Com o pensamento de que o sistema político atual brasileiro está viciado e que essa prática abre caminho para a corrupção eleitoral e para uma representação política, que em muitos casos, não atende às aspirações do povo brasileiro, foi realizado na manhã desta quinta-feira, 21, na Câmara Municipal dos Vereadores de União da Vitória, um seminário em apoio à reforma política do País. A Força Sindical do Paraná é engajada no movimento “Eleições Limpas” e foi a responsável pelo debate no município.

O objetivo era discutir o assunto com lideranças políticas, sindicais e com a comunidade estudantil da região, porém a presença no encontro foi marcada por menos de 30 pessoas, contando com a mesa de debate. “Eu acredito que deveria ter uma presença maior do pessoal que participa do meio político, de nossos sindicatos, para que realmente a gente pudesse dar respaldo a todos os anseios da população que clama por mudança na política, e essa Reforma Política fica parada no Congresso”, argumenta Mário Lúcio Pereira Ferreira.
Mário Lúcio sobre o público:
O prefeito, Pedro Ivo Ilkiv, também comentou a falta de público na noite de quarta-feira, 19, quando foi realizada uma audiência pública para apresentar projetos de mudanças para o município pautados nos manifestos nacionais. Entre eles estava o Passe Livre para estudantes e a questões de acessibilidade. “Os interessados não estavam presentes”, retruca Pedro.
Mas, público à parte, a programação do Seminário foi iniciada com a exposição do painel sobre os problemas eleitorais brasileiros e o projeto de reforma política por iniciativa popular. Como gancho, Diego Ramalho, gestor de projetos do Instituto Atuação, parceiro do Movimento de Combate a Corrupção Eleitoral (MCCE), perguntou aos presentes se o povo brasileiro sabe, realmente, votar.
As respostas foram dadas. Alguns disseram que o brasileiro sabe sim votar. Como é o caso de Sérgio Butka, Coordenador estadual do Movimento Eleições Limpas. Já para prefeito de União da Vitória, ainda há desvios, mas tudo está avançando para eleições melhores.
E para Ramalho, os eleitores do País também sabem votar, mas o que distorce o processo eleitoral é o sistema, por isso a necessidade de mudanças urgente. Contudo Diego garante, que ao longo da caminhada pelos estados brasileiros em busca de assinaturas para essa mudança, muitas ideias são repassadas e nem todas são de senso comum. “Isso dificulta, até hoje nenhum documento sobre a Reforma Política foi adiante no Congresso, porque não são textos de senso comum. Por isso temos de criar um tema, produzir um texto que não altere a Constituição e que todos estejam de acordo”, comenta Ramalho.
Além do voto, também foi colocado em discussão o financiamento de campanhas eleitorais, eleições em dois turnos para vereadores, deputados – em todos os níveis, e a liberdade de expressão na internet.

Sobre o financiamento, Pedro Ivo, concorda com um incentivo financeiro. Ele lembrou que em uma de suas corridas pelo poder, no início de sua carreira política, teve de mimeografar santinhos em preto e branco para entregá-los. “Ao menos uma ajuda para o combustível o candidato deve ter”, completa.
De outro lado, Ilkiv discorda da poluição visual que é causada com a propaganda política. Em seu discurso ele pegou como exemplo a Itália, onde propagandas políticas impressas são permitidas apenas dentro de estabelecimentos fechados. “Nada é colado nas ruas.”
Após o seminário, autoridades puderam tirar dúvidas sobre as questões em debate e que estão firmadas no Movimento Ficha Limpa, além das estratégias de coletas de assinaturas.
Para isso o vereador Mário Lúcio se comprometeu em coletar as assinaturas necessárias, assim como o prefeito irá colocar os secretários da Administração Municipal nessa caminhada. “Vou levar os documentos nas empresas, deixar também os papeis na Prefeitura, e em duas semanas vou colocar algumas meninas nas ruas para fazer essa coleta de assinaturas”, afirma Mário.
Para se tornar Lei, a Iniciativa Popular de Reforma Política precisa de mais de 1 milhão de assinaturas. Com essas assinaturas, confirma Ramalho, as mudanças irão acontecer. “Até a Lei de Ficha Limpa era minoria no Congresso, mas com a pressão popular tudo mudou”, lembra.
Mário sobre as assinaturas:
Assinaturas
Movimento Eleições Limpas percorre todos os estados brasileiros em busca de novas assinaturas;
O Governo do Paraná se comprometeu em conseguir 150 mil assinaturas;
União da Vitória irá trabalhar para recolher 5 mil assinaturas;
Porto União também entrou no Movimento e irá trabalhar para conseguir mais adeptos à causa.
Conheça o Projeto de Lei: PL Coalizao Democratica pela Reforma Politica e Eleicoes Limpas_registro cartorio