O dia seguinte em Brasília

Bate boca e troca de acusações depois do pedido de impeachment de Dilma Rousseff

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Atualizado há 11 anos

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, fala à imprensa no Congresso Nacional, sobre o encontro com a presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto (Valter Campanato/Agência Brasil)
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, fala à imprensa no Congresso Nacional, sobre o encontro com a presidenta Dilma Rousseff no Palácio do Planalto (Valter Campanato/Agência Brasil)

“O clima aqui em Brasília está ruim”, definiu o deputado federal tucano, Valdir Rossoni, do Paraná. E olha que ele não estava falando do calor, da falta de chuva ou do ar seco do planalto central. Rossoni se referiu ao “day after” ao anúncio do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de que o pedido do Impeachment da presidente Dilma Rousseff foi aceito.  Enquanto oposicionistas comemoravam ainda em plenário, os governistas preparavam um contra-ataque recheado de acusações e muito bate-boca. Cunha acolheu o principal pedido de impeachment protocolado na Câmara por partidos da oposição contra a presidente Dilma Rousseff (PT). A deflagração do processo de impeachment ocorreu no mesmo dia em que deputados do PT anunciaram que votarão contra o peemedebista no Conselho de Ética da Câmara, onde ele é investigado por suposta participação no escândalo da Lava Jato.

O presidente da Câmara deu andamento ao requerimento formulado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior. O pedido de Bicudo, um dos fundadores do PT, foi entregue a Cunha em 21 de outubro. Na ocasião, deputados da oposição apresentaram ao presidente da Câmara uma nova versão do requerimento dos dois juristas para incluir as chamadas “pedaladas fiscais” do governo em 2015, como é chamada a prática de atrasar repasses a bancos públicos a fim de cumprir as metas parciais da previsão orçamentária. A manobra fiscal foi reprovada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

A hora da verdade

Em entrevista à Super Rádio União, durante o jornal União é Notícia 2ª Edição de ontem, Rossoni se declarou à favor do impeachment e fez um apelo para que a sociedade cobre a posição de seus respectivos deputados federais. “Agora é a chance de o eleitor conhecer quem é seu deputado, aquele que recebeu seu voto, sua confiança”, disse o tucano. No entanto o deputado transpareceu preocupação sobre os votos contra e a favor da presidente. O medo dos parlamentares de oposição é que o governo consiga barganhar votos e evitar o andamento do processo de impeachment. E essa possibilidade existe e assombra o Congresso Nacional. Deputados e senadores estão com os holofotes sobre si e já se fala em cancelamento do recesso de fim de ano para acelerar o processo.

O Ministro Marco Aurélio, do Supremo Tribunal Federal (STF), desviou das opiniões sobre Cunha e Dilma, mas alertou que a economia do País está cada dia pior. Quem vai presidir o julgamento da presidente, em caso de o processo vingar, será o atual presidente do STF, Ricardo Levandowski, E quem votam são os senadores. Lá é preciso dois terços dos parlamentares, ou seja, 54 dos 81 senadores para aprovar o impeachment.

Reação em Brasília

Do lado de fora do Palácio do Planalto, do Senado e da Câmara, manifestações pró Dilma e contra Cunha, e vice-versa, já começaram. Salete Maria Lima Venâncio, Delegada de União da Vitória e região, na 15ª Convenção Nacional de Saúde, informou por telefone que manifestantes tumultuaram a entrada de participantes no local de realização da Convenção. Manifestantes de grupos ligado ao PT, como o MST, protestaram a favor de Dilma e contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

A opinião da maioria dos líderes de partido é de que o País fique engessado até o final do processo, por isso é quase consenso que é preciso acelerar, independente do resultado final. Líderes partidários lamentaram a repercussão negativa no exterior. Para alguns o nome do Brasil foi parar na lama, e o País sofrerá severas consequências no cenário mundial, o que seria ainda pior para a economia.

Só o começo

Serão dolorosos noventa dias (se o rito for dentro da normalidade) para o Brasil. Rossoni declarou que é preciso definir a situação o mais rápido possível. Enquanto a guerra só está começando, com desdobramentos inimagináveis, o preço da carne, da comida, da energia elétrica e dos combustíveis continuam altos e com perspectivas de piora nos próximos meses. O povo não sabe o que pode acontecer em um País nestas condições e quais serão os próximos aumentos e a deterioração dos salários, além da perda de poder aquisitivo.

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