Prefeito de Irineópolis chama vereador de mentiroso após alagamentos

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Atualizado há 4 dias

O prefeito de Irineópolis, Juliano Pereira (PSDB), utilizou a tribuna da Câmara de Vereadores para responder a questionamentos de parlamentares sobre os alagamentos registrados no município e sobre a atuação da administração pública em serviços de infraestrutura, estradas rurais e limpeza de rios.

Durante a manifestação, Pereira contestou a afirmação de que teria atendido apenas uma indicação apresentada pelo vereador Vanderlei Lezan (MDB). Chamando o ex-prefeito de mentiroso, Pereira disse que outras demandas de Lezan também foram executadas pela administração, citando, entre elas, o aterro de uma propriedade e a mudança de um parquinho. Ele também afirmou que os recursos obtidos pelos vereadores têm origem nos impostos pagos pela população e que cabe ao Poder Executivo administrar esses recursos.

Sobre a composição da Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (Compedec), o prefeito afirmou que os integrantes seguem o que estabelece a legislação. Ele acrescentou que existe um grupo de pessoas e entidades que participa de reuniões quando necessário, citando o Corpo de Bombeiros e a presidente da Câmara entre os participantes.

Em relação aos serviços de Porteira Adentro, Pereira disse que os relatórios das atividades realizadas são encaminhados à Câmara a cada 90 dias. Conforme o prefeito, os serviços são executados de acordo com as solicitações dos agricultores, mas, em períodos de emergência, as equipes priorizam as estradas gerais.

“Não se consegue fazer tudo ao mesmo tempo”, afirmou. Segundo ele, a administração precisa estabelecer prioridades diante do volume de problemas enfrentados no município.

Um dos principais pontos da fala foi a situação dos alagamentos provocados pelas chuvas dos últimos dias. Pereira afirmou que a limpeza de rios, como o Timbozinho, envolve uma série de exigências e procedimentos administrativos, incluindo a necessidade de projeto, licenciamento e processo de licitação.

Segundo o prefeito, uma das dificuldades encontradas atualmente é conseguir empresas interessadas em fornecer orçamentos para elaboração dos processos. Ele afirmou ainda que já buscou informações junto à Defesa Civil sobre o assunto.

Ao comentar as causas dos alagamentos, Pereira também criticou a ocupação de áreas próximas aos arroios. Segundo ele, construções, aterros e intervenções em áreas que anteriormente funcionavam como espaços de retenção da água contribuem para agravar os problemas durante períodos de chuva intensa.

O prefeito citou situações registradas em São Pascoal e em outras localidades, incluindo imóveis e veículos atingidos pela água. Ele relatou ainda que moradores foram orientados pela assistência social e pela Defesa Civil a deixar suas residências e procurar abrigo, mas algumas pessoas teriam retornado posteriormente às casas.

Pereira afirmou que, durante o episódio mais recente, foram registrados cerca de 100 milímetros de chuva em um curto período. Segundo ele, o volume teria superado o previsto pelas projeções meteorológicas e encontrado o solo já saturado. “O solo não comporta mais receber tanta água”, declarou o prefeito, ao defender que o episódio teve características excepcionais.

Ele também mencionou intervenções realizadas anteriormente para ampliar a capacidade de escoamento da água e afirmou que novas obras precisam considerar desapropriações, licenciamento ambiental e outras etapas.

Pereira disse ter determinado ao setor de engenharia da prefeitura a realização de um estudo para avaliar a possibilidade de aumentar a capacidade de escoamento. Ao mesmo tempo, ponderou que estruturas de drenagem não seriam suficientes para absorver sozinhas volumes extremos de chuva como o registrado no episódio citado.

O prefeito relatou ainda que, durante as chuvas, equipes da prefeitura e da Defesa Civil chegaram a ficar isoladas em diferentes pontos do município enquanto prestavam atendimento à população. Segundo ele, em alguns locais, o nível da água teria subido rapidamente, dificultando o deslocamento das equipes e a chegada de servidores à prefeitura.

Pereira afirmou que a administração pretende buscar soluções para os problemas de drenagem e acessos às propriedades rurais. Ele citou, inclusive, três situações consideradas graves envolvendo acessos a lavouras e a necessidade de obras para recuperar estradas e bueiros atingidos pela força da água.

TEVE MAIS

O prefeito protagonizou momento de tensão ao retrucar um questionamento do vereador Gilvane Bueno. O vereador questionava a legalidade e necessidade da contribuição por melhoria cobrada da população para calçamentos. O prefeito defendeu veementemente a cobrança, afirmando que diferente da saúde, o dinheiro aplicado nas obras beneficia apenas o morador da rua calçada.

Pereira lembrou que a contribuição por melhoria foi criada no governo do agora vereador e colega de Bueno, Vanderlei Lezan (MDB). “São patamares e situações completamente diferentes”, contestou Bueno.

“Vocês só estão querendo fazer palco”, disse a Bueno, Lezan e uma vereadora não nominada ao responder o pedido de que Pereira enviasse um projeto de lei que revogasse a contribuição. “De antemão aviso que não mandarei”, decretou.

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