
A noite de quarta-feira, 13, dividiu opiniões no Vale do Iguaçu. De um lado, no auditório da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de União da Vitória e Porto União, 16 entidades da sociedade organizada pediram um posicionamento favorável dos legisladores de União e Porto União sobre o impedimento da presidente Dilma Rousseff. O rito, se for seguido, pode levar a votação do impedimento na Câmara dos Deputados ainda neste domingo, 17. Até lá o pedido é que os deputados que ainda estão indecisos sejam convencidos pelos legisladores a votarem a favor do impedimento. “A ideia é pedir para os vereadores de União e Porto União que sejam favoráveis ao processo de impeachment e nos representem e intercedam por nós junto aos parlamentares do partido de cada um que ainda se mostram indecisos ou contra o impeachment”, reafirmou o presidente da CDL, Luciano Karpovisch.
Segundo Karpovisch é “mais do que justo” que os legisladores sustentem esse pedido. “A maioria da população é a favor, então eles têm de considerar o pedido do povo”, disse.
Para quem estava na reunião o cenário será favorável no domingo, já que para passar pela Câmara são necessários 342 votos e os favoráveis contabilizam 338. “Nós já estamos próximo desse número, acho que até o domingo muita coisa vai mudar”, disse confiante o presidente. “De pequenos movimentos em pequenos movimentos que nós estamos atingindo nossos objetivos em favor do impeachment”, completa.
Do outro lado da cidade, com auditório lotado, movimentos sociais, estudantil, juristas e, também, políticos, participaram de um encontro “contra o golpe”. Para afirmar esse discurso os conferencistas utilizaram a própria Constituição como base de que o pedido de impedimento, sem crime estabelecido é, sim, golpe. “O impeachment é um dispositivo legal que está na Constituição, mas por que isso é golpe?”, questiona Bruno Pacheco, presidente da União Paranaense dos Estudantes. “Queremos mostrar que as pedaladas fiscais, que é o argumento para esse pedido de impeachment, foram cometidos também por outros 16 governadores, por mais de mil prefeitos por todo o País e que não é um Crime de Responsabilidade. Não é correto, é uma questão de contabilidade, mas nós entendemos que não é o suficiente para um crime de impeachment”, argumenta. “Não tendo esse crime de responsabilidade o pedido de impedimento é golpe”, afirma.
Sobre o grupo da direita realizar um encontro na mesma data, Pacheco foi enfático. “A nossa sociedade está muito polarizada e não é de hoje. Os resultados da eleição mostram isso e desde então os setores da sociedade que foram derrotados vem tentando de toda a forma inviabilizar a gestão da presidenta eleita”, comenta.
Para o estudante haverá muita mobilização até o domingo, em especial do movimento estudantil paranaense que irá acompanhar em Brasília o dia de votações. “Estou muito otimista e como num jogo de futebol o time dos vermelhos conseguiu empatar e nós vamos virar o jogo no domingo”, garante.
Além de Pacheco foram convidados para a aula os juristas Samir Mattar Assad, Igor Kaluf e o professor do colegiado de Filosofia da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Charles Santiago.
Manifesto
Em outro ato pró-impeachment as mesmas entidades que organizaram a reunião na CDL irão realizar uma passeata amanhã, a partir das 18 horas, com saída na Praça Hercílio Luz, em Porto União. A ideia é dar apoio aos parlamentares que irão votar durante o rito de impedimento da presidente.