Em solenidade realizada na manhã dessa sexta-feira (9), no Centro Administrativo do Executivo estadual, em Florianópolis, o ex-governador Jorge Konder Bornhausen foi agraciado com a mais importante condecoração oferecida pelo Estado, a Medalha de Mérito Anita Garibaldi. A entrega foi feita pelo governador Raimundo Colombo, que lembrou os legados deixados por todos os ex-governadores e que hoje se refletem em números capazes de diferenciar Santa Catarina dos demais estados. “Hoje, Santa Catarina homenageia um dos seus filhos mais extraordinários, como ser humano, como político e como líder. Reconhecemos todo o seu esforço, toda a sua entrega e todas as suas conquistas”, disse Colombo.
Ao chegar ao Centro Administrativo, o homenageado foi recebido pelo governador, pelo presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gelson Merisio (PSD), pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJ-SC), José Antônio Torres Marques, e pelo ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab. Já no palco do Teatro Pedro Ivo, onde foi realizada a solenidade e que ficou lotado, recordou sua atuação em favor da Educação e da Saúde, concluindo que “vale a pena a vida pública quando voltada ao bem comum”.
Depois de agradecer pela homenagem, Bornhausen também parabenizou o governador Colombo por manter a decisão de não aumentar impostos, bandeira que defendeu arduamente quando foi senador da República.
Entrevista
Como está se sentindo ao receber tamanho reconhecimento?
Jorge Konder Bornhausen – Fiquei realmente honrado com o gesto do governador Raimundo Colombo e acho que os 40 anos de vida pública me dão alegria agora, que já estou afastado há 10 anos, de poder merecer essa distinção.
Qual sua avaliação sobre o momento do país?
JKB – Minha avaliação é de que tem que haver mais responsabilidade. Menos figuração e mais pensamento no país. Não há porque não combater a corrupção, mas isso precisa ser feito sem excessos. Os poderes precisam ser harmônicos e independentes. Nós precisamos de paz para que o Brasil, dentro das regras jurídicas, com segurança, possa merecer investimentos que voltem a trazer o crescimento e os empregos que tanto precisamos. A paz é a melhor solução.
Na condição de ex-senador, como o senhor observa o Congresso Nacional e mais especialmente o Senado?
JKB – O período é muito delicado, com senadores envolvidos em sindicâncias, inquéritos, alguns já réus. Então, ficam sempre muito mais trepidantes as ações internas do Senado. Mas é uma Casa em que sempre predomina o bom senso e acho que vai cumprir o seu papel, agora, na semana que vem, aprovando o teto de gastos públicos, que é o primeiro grande passo para nós podermos nos preparar para a recuperação da economia.
Nesse cenário, o senhor vê risco de uma nova ruptura do Estado Democrático de Direito?
JKB – Eu acho que o Estado Democrático de Direito está mantido. Às vezes há um excesso aqui ou acolá, de um agente público que não compreende o momento difícil que o país vive e que por isso exige a união de todos. Existem regras e leis para coibir excessos. Eu acho que a segurança jurídica deve estar sempre presente. A democracia é um instrumento da liberdade, mas a outra face da liberdade é a responsabilidade.
Pelo que o senhor viveu e ajudou a escrever da história recente do país, é capaz de estimar um horizonte para o Brasil sair dessa crise política, institucional e econômica que se impõe?
JKB – Acredito que se o Congresso Nacional compreender e entender a necessidade da reforma da Previdência, que sem ela nós não sairemos do setor negativo da economia, e aprová-la ainda no primeiro semestre (de 2017), no segundo semestre o país vai encontrar o seu rumo, vai encontrar o crescimento, vai ter investimentos externos e vai poder continuar as reformas, como a Trabalhista, a Tributária e o Pacto Federativo.
O homenageado
Nascido em 1937, no Rio de Janeiro, é filho do também ex-governador Irineu Bornhausen. Foi vice-governador (9 de março de 1967 a 15 de março de 1971) e governador (15 de março de 1979 a 14 de maio de 1982) de Santa Catarina, senador por dois mandatos (de 1983 a 1991 e de 1999 a 2007), ministro da Educação e embaixador em Portugal.
A medalha
Já foram homenageadas com a Medalha de Mérito Anita Garibaldi personalidades estaduais e nacionais, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o ex-arcebispo da Catedral Metropolitana de Florianópolis, Murilo Krieger, o delegado Renato José Hendges e o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. A honraria foi criada em 1972 para condecorar aqueles que se destacam por serviços prestados ao Estado e à Nação.