
O setor político pegou fogo de novo com a notícia de que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva pode ser nomeado Ministro de Estado do governo Dilma Rousseff. Ele pode ocupar o cargo de Ricardo Berzoini na Secretaria-Geral de Governo. O Palácio do Planalto não confirma oficialmente, mas o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, disse que a possibilidade é real e concreta. A decisão de Lula sobre sua participação direta no governo, ganhando foro privilegiado, aconteceu no mesmo dia em que a juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira mandou o processo de Lula para o juiz Sérgio Moro, na Operação Lava-Jato.
A oposição reagiu à possibilidade de nomeação do ex-presidente. O líder do DEM na Câmara, deputado Pauderney Avelino (AM), disse que já está pronta a ação popular pedindo a suspensão de uma eventual nomeação do ex-presidente Lula como ministro. Se a nomeação se confirmar, o partido entrará com ações populares em vários estados do País para anular a nomeação. Caiado lembrou um dito popular brasileiro muito comentado pelo próprio Lula em 1998, que diz que rico quando rouba, vai para o ministério, então, segundo Caiado, Lula seria réu confesso.
PT faz festa
Já o PT vibra com a real possibilidade de ver Lula no Palácio do Planalto. O problema será convencer a opinião pública de que Lula está indo para o entorno de Dilma para ajudá-la, e não para fugir de Moro, que tem sido muito rigoroso no comando das investigações da Lava-Jato. A bancada do PT na Câmara fez um apelo para que Lula aceite assumir um ministério. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, também defendeu que Lula assuma um ministério. Lula impôs condições para entrar no governo. Uma delas é a mudança da política econômica. A condição não passa por troca do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, mas por uma política mais frouxa de ajuste e que seria mais focada na retomada do crescimento.
No entanto, novas revelações feitas pelo senador Delcídio do Amaral em acordo de delação premiada atrapalharam os planos do governo. Delcídio joga o ministro Aloízio Mercadante (Educação) no centro das investigações e também complica Lula, o que pode acabar mudando a composição feita anteriormente. Os ventos continuam soprando forte em Brasília e ofuscando todos os acordos que estavam previamente fechados.