Programa habitacional arrojado mostra novos desafios aos municípios

Conjuntos habitacionais deixam a mostra falta de investimentos há décadas em vários setores

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Atualizado há 13 anos

Que atire a primeira pedra o prefeito que não quis resolver o problema de déficit habitacional em seu município. Com o arrojado programa de financiamento de casas populares do Governo Federal, por meio do Minha Casa, Minha Vida e do programa de moradias populares do Governo do Estado (leia-se Cohapar), nunca se viu tanto conjunto habitacional nos municípios da região, incluindo o Planalto Norte. Contudo, enquanto famílias ganham moradias dignas, uma ferida crônica dá as caras: a falta de investimentos em infraestrutura é histórica. Cabe ressaltar que isso não é um advento deste governo, talvez nem do anterior, mas existe.

GEDSC DIGITAL CAMERAOs desafios não são pequenos e passam por Segurança Pública, creches, escolas, Transporte Público de qualidade, iluminação e outros, como farmácias, correios e mercados. Evidentemente esses três últimos itens não são de responsabilidade do Poder Público. Em União da Vitória o próprio prefeito Pedro Ivo Ilkiv reconhece esses problemas. Tanto que delegou função ao seu vice, Jair Brugnago, para pedir mais segurança nos conjuntos recém inaugurados. No caso da Polícia Militar não existe milagre: ou o governo manda mais policiais ou não dá para oferecer muito mais com o pouco que se tem.

Falando aos líderes comunitários na semana passada, o prefeito disse que as iniciativas do Governo Federal prevêem a construção de Creche, Posto de Saúde e Escola. Outros conjuntos devem ser implantados no Bairro São Gabriel e no Bairro Cristo Rei. “Vamos entregar mais de 1.200 casas”, informou Ilkiv. No entanto nem a Companhia Municipal de Habitação de União da Vitória (Ciahab) e nem a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) informaram precisamente o déficit habitacional de União da Vitória. O prefeito disse ainda que as prioridades são os moradores ribeirinhos e as casas sujeitas a alagamentos constantes.

Infraestrutura

LíderesA preocupação com o planejamento já chegou à Câmara de Vereadores. O vereador Valdecir José Ratko teve requerimento de sua autoria aprovado na Câmara de Vereadores de União da Vitória solicitando ao prefeito Pedro Ivo Ilkiv para que estude a possibilidade de determinar aos setores envolvidos com projetos de habitação no município de União da Vitória, quando da liberação para construção de conjuntos habitacionais, que seja realizado um levantamento completo das condições existentes nas escolas, creches, posto de saúde, segurança, áreas de lazer e transporte coletivo circunvizinhos ao novo empreendimento.

Para Ratko o tempo decorrente da construção de um novo conjunto habitacional é suficiente e primordial para a municipalidade realizar um levantamento, identificando as questões de infraestrutura, ou seja, possibilidade de vagas para as crianças em creches e escolas da região; facilidade no transporte coletivo urbano; certificar-se que a estrutura do Posto de Saúde da região abrigará a demanda com novos moradores, buscar a criação de uma área de lazer no mesmo local do empreendimento, dentre outras questões necessárias. O requerimento foi aprovado por unanimidade no legislativo.

Conjunto do São Gabriel

habitaçãoNo início desta série de reportagens de O Comércio foi confirmada a informação de que o terreno doado para o governo do Estado do Paraná para a construção de um novo conjunto habitacional do Bairro São Gabriel foi revertido para o município e, na sequência, será doado para o Governo Federal, que tem condições de construir mais rápido o sonhado conjunto para o bairro. A reversão já foi feita pela Câmara de Vereadores. O plano habitacional da Cohapar vai continuar com outros empreendimentos em toda a região, mas o conjunto habitacional para o São Gabriel será viabilizado pelo Governo Federal.

Situação regional

Os municípios que estão recebendo os conjuntos da Cohapar ou do Governo Federal comemoram os investimentos recebidos, mas os prefeitos correm para garantir transporte escolar, vagas nas escolas e mais médicos nos postos de saúde para aliviar a pressão no Sistema de Saúde. E tudo isso tendo em vista que não moradores novos nestes municípios, apenas famílias realocadas de áreas conflitantes para os novos conjuntos, localizados em bairros mais afastados do anel central destas cidades. Os desafios ainda são muitos, mas o da casa própria está sendo vencido aos poucos.

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