
Depois de aprovar por 34 votos a 19, na terça, 10, a admissibilidade de transformar o plenário da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) em Comissão Geral para votar o “pacotaço” do ajuste fiscal, a Assembleia Legislativa do Paraná foi invadida por professores, funcionários públicos, e até vândalos e agitadores. Se instalou a partir daí uma crise política sem precedentes, com deputados estaduais que apóiam o governador Beto Richa ganhando exposição negativa.
E olha que o pacote de medidas nem foi votado e nem chegou ir para o plenário. A sessão foi interrompida às 17h50 e os deputados correram para seus gabinetes.
De acordo com a assessoria de imprensa da Alep, o prédio foi ocupado no final da tarde de terça-feira, depois que a Casa aprovou a instalação da comissão geral que permite votação de projetos polêmicos, como a extinção do fundo previdenciário de R$ 8 bilhões, sem maiores discussões e a transferência dessa poupança dos funcionários públicos para os cofres do governo do estado.
A reintegração de posse foi concedida e o oficial de Justiça notificou comando da greve geral sobre a saída dos grevistas do prédio da Assembleia Legislativa do Paraná.
Pressão contra os deputados
A votação da instalação da Comissão Geral foi uma amostra do que está por vir. O nome dos deputados que votaram a favor da instalação da comissão foram divulgados e alguns deputados estão sendo bombardeados com protestos. O deputado estadual Hussein Bakri (PSC), que votou a favor da instalação da comissão, soube em Curitiba na noite de terça-feira, que dezenas de professores realizaram um protesto, gritando palavras de ordem, em frente à sua casa, em Porto União.
E não foi o único: outros deputados estão sofrendo as consequências da votação do “pacotaço”. Para não correr riscos, o presidente da Alep, Deputado Ademar Traiano (PSDB) mudou a votação para uma sala no quinto andar, no antigo restaurante da Alep. O bloco de oposição boicotou a sessão de ontem a tarde. O deputado Luiz Claudio Romanelli (PMDB), líder do Governo na Assembleia Legislativa, reapresentou na sessão de ontem, o requerimento para a Comissão Geral, que será votado hoje. A sessão, também será no restaurante da Casa.
A greve dos professores e funcionários das escolas estaduais do Paraná chega ao quarto dia nesta quinta-feira, com a adesão de 100% da categoria, segundo o Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato).