NOVOS HORIZONTES: Parque de Exposições poderá ser recuperado

Conforme a prefeitura, Edital para contratação de empresas interessados no uso do espaço da popular ‘Fricesp’ será aberto ainda este mês

(Foto:  Arquivo).
(Foto: Arquivo).

De joelhos, ele plantou grama. Em pé, organizou edições memoráveis. Rubens Konell Filho, médico veterinário e ex-secretário da Agricultura na gestão de Fernando Bohrer, Airton Roveda e Hussein Bakri, poderia ser também promotor de eventos. É que foi sob seu comando que por anos, a famosa Feira Regional da Indústria, Comércio e Serviços Públicos (Fricesp) foi realizada.

O evento foi idealizado nos anos 80, viveu o ápice no final daquela década (Chitãozinho e Xororó, em início de careira, fizeram historia durante sua apresentação) e até pouco depois dos anos 2000, foi assinada com maestria. Deu tão certo que poucos sabem que Parque de Exposições Jayme Ernesto Bertaso é o nome oficial do imóvel. A Fricesp se apoderou da identidade do lugar, tamanha sua dimensão e impacto. Não era para menos. A Feira reunia opções para todos: música, artesanato, comida típica, leiloes de gado.

“A história é longa. São 30 anos de feiras, dez Fricesps, 15 feiras de Pratos Típicos, 27 feiras de gado geral, 12 Exposições Agropecuária”, contabiliza Rubens. O veterinário foi uma das pessoas mais envolvidas com o projeto, desde o começo, ainda em 1983. “Acompanhei tudo, desde a compra do terreno até a terraplanagem, a instalação de tudo isso”, conta.

Fricesp: era realizada todos anos, com exposição de máquinas agrícolas, artesanato e produtos regionais – portas e janelas, por exemplo. (Foto: Rubens Konell Filho).
Fricesp: era realizada todos anos, com exposição de máquinas agrícolas, artesanato e produtos regionais – portas e janelas, por exemplo. (Foto: Rubens Konell Filho).

Ao seu lado, atuaram também Hilário Clivatti e a empresária, Maria Salete Rodrigues de Mello. As mulheres da área comercial da cidade, também capitanearam e abraçaram a ideia: foram elas a fomentadora da primeira edição da Fricesp, ainda longe do parque. Aos poucos, nascia uma agenda importante de eventos, capaz de atrair milhares de pessoas até a BR 153, no Km 453, em União da Vitória.

(Foto: Rubens Konell Filho).
(Foto: Rubens Konell Filho).

Rubens assinou ainda a criação de um evento paralelo, dentro da Fricesp: a Feira de Pratos Típicos.

“Quando a gente realizava a Feira de Gado, não tinha refeição e as pessoas reclamavam. Convidei as entidades filantrópicas da cidade e elas concordam em participar, fazendo suas cozinhas. Isso ajudava na arrecadação de recursos. A Feira de Pratos Típicos acontecia no domingo, onde eram servidas mais de duas mil refeições”, explica.

(Foto: Rubens Konell Filho).
(Foto: Rubens Konell Filho).

As lembranças de Rubens e de quem viveu a organização dos eventos ou participou de um deles, talvez fiquem apenas assim, na memória. A boa noticia, no entando, é de que um edital para a recepção de empresa interessada em partes do imóvel deve ser aberto ainda neste mês.

Conforme o prefeito Santin Roveda, a proposta é de uma concessão de uso de 15 anos, com possibilidade de renovação por outros 15. Embora a abertura do processo já tivesse sido anunciada em 2015 e em 2019, e estudada desde 2012, dessa vez, a concretização dela parece realmente que vai sair do papel.

“Já temos empresas até da nossa cidade interessadas no investimento, retirando o Edital na prefeitura”, comentou o vice-prefeito, Bachir Abbas durante uma reunião sobre o Plano Diretor.

(Foto: Arquivo).
(Foto: Arquivo).

Curiosamente, em dezembro de 2018, o médium Luiz Carlos de Lara, que tem uma carreira espiritual há mais de 20 anos, recorrendo aos búzios para fazer as previsões para o ano de 2019, falou sobre o Parque. Entre muitas previsões, uma frase sobre a Fricesp gerou expectativas: “Os búzios mostram ainda uma possível reabertura do antigo Parque de Exposições Jayme Ernesto Bertaso, a popular ‘Fricesp’, que está em ruínas”, disse o médium.

Talvez o médium tenha errado apenas a data, mas pode ter acertado no conteúdo da informação.

Abandono

As condições do parque têm chamado a atenção da comunidade e preocupada as autoridades especialmente desde 2013. Em 2014, por exemplo, quando O Comércio mostrou o assunto, moradores do Jardim Roseira, bairro onde está o empreendimento, denunciaram o lançamento clandestino de lixo na estrutura do parque. De fato, atrás dos pavilhões, montanhas de resíduos acumulavam-se. Restos da poda de jardins, de pequenas reformas, lixo eletrônico e vasilhames, modificavam a paisagem do complexo,  em 2017, um dos galpões do Parque chegou a ser incendiado. Não houve vitimas na ocasião.

(Foto: Arquivo).
(Foto: Arquivo).

A precariedade não impacta apenas o visual. O mau cheiro ainda é uma constante e é fruto da presença, também clandestina, de moradores eventuais. Há marca da presença de vândalos em todos os lados: os vidros das janelas e portas estão quebrados, escadarias exalam sujeira, os banheiros revelam-se depredados e as paredes, pichadas. O que não teve intervenção humana amarga os efeitos do tempo. Alguns boxes externos expõem sua fragilidade: muitos estão com o telhado cobertos e tem pilares, em madeira, soltos.

Como levantou em 2014 outra reportagem do jornal, a prefeitura é a responsável pelo imóvel. Na ocasião, a equipe da secretaria de Turismo afirmava que o parque não estava abandono, mas que está como está, por conta da ação do tempo e da falta de manutenção. O abrigo em várias ocasiões das famílias flageladas pelas enchentes e todo o processo que isso demanda, também acelerou o processo de deterioração.

(Foto: Arquivo).
(Foto: Arquivo).

No momento, conforme a assessoria de comunicação da Prefeitura, a Secretaria de Obras funciona em parte do imóvel. Ela seguirá lá, mesmo após uma possível intervenção industrial.

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