O Diretório Nacional do PMDB decidiu na tarde de terça-feira, 29, por aclamação, romper oficialmente com o governo da presidente Dilma Rousseff. Na reunião, a cúpula peemedebista também determinou que os seis ministros do partido e os filiados que ocupam outros postos no Executivo Federal entreguem seus cargos. O vice-presidente da República e presidente nacional do PMDB, Michel Temer, não participou da reunião que oficializou a ruptura com o governo sob o argumento de que não desejava “influenciar” a decisão. No entanto, ele teve participação ativa na mobilização pelo desembarque do partido e passou toda a segunda-feira em reuniões com parlamentares e ministros do PMDB em busca de uma decisão “unânime”.
Comandada pelo primeiro vice-presidente do PMDB, senador Romero Jucá (PMDB-RR), a reunião durou menos de cinco minutos. Após consultar simbolicamente os integrantes do partido, Jucá decretou o resultado da votação. Jucá anunciou o resultado com entusiasmo: “A partir de hoje, nessa reunião histórica para o PMDB, o nosso partido se retira da base do governo da presidente Dilma Rousseff e ninguém no País está autorizado a exercer qualquer cargo federal em nome do PMDB“.
Em substituição ao PMDB, que anunciou seu desembarque do governo, a presidente Dilma Rousseff deu início a conversas para a formação de um novo bloco na Câmara, formado por PP, PR e PSD, que, juntos, somam 129 votos, contra os 69 votos do PMDB. Para isso, a presidente está disposta a abrir mais espaço a esses partidos. O “espólio” do PMDB (sete ministérios e mais de 700 cargos) está sendo disputado. O PP sonha conquistar o Ministério da Saúde. O PR, além do Ministério dos Transportes que comanda hoje, gostaria de ter também o comando de Portos, e o PSD gostaria de ter também o Ministério dos Esportes. Com essa reorganização do ministério, a presidente espera reunir pelo menos 172 votos, número necessário para barrar o processo de impeachment em tramitação na Câmara. Se conseguir isso, desempenho considerado difícil no quadro atual, ela se disporia a comandar um governo com minoria, mas com base mais estável.
Seduzidos pelos ministérios
Embora a reunião do diretório nacional do PMDB tenha decidido romper com o governo e entregar todos os cargos ocupados pelo partido na administração federal, até a noite de terça a maioria dos seis ministros do partido ainda não tinha anunciado uma decisão. Mas, segundo informações, três deles permanecerão no governo. O único que já anunciou publicamente que não sairá do governo e não deixará o partido, o que confronta com a deliberação do diretório nacional, é Celso Pansera, ministro da Ciência e Tecnologia, que é deputado pelo PMDB-RJ. Além de Pansera, Marcelo Castro (Saúde) e Kátia Abreu (Agricultura) pretendem permanecer no governo. Eduardo Braga (Minas e Energia), Mauro Lopes (Aviação Civil) e Helder Barbalho (Portos) devem sair, mas querem um prazo. No caso de Kátia Abreu (PMDB-TO), da Agricultura, ministra muito próxima da presidente Dilma Rousseff, há possibilidade de ela deixar o partido para permanecer no governo. Um possível caminho para a ministra é voltar para o PSD, do ministro Gilberto Kassab (Cidades), ex-prefeito de São Paulo. Henrique Alves deixou a pasta do Turismo na segunda-feira, um dia antes da reunião do diretório nacional do partido.
Reorganização difícil
O Partido Progressista (PP), que hoje ocupa ministério e faz parte da base do governo, decidiu que irá tomar uma posição sobre continuar ou não apoiando Dilma Rousseff somente na segunda semana de abril, após a decisão da Comissão de Impeachment instalada da Casa. Assediados pelo Palácio do Planalto, PP e PR começaram a discutir nesta quarta-feira o posicionamento sobre o governo Dilma Rousseff. Mas, segundo integrantes dessas legendas, as negociações devem se prolongar enquanto as bancadas seguem divididas sobre o que fazer: ficar ou não na base. Parlamentares mais experientes afirmam que agora as análises são sobre participação no atual governo e num eventual governo Michel Temer. O PP, que se reuniu rachado na manhã de ontem, conta com 49 deputados e o PR, 40.