Protestos contra Temer lembram “calvário” de Dilma Rousseff

Presidente também tem popularidade baixa e pouco apoio popular

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Atualizado há 10 anos

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Governo diz que não se preocupa com manifestações, desde que tenham ordem. (Foto: EBC/Brasil).

Após cem dias de governo interino e quase uma semana como presidente efetivo, Michel Temer tem a imagem atrelada a ex-presidente Dilma Rousseff. Para Piorar é odiado pelos aliados de Dilma. O resultado não poderia ser pior: protestos e popularidade baixa. É o que diz a pesquisa Ibope, encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada na sexta-feira, 2.

Temer é bem avaliado, segundo a pesquisa, por 13% dos brasileiros. No entanto, 39% avaliam o Governo do peemedebista como ruim ou péssimo, 36% como regular e outros 13% não souberam responder. O levantamento foi realizado entre os dias 24 e 27 de junho com 2.002 pessoas em 141 municípios. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos e, de acordo com a CNI, a soma dos percentuais não é de 100% devido ao arredondamento dos dados.

Popularidade ruim

A popularidade de Temer é quase a mesma de Dilma Rousseff antes de ela ser afastada da presidência, em maio, ou seja, muito ruim. Em março, o levantamento apontou que 10% avaliavam a gestão petista como ótima ou boa. Além disso, 44% dos entrevistados não conseguem ver diferença entre os Governos Dilma e Temer. Para 25% o Governo Temer é pior e para 23%, é melhor do que a gestão petista. Além da popularidade, a pesquisa mediu a avaliação sobre a forma de governar do presidente interino. A maioria dos brasileiros (53%) não aprova a forma como o peemedebista vem conduzindo o País. Além disso, 66% não confiam em Temer.

Protestos marcam início do governo oficial

A Polícia Militar prendeu 26 pessoas na tarde de domingo, 4, antes do início do protesto contra o governo do presidente Michel Temer (PMDB) na Avenida Paulista, no Centro de São Paulo. Entre os presos haviam oito menores. Todos foram levados para o Departamento de Investigações Sobre Crime Organizado (Deic) e não tiveram acesso a advogados. Os detidos também não puderam falar com familiares. De acordo com a Polícia Civil, os detidos estavam em dois grupos, perto do Centro Cultural, na Rua Vergueiro, Zona Sul de São Paulo, quando foram abordados. O motivo das prisões ainda é desconhecido.

Grupos contrários ao governo de Temer fizeram um protesto em São Paulo no domingo. O ato pacífico se estendeu por cerca de quatro horas. Depois que os organizadores declararam o protesto encerrado, a polícia dispersou os manifestantes com bombas de gás e jatos d´água. Houve correria. Uma agência bancária teve uma vidraça quebrada. Sacos de lixo foram jogados no meio da via no Largo da Batata e pequenos grupos colocaram fogo neles.

Esta foi a sétima manifestação contra o presidente em sete dias. Guilherme Boulos, coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), disse que 100 mil pessoas participaram do ato. A Polícia Militar não divulgou estimativa. No auge, a manifestação ocupou três quarteirões da Avenida Paulista. Em nota no Twitter, a PM disse que em manifestação inicialmente pacífica, vândalos atuam e obrigam PM a intervir com uso moderado da força e munição química”. Depois, a Secretaria da Segurança Pública informou que a Polícia Militar atuou para restabelecer a ordem pública, sendo recebida a pedradas, intervindo com munição química e utilização de jato d’água”, afirmou o comunicado.

Cinco mil no Rio

Cerca de 5 mil manifestantes contrários ao impeachment de Dilma Rousseff protestam na Avenida Atlântica, em Copacabana no domingo. O ato pacífico começou bem em frente ao hotel Copacabana Palace e seguiu para o Leme. Aos gritos de “Fora Temer”, muitos ostentavam cartazes acusando “golpe” no processo que causou a deposição de Dilma. Cabos eleitorais de candidatos de partidos de esquerda à prefeitura do Rio engrossaram o grupo. A manifestação estava restrita ao pátio localizado em frente ao hotel, mas às 12h25 o grupo tomou a única faixa da avenida aberta à circulação de veículos, já que meia pista da Atlântica é fechada aos domingos.

Fora temer em Curitiba

Manifestantes contrários ao governo do presidente Michel Temer se reuniram no final da tarde de domingo para protestar em Curitiba. A concentração teve início perto das 17 horas, na Praça 19 de Dezembro, também conhecida como Praça do Homem Nu, no Centro Cívico. De lá, por volta das 18 horas, o grupo saiu em direção à Avenida do Batel. Eles voltaram pela Avenida Vicente Machado e encerraram o ato na Boca Maldita, por volta das 21 horas. Segundo a contagem da Polícia Militar (PM), aproximadamente 500 pessoas participaram da manifestação. Já conforme informações repassadas pela organização do evento, mais de 5 mil manifestantes fizeram parte do protesto.

Temer minimiza protestos

Na China, o presidente Michel Temer minimizou os protestos e condenou a violência. Ele também defendeu as reformas trabalhista e da previdência. O encontro com o diretor-geral da OMC (Organização Mundial do Comércio) foi o único compromisso oficial de Temer na China. O presidente disse que sabe que não tem apoio popular neste momento, mas criticou as manifestações de rua que descambam para violência. “É natural que alguns grupos se levantem para protestar, mas foram grupos pequenos e depredadores, não foi uma manifestação democrática. Manifestação democrática é aquela que pode sair às ruas e pregar uma ideia“, declarou Temer.

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