‘Nasce um novo Brasil’, diz Richa

"O povo está cansado do noticiário de Brasília, da corrupção, com a crise, a inflação, o desemprego. O governo do PT frustrou o Brasil", diz Beto Richa

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Atualizado há 10 anos

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(Foto: Assessoria).

O governador Beto Richa (PSDB) disse nesta segunda-feira, 18, que o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) foi decidido pelo “povo nas ruas” e pela “pressão popular” que “se expressou no voto de cada deputado federal, no plenário da Câmara dos Deputados”. “A partir deste domingo, nasceu um novo Brasil”, disse Richa.

“O povo está cansado do noticiário de Brasília, da corrupção, com a crise, a inflação, o desemprego. O governo do PT frustrou o Brasil, falhou na condução da política econômica e foi conivente com a corrupção que corria solta na Petrobras, na Eletronuclear e na Eletrobras”, continuou Richa.

As pedaladas fiscais, segundo Richa, foram o motivo formal para o impeachment e “representam apenas o erro final numa trajetória de incompetência e péssima gestão administrativa e fiscal”. “O descalabro que trouxe de volta a inflação, os juros altos e a recessão econômica reflete-se também no crescimento absurdo da dívida pública, que atinge os maiores níveis da história do Brasil, comprometendo hoje mais de 80% do PIB”, disse.

“Um novo Brasil começou a nascer neste domingo, com esperança concreta num futuro melhor, com ética, honestidade e respeito. Que todos possam compreender esse momento e respeitar a vontade do povo, em benefício de um Brasil mais justo e fraterno”, completou Richa. Leia a seguir a principais trechos da entrevista.

Qual a sua avaliação do resultado de ontem da Câmara de Deputados que acabou encaminhando o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff para avaliação do Senado?
Beto Richa –
O que aconteceu é o que todos previam e não poderia ser diferente. O atual governo não tem mais condições de governar o País. A presidente (Dilma Rousseff) não tem liderança para recompor base de apoio no Congresso, e assim, recompor a governabilidade. Esse governo não tem mais credibilidade e, pior, não tem proposta que represente pelo menos uma luz no final do túnel. Posso dizer que muito mais que o restante dos brasileiros, os paranaenses estão felizes com o resultado.

Sofremos uma perseguição implacável e odienta do governo do PT. O Paraná é a quarta economia do País, portanto, somos o quarto maior contribuinte de receitas para União. Com isso, não podemos admitir ser o antepenúltimo em receber receitas federais. Os paranaenses foram castigados por esse governo.

De mais a mais, as pedaladas fiscais, que foram o motivo formal para esse impeachment, representam apenas o erro final de uma trajetória de incompetência e péssima gestão administrativa e fiscal. O descalabro que trouxe de volta a inflação, os juros altos e a recessão econômica que reflete, também, no crescimento absurdo da dívida pública a um dos maiores níveis da história do Brasil. Para se ter uma ideia, estamos comprometendo hoje mais de 80% do nosso PIB.

A impressão que se tem é que já é dado como certo a aprovação do processo no Senado. Como o governador avalia isso?
Beto Richa –
Acredito que sim em função de todas essas razões que acabei de falar. As pedaladas fiscais, passíveis de impeachment na Constituição, representam o erro final. Ela (Dilma) caiu pelo conjunto da obra. Não tem condições de governar. Não tem propostas e o Brasil cada vez afundando mais. Temos mais de 10 milhões de desempregados e a conta aumentando.

Como chegou nessa situação? 

Beto Richa – É um governo que tinha um projeto de poder, projeto de manutenção do poder. Sem um projeto de Estado. Estão aí os casos que exemplificam essa situação, como o mensalão, dinheiro para comprar a consciência dos deputados para ter base de apoio no Congresso Nacional. O uso de dinheiro público para pagar propina para muitos políticos e dirigentes partidários, está ai o exemplo da Petrobras.

Conseguiram quebrar a maior companhia brasileira, o orgulho de todos nós. As barbaridades que acontecem no País estão estampadas na imprensa internacional. A Petrobras é hoje a empresa não financeira mais endividada do planeta. Além do aparelhamento da máquina pública com a acomodação de apaniguados políticos sem observância de qualificação para exercício da função.

Ao falar em crise política, o senhor acredita que ao final desse processo será colocado uma pedra na crise política do Brasil?
Beto Richa –
Acredito que sim. Até porque o vice-presidente Michel Temer tem capacidade articulação política, de compor uma base de apoio no Congresso Nacional, que é fundamental para garantir a governabilidade. Com essa mudança, resgata a confiança dos brasileiros. Vários partidos já manifestaram que, caso haja o impeachment, vão apoiar essa governabilidade. Acho que é uma medida responsável para tirar o Brasil dessa crise que não é só política e ética, é crise de confiança também. Cada vez que se fala em impeachment, o mercado reage positivamente. A bolsa sobe e o dólar cai. É uma demostração clara de que não existe nenhuma confiança nesse governo.

