Em clima de final de campeonato, contrários ao governo comemoram votação

No Vale do Iguaçu aquecimento para a votação começou no sábado

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Atualizado há 10 anos

Não tem como negar, o clima pelas ruas do País no final de semana era, sim, de final de Copa do Mundo. Num jogo complicado entre o time azul e vermelho, entre o “sujo” e o “mal lavado”, num campo articulado de maneira hostil e das manobras mais questionáveis, a oposição conseguiu fazer seguir o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. No entanto, os discursos do “SIM” em boa parte não levaram em consideração o real motivo daquela votação. Com cantos, apetrechos de Carnaval, alguns adornados nas bandeiras de seus estados os deputados deram um show de discurso mal-arranjado, no qual toda a família votou, Deus se fez presente e os votos pelo cristianismo foram renovados.

Mas parecia que nada disso importava num momento tão aguardado pelos brasileiros, era a hora de o Governo colocar à prova sua influência e pagar pelo preço de não ter aliados numa casa com 513 ideias conflitantes.

Apesar de estar um bocado longe da Capital Federal e não representar uma força política, movimentos pró-impeachment e entidades da sociedade organizada do Vale do Iguaçu se aqueceram desde o sábado, 16, com carreatas e concentrações.

No sábado, logo no final da tarde, cerca de 20 carros subiram a Avenida Manoel Ribas, passaram para o lado de Porto União e seguiram para o Distrito de São Cristóvão, em União da Vitória. Na fila, buzinas e carros enfeitados com a bandeira do Brasil eram fáceis de ser identificados. A carreata durou cerca de uma hora, tempo suficiente para que as principais ruas do Vale do Iguaçu fossem tomadas pelo movimento.

Já no domingo, 17, a concentração começou por volta das 15 horas, pouco tempo depois que a votação na Câmara dos Deputados teve início. Um telão e carro de som foram posicionados na Praça Hercílio Luz, espaço tradicional nos manifestos contra o governo. Por lá cadeiras de praia, banquinhos, barraquinhas de pipoca foram sendo organizadas. Em pouco tempo a Praça ficou tomada de manifestantes vestidos de verde e amarelo. Todos carregavam uma bandeira do Brasil ou faixas com palavras de ordem. Com o início da sessão cada voto a favor era ovacionado pelos manifestantes, assim como cada discurso contrário ao impedimento era quase impossível de ser ouvido entre as vaias. O placar foi acompanhado de perto por quem esteve na Hercílio Luz, nas quase dez horas de votação. A cada momento chegavam mais e mais espectadores.

No 342º voto a emoção tomou conta dos manifestantes que logo tomaram o centro da Praça, cantaram o Hino Nacional e saíram em carreata pelas principais ruas do Vale do Iguaçu.

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