A Meta anunciou nesta quarta-feira (14) restrições temporárias à geração de imagens e à recomendação de candidatos pela Meta AI, após questionamentos sobre o comportamento da ferramenta durante a campanha presidencial de 2026. O caso ganhou repercussão depois que testes identificaram diferenças nas respostas a solicitações de materiais eleitorais com referências a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).

Relatos de usuários e testes publicados pela BBC News Brasil e por outros veículos indicaram que a inteligência artificial disponível no WhatsApp, em determinadas situações, recusou pedidos para criar imagens de campanha com o nome de Lula e o número 13, mas atendeu a solicitações semelhantes envolvendo Flávio e o número 22.
A diferença levantou questionamentos sobre a aplicação dos critérios de moderação da plataforma e a igualdade de tratamento entre candidaturas no ambiente digital.
Empresa atribui diferenças a limitações técnicas
Em resposta à repercussão, a Meta informou que adotou medidas para impedir temporariamente a recomendação de candidatos e a geração de imagens relacionadas a eles, em cumprimento às regras eleitorais brasileiras.
A empresa também afirmou ter implementado restrições adicionais para que comandos que utilizem apenas o primeiro nome dos candidatos e seus respectivos números eleitorais não resultem na criação desse tipo de material.
A Meta negou favorecer Flávio Bolsonaro ou prejudicar Lula e atribuiu problemas registrados anteriormente a falhas técnicas. Segundo a empresa, as ocorrências não demonstram uma atuação deliberada para beneficiar determinada candidatura.
Os testes, porém, apresentaram resultados diferentes conforme a plataforma, a conta e o comando utilizado. Em uma série de 50 solicitações, a BBC News Brasil identificou variações nas respostas da ferramenta, indicando que o comportamento não foi uniforme em todas as tentativas.
Campanha leva caso ao Tribunal Superior Eleitoral
A campanha de Lula acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar o que considera um tratamento desigual da Meta AI. A representação aponta que a ferramenta permitiu a produção de determinados materiais relacionados ao candidato do PL, enquanto recusou solicitações semelhantes envolvendo o candidato do PT.
A iniciativa integra uma série de questionamentos apresentados pela campanha petista sobre o funcionamento das plataformas da Meta durante a disputa eleitoral. Entre os pontos levantados estão possíveis restrições à distribuição de publicações e dificuldades para impulsionar conteúdos no Instagram.
Em manifestação anterior à Agência Brasil, a empresa reconheceu a existência de problemas técnicos, mas contestou as acusações de interferência eleitoral e afirmou estar comprometida com a isonomia no uso de suas plataformas.
O TSE, por sua vez, já havia solicitado esclarecimentos à empresa sobre restrições relatadas pela campanha. A análise dos episódios depende dos elementos apresentados à Justiça e das informações fornecidas pela plataforma.
Restrições ampliam debate sobre inteligência artificial nas eleições
O episódio coloca em evidência os desafios relacionados ao uso de inteligência artificial na produção de propaganda política. Ferramentas capazes de criar imagens em poucos segundos podem facilitar a elaboração de materiais eleitorais, mas também levantam questões sobre moderação, transparência e tratamento igualitário dos candidatos.
A diferença observada nos testes não comprova, isoladamente, favorecimento político deliberado. A Meta nega essa hipótese e afirma que as medidas adotadas buscam adequar o funcionamento da ferramenta às regras eleitorais brasileiras.
Com a restrição temporária anunciada, a empresa busca impedir que comandos relacionados aos candidatos continuem gerando resultados diferentes nesse tipo de solicitação. O caso, no entanto, mantém em discussão a responsabilidade das plataformas digitais e os mecanismos necessários para assegurar condições equilibradas de participação no ambiente virtual durante as eleições.