*Por Daniel Baez Brizueña*

Nas últimas semanas fomos bombardeados por notícias e fatos que falam de corrução, corrupto e corruptores. Assim, por exemplo, o chamado “mensalão” voltou a marcar presença nas manchetes dos jornais de maior circulação em todo o Brasil. Muitos usam o fato do julgamento do mensalão para “silenciar” outros discursos. E alguns meios de comunicação tradicionais mais tendenciosos até arriscam a encontrar o ponto central de todos os problemas em questão.
Muitos cidadãos acreditam que a corrupção tem um preço e um valor exato. Uma quantia de dinheiro, esta por sua vez, pode ser muito ou pouco, tudo depende dos interesses em jogo. É importante, portanto, compreender que a corrupção não pode ser medida pela quantia de dinheiro empregado, para obter vantagens ou “comprar” o outro.
Mas sim, na aceitação da oferta para abandonar os próprios princípios éticos, e agora podem com certeza concordar com esta afirmação Marcos Valério, José Dirceu e outros funestos personagens que tem seus nomes marcados pelo preço da corrupção. Sem esquecer em momento algum que ainda tem cidadãos e cidadãs que não leiloam seus princípios éticos e morais. E são estes cidadãos que engrandecem a boa Política, a Política feita com honestidade, transparência e autoridade moral.
Segundo o filosofo Espanhol Fernando Savater: “os antigos gregos chamavam quem não se metia em política de idiotés, palavra que significava pessoa isolada, sem nada a oferecer às demais, obcecada pelas mesquinharias de sua casa e, afinal de contas, manipulada por todos”. E pensar que ainda hoje, esta realidade está tão viva em nossa história presente, mais ainda podemos fazer muitas mudanças. Quando o cidadão nega-se a participar da vida política, torna-se um tanto passível a ser “comprado, usado, denegrido na sua identidade cidadã” por causa da sua falta de participação na construção da sociedade, por aqueles que ostentam o fascínio do poder. Se existe corrupção é porque existe também cidadãos com pouca consciência de cidadania.
É imperativo mudar as formas de como pensamos a corrupção. Existe a corrupção ética, aquela que desvirtua o ser humano da sua própria escala de valores, o que aqui chamo de “identidade ético de honestidade”. Uma sociedade construída sem fundamentos “ético honesto” alicerçada na verdade, nos nobres ideias de Justiça, honestidade, transparência. Você caro leitor, deverá exercer o seu direito de pensar novas possibilidades.
Para muitos estas linhas podem parecer “idealistas em demasia”, mas, sem idealismo o ser humano, o homem como ser político e social não se constitui como sujeito atuante na sociedade na qual vivenciamos os frutos nefastos da corrupção.
A corrupção é marcadamente um desvio, e, por conseguinte tornou-se um “câncer” na sociedade contemporânea, sem deixar de exaltar que existem “heróis” que não consentem a este tipo de vício ou desvio em todos os campos do comportamento humano, como já mencionamos anteriormente. E isto não está somente presente no mundo da política. A corrupção é muito mais ampla, muito mais cancerígena do que podemos imaginar, porque ela desvirtua o caráter do ser humano. A corrupção é muito mais coercitiva, porque ao final de contas quando o homem perde “a identidade ética interna” corre o risco de se tornar corrupto e corruptor de si mesmo e dos outros.
A pior corrupção é aquela que corrompe os próprios ideais do ser humano. Por isso, o preço da corrupção é difícil de delimitar. O único que poderá reduzir seu efeito será a manifestação dos cidadãos com sua coragem, denunciando os atos daqueles que com sua falsa ética querem desvirtuar a consciência e a idoneidade do homem cordialmente definido na sua ética.
O julgamento do mensalão está chegando ao seu fim. Os réus foram julgados e condenados. Ainda faltam algumas burocracias judicias. Inocentes ou não, só a história poderá dizer-nos quem teve os seus direitos coagidos em nome da transparência.
Agora é importante ficar de olhos abertos, para que todos possam ajudar a construir uma sociedade mais eticamente idônea e principalmente onde o preço da corrupção já não afete nossas impressões que por vezes tornamo-nos condizente com muitas outras “corrupções que deixamos passar”, porque a gente tem medo de denunciar.
Tomará que como cidadãos e cidadãs possamos aprender a lição de que os valores éticos e o caráter não tem preço. Os valores éticos bem alicerçados exigem de todos os cidadãos e dos governantes transparência e honestidade, para que o preço da corrupção não atinja mais a realidade política do dia a dia.
Daniel Baez Brizueña é licenciado em Letras e acadêmico de Filosofia da Fafiuv