Geddel Vieira Lima pede demissão da Secretaria de Governo

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Atualizado há 10 anos

Um dos pilares do governo de Michel Temer quebrou. O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, pediu demissão na manhã de ontem por meio de uma carta enviada por e-mail ao presidente. De Salvador, onde está desde quarta-feira, ele conversou por telefone com o presidente depois de enviar o e-mail. Geddel é acusado pelo ex-ministro da Cultura Marcelo Calero de tê-lo pressionado para liberar uma obra no centro histórico de Salvador. Geddel é proprietário de um apartamento em um edifício cuja construção foi embargada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), subordinado ao Ministério da Cultura. Devido ao episódio, Calero pediu demissão na semana passada.

O agora ex-ministro disse que acredita que a crise política agora será reduzida ao seu tamanho real depois do seu pedido de demissão. Geddel contou que passou a noite em claro refletindo sobre a sua a decisão. Ele atribui à questão familiar a gota d’água para enviar a carta de demissão. Questionado por que demorou para pedir demissão, Geddel disse que “saiu na hora que tinha que sair”, e lembrou que estava recebendo apoios políticos e que tomou uma decisão de caráter pessoal. De Salvador, onde mora, Geddel telefonou para Michel Temer. “Foi uma conversa emotiva de dois amigos”, disse Geddel. “Se eu sou o problema, então está resolvido. Acho que o episódio agora ficará restrito ao seu tamanho real”, completou.

Seis já caíram

No governo há sete meses, Michel Temer enfrentou ontem a sexta queda de um de seus ministros. O titular da Cultura, Marcelo Calero, deixou o cargo alegando divergências com o governo semana passada, e ontem foi a vez de Geddel Vieira Lima. Mal entendidos entre integrantes do alto escalão da Esplanada e denúncias da Operação Lava Jato levaram outros quatro titulares do governo peemedebista a deixarem seus postos. Ainda à frente do Ministério da Justiça, Alexandre de Moraes também esteve na berlinda. Assessores próximos a Temer divergem da maneira do ex-secretário de Segurança de São Paulo comandar a pasta. Reclamam do perfil centralizador e de anunciar medidas sem diálogo com a equipe. Moraes também se envolveu em um desentendimento público com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao defender a operação da Polícia Federal em dependências do Senado para investigar possível obstrução às investigações por parte dos senadores. Dos que caíram o primeiro da lista foi o senador Romero Jucá (PMDB-RR), em 23 de maio, 12 dias após assumir o Ministério do Planejamento. Ele deixou o governo após o vazamento de uma conversa entre ele e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

O pivô da queda de Geddel

Geddel fez duras críticas ao comportamento do ex-ministro Marcelo Calero (Cultura) que gravou uma conversa com Michel Temer. “Ele pode ser enquadrado na Lei de Segurança Nacional. É proibido gravar uma conversa com o presidente sem autorização. Para entrar no gabinete, você tem que deixar celulares e aparelhos eletrônicos do lado de fora”, disse Geddel. Ele também criticou o comportamento de Calero com outros ministros. “Como é que um colega sai gravando outras pessoas? Fica parecendo até que foi uma coisa armada”, disse Geddel.

O também ex-ministro Marcelo Calero soltou uma nota ontem, negando que tenha tido intenção de gravar conversa com presidente Michel Temer: “Durante minha trajetória na carreira diplomática e política, nunca agi de má fé ou de maneira ardilosa”, disse. A nota diz que “a respeito de informações disseminadas, a partir do Palácio do Planalto, de que eu teria solicitado audiência com o presidente Michel Temer no intuito de gravar conversa no Gabinete Presidencial, esclareço que isso não ocorreu. No episódio que agora se torna público, cumpri minha obrigação como cidadão brasileiro que não compactua com o ilícito e que age respeitando e valorizando as instituições”, diz a íntegra do documento.

Centrão quer indicar novo ministro

Parlamentares do chamado “centrão” já estão trocando várias mensagens de texto pelo celular. O motivo é óbvio: a sugestão de um novo nome para o presidente Michel Temer nomear como titular da Secretaria de Governo, no lugar de Geddel Vieira Lima. Temer tende a atender ao pleito, pois o grupo é representativo politicamente. O centrão tem mais da metade dos 513 deputados da Câmara dos Deputados. Embora a ideia de sugerir um nome do grupo já esteja circulando entre os parlamentares, ainda não há um consenso sobre a sugestão de quem será. Mas um deles é do líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes, de Goiás. Ele relatou o processo de admissibilidade do impeachment da então presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados.

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