
O prefeito Pedro Ivo Ilkiv quebrou o silêncio ontem em uma entrevista exclusiva para o jornal O Comércio e para a Super Radio União. E o momento em que ocorreu a conversa não poderia ser mais oportuno. Ontem foi o último dia da janela de transferência para detentores de mandato eletivo. A exceção é para prefeitos e vices, que tem prazo até o dia 2 de abril para mudar de partido. Leia os principais trechos da entrevista que foi ao ar ontem na Rádio União.
JOC – Já tem sua definição político partidário?
Ilkiv – Já. Eu permaneço no PT, tive vários convites mas não vou abandonar o PT, custe o que custar.
JOC – Por que?
Ilkiv – E para que eu vou mudar? Não vou ficar nem mais honesto e nem menos honesto se eu mudar de partido. Se eu mudar vão dizer que me acovardei e pulei fora do barco quando este fez água. Quem me conhece sabe que eu tenho um partido, mas quem administra sou eu. Vivo do meu salário, que levo para casa. Nunca roubei e não sou corrupto. Só isso.
JOC – Mas seus companheiros de partido na Câmara trocaram de partido…
Ilkiv – Eu falei para eles irem tranquilos. O Gilmar (Jarentchuk) e o Iguaçuano (Altair) antes de serem vereadores do meu partido, são meus amigos. Eles avaliaram que poderiam ser afetados pela crise do PT. Eles estão mais perto do povo, então eu liberei.
JOC – E agora?
Ilkiv – Os dois foram para o PMDB, um bom partido. Vão continuar apoiando esta Administração. Não é porque mudaram de partido que vão deixar de ser amigos e companheiros de jornada política.
JOC – É verdade que o Requião (senador) exigiu coligação do PT com PMDB?
Ilkiv – Uma vez falei com ele rapidamente, na última vez que ele estava aqui. Naquela oportunidade ele disse que a prioridade é o PMDB, mas que se o partido não lançar candidato próprio, a preferência é que o partido coligue com o PT, se eu for o candidato.
JOC – E você será candidato?
Ilkiv – É cedo para dizer isso. A atual conjuntura, a crise institucional do PT, as lideranças de outros partidos que estão aí para lançar candidatos. Você veja, tem o Bachir (Abbas), o Cordovan, o Santin (Roveda), o Rocha (Daniel), tantas opções… Vou deixar para decidir se eu vou ou não um pouco mais para frente.
JOC – E o que você acha da crise do PT?
Ilkiv – Eu acho que é importante que se diga que a corrupção deve sempre ser combatida. Tem corrupção em todos os níveis, desde aquele que vende o voto na eleição até o político corrupto, ou qualquer outro profissional. Na minha vida pública só levei meu salário, e pela metade, porque tem que ajudar todo mundo. Honestidade vem de berço. Ou você é ou não é honesto.
JOC – Principalmente na política?
Ilkiv – Sim, a corrupção tem de ser combatida em todos os níveis da política também. Mas veja, a corrupção existe desde o descobrimento do Brasil. Ela ronda vários partidos políticos. Mas agora, há uma “demonização” do PT nessa história. Veja FHC, Aécio, Michel Temmer, o Cunha. Ninguém fala nada. O Lula é o novo demônio da nação.
JOC – Mas o Lula não está envolvido até o pescoço?
Ilkiv – Ele está sendo investigado. Mas por que ele não pode ser ministro e continuar sendo investigado? Pelo que eu sei a Dilma (Presidente) chamou ele (Lula) para ajudar a tirar o Brasil da recessão, para usar sua experiência, seu trânsito no congresso, sua vontade de fazer o País voltar a crescer. Mas se ele for culpado de alguma coisa a investigação vai dizer, mas ele pode contribuir como ministro. Parece que a direita progressista tem medo de ver Lula assumindo papel de protagonista. Eles temem as eleições de 2018.
JOC – O PT e seus aliados usam muito o termo “golpe”. Que golpe seria esse? Existe um temor de golpe no País?
Ilkiv – Se começar a quebrar a constituição, aí há um temor. Aí vai mobilizar muitas forças progressistas, que enxergam diferente as coisas. Daí nós corremos o risco de um confronto entre os dois lados, como aconteceu em 1964, quando houve a convulsão social. Tomara que não cheguemos a isso. Dentro da democracia, o STF já deu o rito do impeachment. Ele vai acontecer, o que não pode é ficar instigando o confronto. Tomara que não haja nada fora do que a constituição preconiza.
Nota da Redação
A reportagem o Portal Vvale procurou o prefeito de Porto União, Anízio de Souza, na tarde de ontem, para fazer os mesmos questionamentos. Até o encerramento desta edição a informação era de que ele que também decidiu não sair do PT. No entanto, o prefeito não retornou aos contatos.