Enchente e brigas para controlar o orçamento marcaram o exercício financeiro das duas prefeituras

(Foto: Arquivo)
Não foi um ano fácil para os administradores de União da Vitória e Porto União, Pedro Ivo Ilkiv e Anízio de Souza, respectivamente. Desde a campanha do IPTU, criticada pelo aumento de valores, passando pelas enchentes de junho e início de julho, os prefeitos passaram o ano se equilibrando em um orçamento modesto e tentando realizar as obras necessárias para a população. Problemas semelhantes, soluções idênticas. Os dois prefeitos tiveram como grande parceiro o Governo Federal.
Em União da Vitória, o prefeito Pedro Ivo Ilkiv destaca os recursos que possibilitaram a construção de seis postos de saúde novos e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Além disso, o término da construção do primeiro bloco do Instituto Federal do Paraná (IFPR), previsto para iniciar atividades no início de 2015, foi muito comemorado pela administração. Ilkiv destacou os investimentos viabilizados no final deste ano para o Programa Municipal de Asfalto. “Com a aquisição das máquinas, o custo deve cair de R$ 1 milhão o quilômetro para R$ 500 mil, ou menos”, avaliou o prefeito.
Na área da educação Ilkiv disse que três novas escolas estão sendo erguidas no Bairro São Sebastião, a Escola Rural e a Escola nova em São Domingos, no interior do município. No dia 15 de fevereiro iniciam as atividades na creche (CMEI) do Bairro Bom Jesus.
Ilkiv também se lembrou das rodovias federais que receberam atenção do governo. “Hoje as BRs 153 e 476 apresentam outra realidade. Nossa cidade ficou até com outra cara”, disse. Outra obra que anima o prefeito é o Parque Linear. A primeira etapa, na região do Navegantes, já recebeu pistas de skate e deve receber um portal, quadras de esporte, iluminação da ponte e chafariz na orla do Rio Iguaçu até as proximidades da Uniguaçu.
Para fechar a avaliação, Ilkiv destacou o programa habitacional com a entrega de dois conjuntos no Distrito de São Cristóvão. Outras 600 casas estão projetadas para ser entregues em 2015. “Não posso negar que o Governo Federal foi meu grande parceiro neste ano. E para o ano que vem vou tratar de garantir a quarta ponte ligando o centro ao Distrito de São Cristóvão e vou continuar batalhando pelo canal extravasor”, explicou o prefeito.
Porto União também comemora
O prefeito de Porto União também disse que 2014 foi um ano atípico. O prefeito

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classificou o período como tumultuado e difícil. “Copa do Mundo, enchentes, eleições, tirou muito do nosso tempo e da busca por recursos para tocar as obras de interesse de Porto União”, explicou. Contudo o prefeito disse que especialmente as enchentes desestabilizaram a administração. Ele conta que os recursos materiais da prefeitura foram redirecionados para o atendimento à população sofrida. “Homens, máquinas e o que tínhamos a disposição foram em socorro às vitimas das enchentes. Mesmo assim muitos perderam tudo”, lembrou o prefeito.
Anízio destacou que mesmo assim, em parceria com o Governo Federal, muitos recursos para obras de asfaltamento vieram. O projeto de reurbanização do Conjunto São Bernardo do Campo foi refeito, além de outras verbas que foram liberadas para infraestrutura, saúde e educação. “Quero muito mais em 2015. Temos que aproveitar a sintonia com a bancada federal do PT e com os ministros e com a própria presidente Dilma”, defendeu Anízio.
A exemplo de União da Vitória, Porto União termina o ano com a folha de pagamento em dia. “Já pagamos o 13º e o pagamento de dezembro será feito agora dia 29”, comemorou o prefeito, que disse que o município está com suas contas absolutamente em dia.
Nem tudo são flores
Os dois prefeitos têm queixas. Em Porto União Anízio disse que sua administração sofre as consequências da morosidade do governo do Estado no trato com as rodovias estaduais. A SC-135 está com a operação tapa buracos paralisada até o dia 6 de janeiro. O projeto de revitalização do trecho Porto União e Matos Costa ficou para fevereiro do ano que vem, depois de um processo licitatório previsto para fevereiro. Outro problema que irrita Anízio é a questão da SC-478, trecho entre Lança e o Distrito de Santa Cruz do Timbó. Parada por falta de dinheiro, a empresa bloqueou o trecho já asfaltado. O governo do Estado disse que só trata de aditamento de contrato no ano que vem. “A população não entende que isso é um problema do Estado e não da prefeitura de Porto União”, desabafa.
Em União da Vitória os problemas são de segurança pública. O baixo efetivo das polícias Civil e Militar tem se refletido em maiores índices de tráfico de drogas, violência doméstica e até homicídios. A PM e a Polícia Civil têm feito verdadeiros milagres, mas não sabem até quando poderão segurar a criminalidade em níveis aceitáveis. Os dois prefeitos prometem infernizar a vida dos respectivos governadores até as soluções chegarem para os problemas distintos dos municípios.