Qual seria a essa reordenação política, tanto da parte da Dilma ou do Temer?
Beto Richa –
A presidente não tem a menor condição de articulação politica. Isso já foi demostrado em todo o seu governo. Pela votação de ontem, é uma manifestação clara de que o Congresso não apoia esse governo. Eu vejo com muita dificuldade, se não passar o impeachment, a governabilidade e uma saída para o País sair dessa crise profunda. Estamos no fundo do poço. O Michel Temer resgata a esperança, vem com novas propostas e tem uma capacidade de articulação muito forte, foi presidente da Câmara por duas vezes e todos os partidos que votaram pelo impeachment estão dispostos também a garantir essa governabilidade.

O senhor fez um ajuste fiscal bastante duro aqui no Paraná, em relação À crise econômica e independente de qual presidente estivermos ao final do processo, quais são as alternativas para o país?
Beto Richa – 
Veja bem, inclusive eu vi um amigo que é empresário em Maringá, dizendo que encontrou um advogado petista que disse “se a Dilma tivesse feito o ajuste fiscal que o Beto fez aqui no Paraná, possivelmente o Brasil não estaria nesta situação”.

Havia um preço muito alto e coloquei em risco o meu patrimônio político para defender o futuro do Paraná. E lá atrás no meio de ataques e agressões orquestradas pelos meus adversários, eu alertava que em dezembro de 2014, isso está registrado, o Paraná é o primeiro a fazer o ajuste fiscal e também seremos o primeiro a sair desta crise. E todos naqueles momento de incompreensão vão entender melhor que o que fiz era fundamental e inadiável para o Paraná, quando compararem o Paraná que fez a lição de casa com os demais estados que não fizeram.

E hoje podemos comparar, foi um ano muito difícil pra mim pessoalmente, minha popularidade despencou, mas eu faria tudo de novo.

Então o senhos considera que o governo federal deverá apresentar medidas duras independente de quem fique na presidência?
Beto Richa –
Não tenho a menor dúvida, deve ter a coragem e a determinação, mesmo que sejam medidas como as minhas foram, duras, amargas e impopulares. Com isso, o Paraná fechou o ano comemorando a divulgação de órgãos insuspeitos e conceituados, como o IBGE, que mostrou que o Paraná assumiu a posição de quarta economia mais forte do Brasil, superando o Rio Grande do Sul. Também estudo do The Economist que mostra que o Paraná é o segundo estado mais competitivo do Brasil, atrás apenas de São Paulo. Nesse estudo, 64 itens itens e subitens foram avaliados para chegar a essa conclusão, como investimento em segurança, educação, solidez fiscal, sustentabilidade, atração de investimentos internos.

E nesse ano, só dois estados aumentaram os investimentos em relação ano passado. Apenas o Paraná e a Bahia. Só que a Bahia aumentou 2%, ao passo que o Paraná aumenta em 21% os investimentos. Resultado do ajuste fiscal que fizemos ano passado no Estado.
Nos aumentamos as receitas em 3%, mas reduzimos as despesas e gastos do Estado em 7,5%. Foram medidas duras e austeras que colocam o Paraná hoje numa situação privilegiada em relação a outros estados brasileiros. O único estado que está dando reajuste de 10,67%, os demais não estão conseguindo pagar o salário do mês. Maior prova da saúde fiscal e financeira que o Paraná se encontra hoje.

Governador, estamos no ano eleitoral. Qual é o impacto desta agitação política que estamos vivendo para as eleições deste ano?
Beto Richa – 
Não há dúvida que terá um impacto muito forte. A população já demonstrou o seu mau humor com a classe política em função dos descalados deste governo. Todo o dia na imprensa a revelação de escândalos e mais escândalos de corrupção, e não há nada mais nefasto na administração do que a corrupção aliada a má gestão. Por isso que hoje o Brasil está no findo do poço. Isso acaba respingando no mal humor que é tão grande e é compreensível este sentimento da população, que acaba respigando em toda a classe política.

Hoje são raros os gestores políticos que tem uma aprovação, uma avaliação da sua administração que seja alta. Então é importante que os políticos entendam o recado que vem das ruas e tenham um comportamento ético, transparente e que cumpram com suas obrigações e compromissos assumidos com os eleitores.

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