Seca altera o nível do Rio Iguaçu e pedras ficam visíveis

Profundidade da água próximo a Ponte de Ferro chama a atenção dos moradores. Até às 18 horas, o nível estava em 1,40 m

(Foto: Jaqueline Castaldon).
(Foto: Jaqueline Castaldon).

Os moradores do Vale do Iguaçu visualizam um cenário um tanto quanto assustador. O nível do Rio Iguaçu está baixo e é possível ver o fundo próximo a Ponte Machado da Costa, a Ponte de Ferro.

A falta de chuva no mês de março alterou o nível do Rio e chama a atenção dos moradores. Em fotos tiradas próximo a ponte Domício Scaramella – nesta semana, é possível reparar o cenário.

Visão da Ponte Domício Scaramella. (Foto: Jaqueline Castaldon).
Visão da Ponte Domício Scaramella. (Foto: Jaqueline Castaldon).

O gerente da Sanepar em União da Vitória, Bolívar Luiz Menoncin Junior, comenta que a situação é preocupante, pois a espuma sumiu e as pedras ressurgiram. O nível da água caiu bastante da semana passada para esta.

A mãe natureza deve estar triste.

“Na semana passada já obtivemos um bom respaldo da população; o trabalho acontece dentro do previsto. Em razão do isolamento social muitos estão em casa e nos parece que estão se limitando ao uso da água apenas para os serviços essenciais. Porém, a estiagem está cada vez pior”, diz.

(Foto: Edilson Barbosa Barbosa/leitor do Portal Vvale)
(Foto: Edilson Barbosa Barbosa/leitor do Portal Vvale)

O gerente explica que Rio apresenta lentidão em sua vazão quando chega a 1,50m.

“Com 1,40m / 1,30, ainda conseguimos fazer a captação da água; mas e depois?”.

A Sanepar pede que a população utilize água de maneira racional, evitando desperdícios.


Por outro lado, muitos cientistas acreditam origem da estiagem pode estar nas mudanças climáticas. O pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Eduardo Assad, estuda o clima há 25 anos. Para ele, a seca prolongada pode estar ligada ao aquecimento global.


(Foto: Edilson Barbosa Barbosa/leitor do portal Vvale).
(Foto: Edilson Barbosa Barbosa/leitor do portal Vvale).

Estiagem

De acordo com a Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural e a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), a falta de chuvas ainda não traz prejuízos para as lavouras de Santa Catarina, porém o setor se mantém em alerta.

No dia 11 de março, lideranças do setor produtivo e técnico estiveram reunidos – por videoconferência, para discutir os impactos da estiagem no meio rural. Até o momento, as lavouras de Santa Catarina se desenvolvem normalmente, com atrasos no plantio de algumas culturas, mas não há previsão de queda na produção ou perda de qualidade na safra de verão.

“A Epagri vem monitorando a situação meteorológica, hidrológica e também as safras em Santa Catarina. E nós queremos criar um ambiente para discutirmos essas informações, auxiliando o produtor na tomada de decisões. Nossa intenção é minimizar os impactos da estiagem no meio rural catarinense e tranquilizar a população”, destaca o secretário da Agricultura, Ricardo de Gouvêa.

(Foto: Jaqueline Castaldon).
(Foto: Jaqueline Castaldon).

Impactos na agricultura

As chuvas abaixo da média histórica causam um atraso no plantio de algumas culturas, como tomate, batata, milho silagem, fumo e soja, segundo informações do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa).

“Estamos em plena janela de plantio para as culturas da safra de verão e a situação ainda está normal para a agricultura, porém a estiagem prolongada já traz preocupações ao setor. Até o momento não existem registros de prejuízos ou perdas, caso as chuvas voltem, ainda há tempo para a situação no campo se normalizar”, explica o analista da Epagri/Cepa, João Rogério Alves.

A maior preocupação é o abastecimento de água para o consumo animal, principalmente nas granjas de suínos e aves.


No Paraná

A seca afetou lavouras de milho safrinha no Paraná, especialmente em regiões que plantam mais tarde. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as lavouras cultivadas mais antecipadamente estão em boas condições e pouco podem ser prejudicadas pela estiagem ou mesmo por geadas.

No Paraná, a colheita de milho safrinha alcançou 7,8% dos 987,5 mil hectares plantados, segundo o Departamento de Economia Rural, do governo do estado. O ritmo é praticamente igual ao de 2005, mas com uma área 36,3% maior. A produção está estimada em 3,35 milhões de toneladas.

O preço do grão no mercado de lotes acumula alta de 1,5% neste mês (até o dia 19). No mercado de balcão, a valorização é de pouco mais de 2% no mesmo período.

Fotos: Jaqueline Castaldon e Edilson Barbosa Barbosa/leitor do portal Vvale

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