“É uma tragédia. E essa tragédia calou fundo”

Paulo Bornhausen, presidente do PSB-SC, descreveu assim a morte de Eduardo Campos

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Atualizado há 12 anos

Por Andréa Leonora – ADI-SC/CNR-SC/Central de Diários

Eduardo Campos
Eduardo Campos

O presidente do PSB de Santa Catarina, Paulo Bornhausen, candidato ao Senado na chapa “Muda Brasil, Muda Santa Catarina”, teve um breve encontro com a imprensa no início da noite de quarta-feira, 13, para comentar a morte de Eduardo Campos, candidato à Presidência da República pela sigla. Visivelmente abalado, Bornhausen evitou falar sobre os reflexos políticos da tragédia. “O importante agora é a parte pessoal. A parte política, agora, na minha opinião, não é importante.” Ele seguiu ontem para Recife (PE) onde participaria do funeral de Eduardo Campos e para levar solidariedade à família. “Vou a Pernambuco. Vou me despedir do amigo. Quero ir lá fazer minha última oração, ficar ao lado da família.”

“Nem vocês queriam cobrir e nem eu queria falar sobre algo assim. Mas vamos cumprir a nossa parte”, disse ao receber os repórteres após passar o dia praticamente incomunicável em sua residência, em Florianópolis. Paulo Bornhausen contou que ficou sabendo da notícia pelos noticiários de TV e que a primeira reação foi não acreditar. “Tive a esperança de que tivesse sido um engano ou até mesmo que ele não estivesse a bordo do avião. Mas logo na sequência a gente viu que era o avião dele, o avião com o qual ele esteve aqui no estado, da última vez que passou por aqui, em Itajaí. Ficou a certeza de que realmente a gente tinha perdido uma pessoa muito próxima, um líder, um amigo. Uma sensação muito ruim.”

O presidente do PSB estadual contou que o último contato entre os dois ocorreu em Brasília, na quarta-feira da semana passada. “Passei no Diretório Nacional, ele já estava fazendo suas gravações para o horário eleitoral gratuito. Nós conversamos, rimos um monte sobre muitas coisas. O Eduardo tinha essa característica, de ser uma pessoa muito franca e tinha esse espírito nordestino de ser engraçado, de levar a vida sem dureza. E estávamos alinhavando a próxima vinda dele a Santa Catarina, que deveria acontecer no dia 2 de setembro, em Blumenau, dia do aniversário da cidade, para que pudéssemos caminhar nas ruas, que era o que ele queria fazer. Ele adorou a ideia.” Paulo Bornhausen contou que sua relação com Eduardo Campos era pessoal, muito mais que política, resultado de uma convivência de muitos anos na Câmara dos Deputados. “Mas a convivência com ele e com a família se intensificou muito no último ano, desde quando ele me convidou para construir um projeto novo para o Brasil. Foi o que me moveu. Não a política. Mas o líder que não era só política. Era de exemplo, de família, uma pessoa que tinha valores. O Brasil precisa de pessoas como ele.”

Em vários momentos com a voz embargada, Bornhausen descreveu Eduardo Campos na relação com a família. “Quando ele chegava em casa parecia que não tinha política, não tinha nada. Era ele com os filhos. Cinco filhos! O impacto é pessoal e a gente só pode pedir a Deus para que ele esteja em um bom lugar e que dê conforto à Renata (esposa de Eduardo Campos) e aos filhos. Ele está vivo entre nós e que essa gana que ele tinha de fazer o melhor fique permeando o Brasil, principalmente nesse momento em que estamos discutindo o futuro do país.”

Ele lembrou que perdeu outras pessoas de suas relações “de longo tempo” no acidente e citou o amigo Pedro Valadares, ex-deputado pelo estado de Sergipe.

Crédito das fotos: Diego Alves de Moura

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