Jaguatirica resgatada em Porto União pode ter sido criada em cativeiro

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Atualizado há 3 meses

A Polícia Militar Ambiental de Porto União resgatou um filhote crescido de jaguatirica (Leopardus pardalis) após ser acionada por um morador que encontrou o animal dentro de sua residência, na localidade de Santa Cruz do Timbó, interior do município.

Apesar de não apresentar ferimentos graves, o felino demonstrava sinais claros de já ter passado por manejo humano — um indicativo de que pode ter sido mantido ilegalmente em cativeiro.

Segundo a PM Ambiental, o animal foi encaminhado na tarde desta terça-feira, 9, para uma clínica veterinária conveniada em Rio Negrinho (SC), onde deve permanecer em avaliação e tratamento.

A expectativa é que, após acompanhamento especializado, o felino possa iniciar um processo de reabilitação até que esteja apto a retornar ao habitat natural.

Veterinário alerta: manter animais silvestres em casa é crime e prejudica a recuperação

O médico-veterinário Stanley Viliczinski, especialista em fauna silvestre e credenciado pelo IMA-SC, fez uma avaliação preliminar e confirmou que o filhote — um macho, já quase do tamanho de um adulto — apresenta evidências de contato prolongado com humanos.

“Esse animal se trata de um jovenzinho de jaguatirica. Infelizmente, está com traços de animal que vinha sendo mantido em cativeiro, o que não pode, é proibido e configura crime ambiental. Agora ele precisará passar por um processo longo e demorado de reabilitação.”, explicou.

O profissional reforça que o vínculo criado com seres humanos dificulta muito o retorno desses animais à vida selvagem, já que eles perdem habilidades essenciais de caça, defesa e sobrevivência.

Ele também fez um alerta importante à população:

Ao encontrar filhotes de fauna silvestre, normalmente os pais estão por perto. Não é para retirar o animal do local. Em caso de extrema necessidade, a orientação é acionar imediatamente a Polícia Ambiental, que fará o encaminhamento correto. Jamais tentar criar em casa.

Período de adaptação varia para cada animal

Sobre o tempo necessário para reabilitação e possível soltura, Viliczinski destaca que não existe prazo definido:

Tudo depende de cada indivíduo. Alguns voltam rápido para a natureza, outros demoram, e alguns não conseguem retornar. Nestes casos, são encaminhados para mantenedouros de fauna ou zoológicos. Essa avaliação é feita pelas equipes do IMA e do Cetas/SC.”

Caso reforça importância da denúncia

A Polícia Ambiental orienta que qualquer informação sobre a possível captura ou manutenção ilegal de animais silvestres deve ser comunicada imediatamente.

Criar espécies nativas em casa, além de crime ambiental, compromete permanentemente a saúde física e comportamental dos animais.

Conheça a jaguatirica (Leopardus pardalis)

A jaguatirica é um felino de porte médio, muito ágil, solitário e típico de áreas de mata fechada. No Brasil, está presente em biomas como Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Amazônia.

Divulgação

Principais características:

  • Tamanho: entre 40 e 55 cm de altura e podendo chegar a 18 kg.

  • Pelagem marcante: amarelo-ocre com rosetas e listras escuras — uma das marcas mais bonitas entre os felinos brasileiros.

  • Comportamento: noturno, silencioso e territorialista; raramente entra em contato com humanos.

  • Alimentação: pequenos mamíferos, aves, répteis e anfíbios.

  • Importância ecológica: controla populações de roedores e mantém o equilíbrio ambiental.

  • Status de conservação: apesar de não estar entre as espécies mais ameaçadas, sofre com caça, atropelamentos e perda de habitat.

A jaguatirica nunca deve ser criada em casa — além de ilegal, isso causa danos emocionais e comportamentais que podem impedir o retorno à natureza.

Filhote de Jaguatirica com sinais de domesticação foi resgatada em Porto União