Japoneses visitaram Santa Catarina para tratar da importação de carne suína

Comitiva demonstrou interesse também em produtos de pesca e maricultura

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Atualizado há 13 anos

Por Andréa Leonora (CNR-SC/ADI-SC/Central de Diários)

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Foto: Ney Bueno/SAR

Uma comitiva representando o governo japonês passou algumas horas da tarde de ontem na Secretaria de Agricultura e Pesca, em conversa com o secretário João Rodrigues. Eram o cônsul-geral do Japão para a Região Sul do Brasil, Yoshio Uchiyama, a vice-cônsul Nana Kawamoto e o segundo secretário da Embaixada do Japão no Brasil, Kentaro Morita. Detalhistas, buscaram informações sobre os vários itens produzidos em Santa Catarina e demonstraram especial interesse nas áreas de pesca e maricultura.

Esse foi o segundo compromisso oficial da comitiva nessa segunda-feira na Capital. Pela manhã, na sede da Federação das Indústrias (Fiesc), os três participaram do Painel sobre a Carne Suína Catarinense e o Mercado Japonês. O evento foi aberto pelo presidente da Fiesc, Glauco José Côrte, que destacou a evolução do mercado suinícola catarinense, comparando os resultados nacionais e estaduais. Pioneiro na exportação de carne suína no Brasil, o estado vendeu para outros países, em 2012, aproximadamente 208 mil toneladas (+13% sobre 2011) ao valor de 540 milhões de dólares (+7%), enquanto o país exportou 580 mil toneladas (+13%) ao valor total de 1,5 bilhão de dólares (+4%). “O percentual de crescimento no valor de venda da carne suína catarinense indica o componente do valor agregado que incorporamos ao nosso produto”, observou. Côrte lembrou que um quarto da produção da cadeia de suínos do país sai de Santa Catarina, que permanece como único estado brasileiro livre da aftosa sem vacinação.

Para ele, esse aspecto foi essencial para a conquista de três importantes mercados consumidores de carne de porco: China (2011), Estados Unidos (2012) e, recentemente, Japão (2013). “O Japão é o maior importador de carne suína do mundo, com cerca de 1,2 milhão de toneladas de produtos. Nossas agroindústrias estão preparadas para exportar. E aguardam com ansiedade a assinatura dos atos oficiais, no final desse mês, em Tóquio, com a presença da presidente Dilma Rousseff e do governador Raimundo Colombo”, disse Côrte.

O painel foi encerrado pelo governador Raimundo Colombo, que ressaltou que a decisão do governo japonês funciona como um aval para a carne suína catarinense na conquista de outros mercados. “O Japão nos credencia diante de outros países, nos dá credibilidade, porque todos sabem como o mercado japonês é exigente.” Colombo classificou como intenso o trabalho realizado nas 67 barreiras sanitárias que protegem a fronteira com a Argentina e as divisas com Paraná e Rio Grande do Sul.

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Foto: Ney Bueno/SAR

O presidente do Sindicarne, Clever Pirola Ávila, o presidente da Federação da Agricultura (Faesc), José Zeferino Pedrozo, e o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Rui Vargas, relembraram os mais de dez anos de trabalho para que se alcançasse o mercado japonês. “Ganhamos outros mercados ao longo do trajeto, mas o objetivo sempre foi o Japão. Santa Catarina será um grande marco para a suinocultura brasileira e poderá ajudar o país a se tornar um dos maiores exportadores de carne suína do mundo”, projetou Vargas. O representante do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Luiz Gustavo Balena Pinto, disse que a abertura do mercado japonês para a carne suína catarinense não poderia ter ocorrido em melhor momento. “Com a decisão do governo do Japão, Santa Catarina está provando que é um estado de excelência em qualidade e em sanidade.”

 

Cautela

Já o presidente da Câmara da Agroindústria da Fiesc, Mário Lanznaster, e o presidente da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), Losivanio de Lorenzi, alertaram para a necessidade de cuidado na ponta da produção de animais. Para eles, os criadores devem esperar o fechamento dos contratos de exportação para só então investir na ampliação de rebanhos. O receio é que o excesso de oferta acabe contribuindo para reduzir a remuneração do suinocultor. O diretor executivo do Sindicarne, Ricardo Gouvêa, anunciou que os embarques para a China já ocorrem e que nos próximos dias devem ser embarcados produtos suínos para os Estados Unidos. Ele projeta que o mercado japonês deverá começar a comprar em no máximo três meses. “A entrada nesse mercado será gradativa. Enfrentamos concorrências grandes, com Estados Unidos, Canadá e Dinamarca, que têm uma qualidade muito grande. Por isso a cautela é realmente necessária”, indicou Gouvêa.

Durante o painel, o cônsul Yoshio Uchiyama destacou que Santa Catarina foi o primeiro caso em que o governo de seu país aceitou receber produtos com garantias sanitárias para uma região – no caso um estado – e não para o país como um todo. Segundo explicou, o Japão é abastecido com carne suína dos Estados Unidos (44%), Canadá (20%) e Dinamarca (15%). “Por conta dessa grande dependência, é desejável a diversificação de fornecedores, a fim de mantermos o mercado estável. Hoje o Japão compra frango, café, soja, tabaco e milho do Brasil. O produto com maior volume é o frango, com destaque para o frango catarinense”, explicou Uchiyama. Ele contou que uma pesquisa feita em seu país apontou que o frango brasileiro é bastante popular por lá. “Por ser seguro do ponto de vista da saúde e por ser gostoso. É esse o nível de satisfação que projetamos para os produtos suínos catarinenses.”

Para o secretário João Rodrigues, o momento histórico vivido por Santa Catarina no setor de carnes é resultado do trabalho de todos os que durante décadas trabalharam para colocar o estado em posição de destaque. Ele apontou os nomes de vários secretários que o antecederam, em especial o ex-deputado federal e assessor da presidência da Organização das Cooperativas Brasileira (OCB), Odacir Zonta, e o deputado estadual Moacir Sopelsa (PMDB). Citou também o papel fundamental da Cidasc, da Epagri e do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (Icasa), criado em 2007 e mantido pelas agroindústrias.

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