A comunidade indígena Avá Guarani da aldeia Aty Mirĩ, em Itaipulândia, realizou uma despesca parcial em tanques elevados de piscicultura comunitária. A ação garantiu cerca de 250 quilos de peixes para a alimentação de aproximadamente 70 famílias, fortalecendo a piscicultura sustentável Avá Guarani e a segurança alimentar local.
A atividade integra o projeto Opaná: Chão Indígena, desenvolvido em parceria entre a Fundação Luterana de Diaconia (FLD) e a Itaipu Binacional. O modelo produtivo prioriza autonomia comunitária, baixo consumo de água e redução de impactos ambientais.
Manejo comunitário e valor cultural
O cacique Natalino Almeida destacou o significado coletivo da despesca. Para a comunidade, o pirá (peixe, em Guarani) tem valor simbólico e cultural. A produção própria de alimento representa um avanço concreto da piscicultura sustentável Avá Guarani no território.
Técnica sustentável e continuidade da produção
A despesca parcial utiliza rede de arrasto para separar peixes por tamanho. Nesta etapa, cerca de 700 peixes maiores foram distribuídos à comunidade, enquanto os menores retornaram aos tanques para seguir o ciclo de crescimento — prática que assegura produção contínua e manejo responsável.
Cada sistema conta com quatro tanques de cultivo e um reservatório, operando com baixa renovação de água. O ciclo varia de quatro a doze meses, conforme a espécie, respeitando critérios técnicos e ambientais da piscicultura sustentável Avá Guarani.
Espécies e soberania alimentar
As espécies foram definidas em diálogo com a comunidade e incluem jundiá, lambari, tilápia e carpa-capim (em consórcio). Segundo a coordenação do projeto, a metodologia integra conhecimentos tradicionais e técnicas modernas, ampliando a soberania alimentar e a autonomia produtiva.
O projeto Opaná: Chão Indígena atende mais de 970 famílias Guarani no oeste e litoral do Paraná e também promove ações de educação antirracista junto à população não indígena.





