Andréa Leonora-CNR-SC/ADI-SC/Central de Diários
Florianópolis – Desde 2010, o Estado de Santa Catarina vem se aproximando da Catalunha, região mais industrializada da Espanha e cuja capital é Barcelona. Ontem (08), essa aproximação avançou fortemente, tanto do ponto de vista público quanto do privado, com encontros na Casa D’Agronômica e na sede do Sistema Federação das Indústrias (Fiesc), em Florianópolis.
O governador Raimundo Colombo recebeu o presidente (equivalente a governador) do Estado da Catalunha, Artur Mas i Gavarró, e o Embaixador da Espanha no Brasil, Manuel de la Cámara Hermoso, além de representantes de diferentes entidades e empresas espanholas. Foram assinados convênios entre universidades de Santa Catarina e a Universidade de Barcelona para pesquisa científica e um acordo de parceria entre o Porto de Imbituba e o Porto de Barcelona, para troca de experiências e certificação.
Colombo lembrou que sua primeira missão internacional como governador, em maio de 2011, passou pela Catalunha. “Muitas coisas evoluíram desde então, muitas conquistas se realizaram. Não tenho dúvida de que a relação de Santa Catarina vai produzir efeitos muito positivos na área econômica, social e científica. Já estamos construindo 11 distritos de inovação, inspirados no modelo que conhecemos lá. Há muito que avançar”, disse o governador, destacando que as ações não se restringem ao litoral. “Um dos centros de fármacos está sendo implantado na Udesc de Lages, por exemplo.”
Para o secretário de Desenvolvimento Sustentável, Paulo Bornhausen, as empresas de tecnologia da informação e setor automotivo são os que mais rapidamente devem resultar em parcerias entre iniciativa privada e poder público dos dois estados. “Temos aqui interesses de diferentes setores e todas as regiões catarinenses estão aptas a captar investimentos da Catalunha.” O secretário lembrou que, durante a apresentação que mostrou a evolução dos contatos entre Santa Catarina e Catalunha, foi falado que a Espanha tinha a Grã-Bretanha como parceira número um, posição agora ocupada pelo Brasil. “Muitas empresas espanholas estão vindo para o Brasil. Mas os investimentos da Espanha no Brasil estão concentrados em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nosso interesse é fazer com que Santa Catarina seja a porta de entrada para investimentos catalães no Brasil. Queremos investimentos complementares à nossa economia, e não concorrentes”, revelou.
Gavarró disse que a orientação da economia catalã é voltada para o exterior e que Santa Catarina ganha cada vez mais importância nesse contexto. “Temos que identificar os estados brasileiros que podem ter maiores semelhanças conosco e com os quais podemos realizar negócios futuros. E esse é o caso de Santa Catarina, com grande atividade industrial, orientação ao comércio exterior e potencial turístico, como a Catalunha. Sobretudo, temos em comum a disposição de consolidar a economia do conhecimento, a inversão científica, a inversão tecnológica”, enumerou.
Ao final do encontro na Casa D’Agronômica, o governador Colombo presenteou o presidente da Catalunha com uma escultura em madeira da heroína catarinense Anita Garibaldi. E fez uma comparação que tem usado em suas viagens e contatos internacionais: “São Paulo tem indústrias, Rio de Janeiro tem belezas naturais. E Santa Catarina reúne em seu território o desenvolvimento industrial de São Paulo com as belas paisagens do Rio”.
Fiesc – Enquanto acontecia a reunião e a assinatura de acordos na Casa D’Agronômica, na sede da Fiesc empresários catalães recebiam informações sobre a infraestrutura do estado para receber investimentos. Rodovias, ferrovias, portos, energia e meio ambiente foram alguns dos temas tratados. Também foi feita uma apresentação sobre o próprio Sistema Fiesc e os investimentos em educação e qualificação dos trabalhadores.
Na parte da tarde, além de uma apresentação sobre a Catalunha, empresários catarinenses e catalães participaram de rodadas de negócios.