Crise na Sanepar não é herança de isenção de tarifas, mas resultado de má gestão

Em material distribuído pela ADIPR – Associação dos Jornais e Portais do Paraná, e reproduzido em diversos veículos e blogs, entre eles, o do jornalista Marc Sousa, da RIC, a Agência Reguladora do Paraná, Agepar, – criou uma nova desculpa para justificar os sucessivos aumentos nas contas de água da população paranaense. Depois de 12 anos fora do Palácio Iguaçu, o meu governo voltou a ser apontado como o principal culpado pelos aumentos nas tarifas, o que o povo do Paraná sabe bem, que não é verdade.

Além de não abordar os aspectos técnicos, nem observar o conjunto da realidade da década passada, a reportagem omite uma análise mais apurada, que envolve pilares endógenos e exógenos da administração pública, tanto estadual como federal.

Herdamos em 2002 uma posição política e econômica deficitária, que refletiam diretamente nas principais empresas estatais. No período mencionado da matéria, ou seja de 2003 a 2010, anos de recuperação na nossa economia estadual, social e políticas públicas, buscou-se uma unidade na visão do todo, com inúmeros programas aplicados pensando na retomada do desenvolvimento regional, com tarifas justas aos consumidores. E ainda assim, as estatais deram lucro. As contas foram todas deixadas em dia, mas vieram novos governos que pensavam diferente, primando pelo lucro de acionistas ao invés da preocupação com as pessoas, com as famílias.

Como governador, preferi neutralizar os efeitos dos aumentos de inflação, concedendo o seu exato valor como um desconto aos bons pagadores, incentivando a pontualidade aqueles que tinham alguma conta de luz em atraso – e que eram muitos. O governo do Paraná em nossa gestão, procurou uma posição híbrida, tanto nas tarifas de energia, como na água, lançou o maior programa de retorno, financiamento da nossa economia, com tarifas justas, sem sofrer o rigor da reposição pelos índices inflacionários galopantes, dando à oportunidade a geração de emprego, uma luz no fundo do túnel para gerar oportunidades de trabalho e renda.

Naquele momento, ponderando todos os aspectos, foi o caminho encontrado para a retomada da recuperação do crescimento do nosso Paraná. E deu certo! Não há herança deixada! Só se for a da lembrança de um tempo onde se tinha comida na mesa, dinheiro no bolso para abrir um negócio, gerar emprego e renda para a população. É dessa época que se tem saudade!

Ganhou o Paraná, que manteve a economia em atividade – preservando os empregos existentes – e incentivou seu crescimento – criando novos postos de trabalho. Mas, sobretudo ganharam os paranaenses, que pagam por um serviço reconhecidamente de excelência, premiado internacionalmente, a menor tarifa de energia elétrica do Brasil.

A verdade é que não há saída para a crise econômica sem investimento público e estamos indo no sentido contrário. Esperamos que as pessoas possam compreender com mais nitidez e clareza que os tempos são outros no Paraná, porque o compromisso maior de um governo deve ser o bem estar da população, e não só com os índices de lucratividade de suas empresas.

 

Roberto Requião
Pré-candidato ao governo do Paraná

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