Produção de tilápia em Itaipu avança com entrega de estudos ao Itamaraty

Produção de tilápia em Itaipu depende de avaliação ambiental e diplomática após lei aprovada no Paraguai

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Atualizado há 3 semanas

A produção de tilápia em Itaipu deu mais um passo nesta terça-feira (3) com a entrega de estudos técnicos ao Ministério das Relações Exteriores. O diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional, Enio Verri, apresentou a documentação à secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, em reunião realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

O material foi elaborado por um grupo de trabalho binacional e reúne estudos de viabilidade ambiental e jurídica para o cultivo de tilápia no reservatório da usina, além de um pedido formal de esclarecimentos ao Itamaraty após a aprovação de legislação específica no Paraguai.

Lei paraguaia impulsiona análises no Brasil

Segundo Enio Verri, a produção de tilápia em Itaipu encontra-se em fase avançada de avaliação. A recente aprovação de lei no Paraguai, autorizando o cultivo de espécies exóticas, exige agora a análise conjunta do Itamaraty e dos ministérios brasileiros da Pesca e do Meio Ambiente.

“A partir dessa concordância, poderemos adotar uma política de fomento à produção de tilápia, conforme determinação do presidente Lula”, afirmou o diretor-geral da Itaipu.

Em dezembro de 2025, o presidente paraguaio Santiago Peña sancionou a Lei nº 7.618/2025, que cria regras para o licenciamento ambiental do cultivo e da comercialização de espécies exóticas em corpos d’água fechados e semiabertos. O Senado do Paraguai entendeu que a produção em tanques-rede não fere o Tratado de Itaipu.

Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional
Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

Impacto econômico e social

A embaixadora Gisela Maria Figueiredo Padovan destacou que a iniciativa pode gerar benefícios aos dois países, com potencial de desenvolvimento regional. A tilápia é uma proteína de alto valor nutricional e custo acessível, amplamente consumida no Brasil, mas ainda pouco presente na dieta paraguaia.

A produção de tilápia em Itaipu também pode fortalecer cooperativas e associações de pescadores dos dois lados da fronteira, além de atender à crescente demanda internacional por pescado.

Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional
Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional

Pesquisas e potencial produtivo

Atualmente, o reservatório já conta com tanques-rede experimentais utilizados em pesquisas científicas sobre a ictiofauna. Os peixes produzidos nesses projetos são doados a comunidades indígenas da região lindeira, contribuindo para a segurança alimentar.

Estimativas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico apontam que o reservatório de Itaipu tem capacidade de suporte para cerca de 400 mil toneladas de pescado por ano, sendo 200 mil toneladas para cada país. No Brasil, esse volume pode quase dobrar a atual produção nacional de tilápias em águas da União e gerar cerca de 12,5 mil empregos diretos e indiretos.

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