
(Foto: Arquivo/JOC).
Em Santa Catarina, o martelo foi batido. A Assembleia Legislativa aprovou na terça-feira passada, 17, o projeto de lei que obriga os estabelecimentos a usar o canudo biodegradável ou semelhante, em detrimento ao produto de plástico. Caso seja sancionada pelo governador Carlos Moisés, a iniciativa afetaria hotéis, clubes, padarias, bares, lanchonetes e vendedores ambulantes de bebidas. O prazo de transição para a mudança é de 365 dias.
No Estado, medidas municipais se antecipam. São Francisco do Sul, por exemplo, está com a lei em vigor desde o dia 1º de janeiro. Em Joinville, a medida vigorou no início deste mês e em Balneário Camboriú, a Câmara de Vereadores também chegou a aprovar uma medida semelhante. Além dos canudos, o projeto prevê que guardanapos e os palitos de dente fornecidos pelos estabelecimentos estejam embalados em material biodegradável ou reciclável.
No Paraná, o fim do uso de canudos de plástico no Estado, está na pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP). A iniciativa tem a coautoria dos deputados Jonas Guimarães (PSB), Paulo Litro (PSDB) e Emerson Bacil (PSL). A proposta obriga os estabelecimentos comerciais a utilizarem canudos fabricados com produtos biodegradáveis ou similares no estado.
Na justificativa, os autores salientam que o projeto é um passo importante para conter a “dependência desse produto contribuindo com mudanças nas atitudes uso do consumidor”. “Em geral, a vida útil de um canudinho é de apenas quatro minutos, mas ele fica no meio ambiente por centena de anos”, descreve parte do documento.
No Brasil, a discussão sobre proibir o uso do canudo, vem crescendo – e acontecendo – em todos os Estados. O Rio de Janeiro foi a primeira cidade brasileira a ter uma lei proibindo o uso de canudos de plástico.
Mudanças e impacto
Em todo o Brasil, banir o consumo de canudos de plástico vem se estabelecendo como uma tendência. O acessório se tornou a “porta de entrada” para discussões mais profundas e por ser um item de consumo diário, ganha este apelo.
Dados publicados na revista científica Science em 2015, apontam que a humanidade gera um total de 275 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano – e um valor entre 4,8 milhões e 12,7 milhões de toneladas chega aos oceanos. A expectativa dos ativistas é que, ao chamar a discussão para os canudos plásticos, os consumidores se conscientizem e deixem de utilizar outros materiais de uso único, como sacolas e garrafas – que são responsáveis por índices de poluição maiores.
Se vão para oceanos, os resíduos plásticos são danosos para a vida animal. Um estudo concluído recentemente descobriu ainda que o lixo plástico pode aumentar a imunidade de corais a doenças, causando sérios danos. Em escala global, os canudos plásticos representam cerca de 0,03% dos resíduos desse tipo de material, informou a Bloomberg. Segundo o Relatório de Limpeza Costeira de 2017 da Ocean Conservancy, o lixo mais comum encontrado nas praias são os cigarros, seguidos por garrafas plásticas, tampas de garrafas, envoltórios e sacolas.
Canudinho desaparecido
No Vale do Iguaçu, o material já é encontrado com menos facilidade. Alguns endereços vêm aderindo ao movimento, ora por simplesmente excluir a disposição do canudo de plástico, ora por ter o material em versões biodegradáveis, por exemplo.
Alguns endereços, por exemplo, já dispõem de canudos de aço, que podem ser reaproveitados e carregados com um kit, na bolsa. Eles custam, em média, R$ 30. Lojas que vendem produtos importados, acompanhando essa onda de migração, vem divulgando com mais intensidade que o produto existe e está disponível.
Quem criou o canudinho?
De acordo com o portal IG, Marvin Stone, dono de uma fábrica de piteiras de papel nos Estados Unidos, costumava descer o quarteirão para tomar seu drinque habitual depois do expediente. Era uma bebida feita de uísque, açúcar e menta, chamada mint julep, que precisava estar sempre bem gelada. Por isso, as pessoas costumavam bebê-la através de canudos naturais de capim, para que suas mãos não tocassem o copo. Longe de ser algo satisfatório, o material passou a ser substituído pelos canudos artificiais de papel.
Em 1888, Stone fez vários desses canudos e deixou-os com o barman da taverna para seu uso pessoal. A limonada era outra bebida muito popular naquele tempo e Stone pensou que as pessoas também gostariam de bebê-la da mesma forma. Assim, ele projetou um canudo de papel de 20 centímetros, com um diâmetro suficiente para impedir que sementes de limão bloqueassem o tubo. Reconhecendo o interesse da comunidade por sua invenção, Stone colocou a maior parte de seus empregados para enrolar canudos. Nascia ali o protótipo dos canudinhos de plástico que se conhecem hoje. Stone inventou também o apontador de lápis e o suporte de caneta tinteiro.