O dia seguinte aos protestos que movimentaram mais de 300 municípios brasileiros, não foi em clima de ressaca, muito pelo contrário. A presidente Dilma Rousseff, um dos alvos de toda a manifestação, tratou de se apressar e elogiar o caráter pacífico das manifestações. “A liberdade de manifestação é própria das democracias e por todos deve ser respeitada. O caráter pacífico das manifestações ocorridas neste domingo demonstra a maturidade de um país que sabe conviver com opiniões divergentes e sabe garantir o respeito às suas leis e às instituições“, disse a Presidente da República. Dilma avaliou com nove ministros o impacto das manifestações de domingo, 13, no processo de impeachment que ela enfrenta no Congresso. O temor de pressões no Congresso Nacional disparou dentro do governo.
Já o líder do governo no Congresso Nacional, senador José Pimentel (PT-CE), afirmou ontem, após se reunir com Dilma Rousseff e ministros da coordenação política, que a petista pediu que seus auxiliares busquem dialogar com integrantes da base e da oposição no parlamento para tentar conter o processo de impeachment. O líder do governo no Congresso tentou minimizar o tom das manifestações contra o PT, dizendo que, na avaliação do Planalto, os protestos deste domingo mostraram uma “rejeição generalizada” aos políticos da base aliada e da oposição. Sobre a possibilidade de impeachment, Pimentel disse que, neste momento, o governo não tem as contas de quantos deputados votariam a favor ou contra o impeachment. Confira alguns reflexos imediatos dos protestos pelo país:
Juiz Moro
O juiz da 13ª Vara Criminal da Justiça Federal em Curitiba, Sérgio Moro, disse neste domingo ter ficado “tocado” com as homenagens que recebeu nas manifestações realizadas em várias cidades do País, que ele traduziu como mensagem de apoio às investigações da Operação Lava-Jato. Moro fez questão de repartir o êxito até o momento de um trabalho institucional robusto que envolve a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e todas as instâncias do Poder Judiciário. Sem citar investigados da Operação, Moro disse considerar importante que autoridades eleitas e os partidos ouçam a voz das ruas e se comprometam com o combate à corrupção. Nas manifestações de domingo, o juiz foi lembrado em faixas e camisetas. Em várias capitais, manifestantes levaram para as ruas bonecos e máscaras do juiz.
Pedido de Prisão de Lula
De olho no resultado das manifestações, a Justiça de São Paulo encaminhou a denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Justiça Federal, mais precisamente para as mãos do juiz Sérgio Moro, em Curitiba (PR). A informação foi confirmada na tarde de ontem pela assessoria do Tribunal de Justiça (TJ). O processo apresentado pelo Ministério Público do estado, denuncia o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e mais 15 pessoas, e pede a prisão preventiva do ex-presidente.
Oposições
As oposições comemoraram o sucesso das manifestações e prometeram partir para o ataque. Integrantes da oposição viram a grandeza das manifestações de domingo como um reforço à pressão pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. Para o coordenador de comitê Impeachment Já, deputado Mendonça Filho (DEM-PE), não é possível mais “tolerar o governo do PT”. “Para derrubar Dilma, foi preciso o povo na rua, pressão no Congresso Nacional para a gente derrubar esse governo pela via constitucional que é o impeachment”, afirmou. Já segundo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a discussão sobre o impeachment deve ser retomada nesta quinta-feira, 17. Isso porque o Supremo Tribunal Federal (STF) marcou para amanhã a análise do embargo de declaração contra a decisão que anulou a formação da comissão especial e definiu um novo rito para o processo.