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Dá para fazer mais
Por incrível que pareça, as perspectivas para 2015 são boas. Pedro Ivo Ilkiv, que viu seu grupo manter o comando da Câmara de Vereadores, disse que pode e vai fazer muito mais. “Os vereadores são parceiros importantes, vou precisar muito deles no ano que vem”, decretou. Ilkiv acredita nas parcerias com o Governo Federal e espera muito do governo do Estado.
Na mesma linha, Anízio de Souza defende que é preciso ampliar a parceria com o Governo Federal e que o governo do Estado precisa olhar o município com outros olhos. “Com a conclusão da SC-478 e da SC-135, já melhora muito, mas quero ampliar o leque de convênios com o Estado, principalmente nas áreas de saúde e infraestrutura”, destacou o prefeito. Anízio também ficou feliz com a recuperação do comando da Câmara de Vereadores pelo seu grupo. “Sem a Câmara a gente não consegue fazer quase nada”, sentenciou.
Transparência e austeridade
Outro aspecto em comum nas cidades irmãs é o cuidado com as contas e a transparência nos investimentos. Em Porto União a preocupação é com o bem estar. Para o prefeito Anízio, quanto mais ruas forem asfaltadas, melhor. As emendas parlamentares dos deputados federais são quase todas destinadas para obras de asfaltamento ou para arrumar ruas onde o asfalto sofre avarias. Com uma estrutura enxuta, o prefeito espera que no ano que vem consiga quase que dobrar o número de ruas e trechos que receberam asfalto neste ano.
Já Pedro Ivo quer reformular a saúde. Com a UPA e os seis novos postos, o prefeito trabalha agora para melhorar a gestão no setor, desde a farmácia, até o atendimento dos funcionários e a presença de médicos e enfermeiros durante o funcionamento das unidades. Ilkiv determinou para seu secretário de Indústria Comercio e Turismo, Luilson Schwartz, que continue a escalada de investimentos no setor de Turismo e na Indústria. A preocupação é com a geração de empregos nos dois setores.
A preocupação dos dois prefeitos é que a população das duas cidades saiba como e onde estão sendo aplicados os recursos municipais, como IPTU e outras fontes de renda próprias. É consenso entre os dois que a atualização dos valores do IPTU melhorou o caixa das prefeituras, mas que isso precisa ser devolvido em obras para os cidadãos. “Os gastos com esse dinheiro precisam chegar aos ouvidos e olhos da população”, defendeu Ilkiv.
No ano que vem os dois prefeitos devem adotar nova metodologia de divulgação dos atos e investimentos do Poder Executivo, cada um dentro das peculiaridades de seus respectivos municípios. Se tudo der certo, em 2015 as duas cidades deverão estar vivendo os momentos de muitas obras e bem melhor posicionadas no mapa político do Paraná e Santa Catarina.