produzido pelo baixo relevo faz os personagens e gestos saltarem da tela. Todos os traços, feitos em cimento, parecem ter vida própria. A intenção, confirmam os artistas, era justamente essa. “Estou muito feliz com o resultado”, sorri Kussik, referindo-se especialmente à composição que deu profundidade na cena. Ele também se mostra satisfeito com a parceria com Correia. “Deu certo. Um ajuda e corrige o outro”, diz.
A Via Sacra que ficará em um dos cartões-postais mais bonitos de Porto União passou por uma releitura. Os traços são frutos de um estudo de Kussik e Correa, que estiveram debruçados sobre a história de Cristo por várias semanas. O resultado é nítido. “A pintura dispensa qualquer legenda, explicação”, comenta Correia. A técnica experimental deixa os traços quase em 3D. Na imagem de Cristo, o sofrimento esbarra na realidade.
Parque João Maria
O projeto de revitalização é liderado pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo. Ele valoriza a expressão de santidade da comunidade devota ao Monge João Maria. Santo para os fiéis, o profeta tem parte de sua história contada no alto do Morro da Cruz. Portanto, o cenário que já agrada, deve ficar melhor ainda.
As ações envolvem o asfaltamento da Rua Theodoro Kroetz, que dá acesso ao ponto mais alto do morro, construção de calçadas e da Via Sacra. Já no alto, haverá calçamento e um mirante especial, que permite observações das Cidades Irmãs em até 180 graus. A cruz permanece intocável. A imagem do Cristo, por outro lado, ganha dimensão. Ela será suspensa em cinco metros.
O circuito começa no Parque Monge João Maria. Quem estiver no morro vai poder acessar o local percorrendo a mata fechada. Hoje, os caminhos são estreitos, feitos com simplicidade. Com o projeto, os 200 metros de extensão ganharão iluminação e acessibilidade. A previsão é de que até a Páscoa, parte das obras esteja concluída.