Governo e caminhoneiros grevistas não se entendem e greve continua

Governo chegou a divulgar que fechou acordo com caminhoneiros e que protesto será suspenso por 15 dias

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Atualizado há 8 anos

movimento (4)Pelo 5º dia seguido, caminhoneiros fazem manifestações 15 estados e no Distrito Federal. Os atos desta sexta-feira, 25,  dão continuidade à mobilização contra a disparada do preço do diesel, que faz parte da política de preços da Petrobras em vigor desde julho de 2017.

Na noite desta quinta-feira, 24, o governo federal e representantes de caminhoneiros anunciaram proposta para suspender a greve por 15 dias.

Após uma reunião de mais de seis horas com representantes de entidades de caminhoneiros, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Carlos Marun (Secretaria de Governo), Eduardo Guardia (Fazenda) e Valter Casimiro (Transportes) anunciaram a proposta do governo de um acordo para a suspensão da paralisação da categoria, que há quatro dias provoca bloqueios de rodovias e desabastecimento em todo o país.

Os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Carlos Marun (Secretaria de Governo), Eduardo Guardia (Fazenda) e Valter Casimiro (Transportes) assumem os compromissos de zerar o Cide e fazer com que a Petrobrás mantenha a redução de 10% no valor do diesel nas refinarias durante 30 dias.

PROTESTO (8)Pelo texto do acordo, os representantes das entidades de caminhoneiros que ficaram até o final da reunião se comprometeram (à exceção de um) a “apresentar aos manifestantes” os termos do acordo. No entanto nenhum dos representantes se comprometeu em encerrar a greve.

O presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, disse que vai repassar à categoria o acordo firmado com o governo para definir o fim da greve. “A categoria vai analisar, e o entendimento é deles, se isso foi suficiente para eles ou não”, declarou. Ele também disse que não pode “dimensionar” quanto tempo levará para o movimento ser desmobilizado.

Autônomos desqualificam  sindicatos

Como o movimento grevista é na esmagadora maioria composta de caminhoneiros e carreteiros autônomos, ou seja, de profissionais donos de seus próprios caminhões, os sindicatos que representaram a categoria na reunião foram desqualificados.

PROTESTO (6)De norte a sul do país, os caminhoneiros dizem que a greve não vai terminar enquanto não houver a diminuição do preço dos combustíveis e uma política de contenção dos preços dos combustíveis.

O representante da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, negou o acordo proposto pelo governo de suspender a paralisação por um período entre 15 dias a um mês enquanto o governo continua trabalhando para reduzir o preço do diesel.

A Abcam, que representa 700 mil caminhoneiros, com 600 sindicatos espalhados pelo País, quer continuar com a manifestação até a isenção de impostos se transformar em lei.

Lopes disse que outros líderes da categoria se mostraram receptivos à proposta de suspender a paralisação, mas ele se recusou e deixou o local antes do fim da reunião.

Ele disse ainda que não fala em suspender a paralisação enquanto o senado não aprovara isençãodo Pis/Cofins, projeto aprovado nesta quinta pela Câmara Federal e que depende agora do Senado.

Greve no Paraná

Protesto 15Os protestos dos caminhoneiros nas rodovias do Paraná chegou ao 5º dia nesta sexta-feira (25). Eles protestam contra o aumento do diesel.

Neste início de manhã, são mais de 200 pontos de manifestações, apesar do acordo anunciado na noite desta quinta (24) para suspender paralisação por 15 dias.

A greve também continua em outros estados. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), há 69 protestos nas estradas federais.

A última atualização foi feita pela PRF à 7h39. Não há interdições totais nas rodovias federais, conforme a PRF.

Uma determinação judicial proíbe que os caminhoneiros fechem totalmente as estradas federais, sob pena de multa de R$ 100 mil por hora. A decisão é de 19 de maio.

Em Santa Catarina

Neste início de manhã, são pelo menos 105 pontos de manifestações, apesar do acordo anunciado na noite de quinta (24) para suspender paralisação por 15 dias. A greve também continua em outros estados. Foram alterados os horários da circulação de ônibus de transporte público coletivo de cidades da Grande Florianópolis, de Criciúma e Itajaí.

Trânsito, supermercados, hospitais, abastecimento de água e de alimentos, indústrias e a rede de ensino de algumas cidades estão sendo afetados. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), há 50 protestos nas estradas federais. A última atualização foi feita pela PRF à 7h39.

Situação em União da Vitória

Os caminhoneiros do movimento dos autônomos disseram que a paralisação vai continuar. O movimento não se sente representado por sindicatos e disse que o clamor pela greve nasceu da insatisfação dos autônomos, que estavam amargando prejuízos com o preço do frete e com a constante alta dos preços do óleo diesel.

De acorodo com os líderes locais do movimento, a greve não tem data e nem hora para terminar, até que as reivindicações dos caminhoneiros sejam atendidas pela Petrobrás e pelo governo federal.

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