
Com o plenário lotado e com a presença de todos os vereadores, a 16ª sessão do Legislativo de Porto União teve uma pauta bastante enxuta. A reunião tinha tudo para terminar bem mais cedo que o habitual, não fossem os pronunciamentos de dois inscritos.
O primeiro deles foi do secretário da Cultura e Turismo, José Carlos Gonçalves. Por iniciativa própria, ele levou à Câmara uma prestação de contas do que a pasta vem fazendo e das atividades previstas até o final do ano. Assistiram com atenção seu pronunciamento os colegas de secretaria, bem como amigos e voluntários dos eventos organizados no município. “Este ano, em especial, teremos algumas atividades importantes. Em outubro, por exemplo, vamos trazer dois grupos da Alemanha, o Cinfaban em agosto e a Festa das Etnias em setembro, no mês que organizamos o desfile de aniversário da cidade”, sinalizou.
Entra nesta lista, ainda, a conclusão do mirante, no alto do Morro da Cruz (leia mais sobre o assunto nas próximas edições) e as ações de Natal que, nesta edição, vem com novidades.
Contra

Ousada, a professora Flávia Dohopiati, de 23 anos, impressionou pela postura. Inscrita para falar na tribuna, ela criticou, com elegância, o projeto já aprovado em primeira votação, que prevê o aumento do número de vereadores. Como já mostrou o Portal Vvale, o salto coloca duas cadeiras extras: assim, ao invés de nove, o eleitor vai escolher 11 vereadores na próxima eleição. Para Flávia, uma imoralidade, embora legal. “Como eleitora eu sempre participo e o projeto me chamou a atenção por estarmos numa situação desfavorável no Brasil. Acho que não é momento de se pensar no aumento”, avalia.
A professora é da comunidade do Legru e acredita que a defendida “representatividade” não é, de fato, tão interessante assim. “Quantidade nem sempre é qualidade. Todos os vereadores deveriam representar o município como um todo. Não concordo com o projeto, mas o aceito caso ele seja discutido com a população antes de ser aprovado”, disse. Mesmo propondo uma abertura nas discussões, Flávia acredita que é voto vencido. “Vou chover no molhado”, sorri.
Contrários ao projeto de aumento, os vereadores Gildo Masselai (PP), Almir Borini (DEM) e Carlos Roderlei Pinto (PSD), que preferiu a abstenção na primeira votação, se manifestaram após o pronunciamento. Masselai foi enfático e afirmou que o cenário é de tragédia. “O povo não sabe votar”, disparou.
Carlos Roderlei preferiu a neutralidade mas disse que não é possível comparar o cenário nacional com Porto União. Para ele, essa balança é desigual. Como defesa, elogiou, de novo, a economia que a Câmara faz todo ano e que devolve aos cofres do Executivo. “É um percentual enorme que nós não temos como interferir, no que é feito [com a devolução], mas que devolvemos, como tem que ser”, disse.

Nesta mesma linha de argumentação, o presidente da casa, também contrário ao projeto, falou. “Fazemos economia e realmente não podemos ser comparados com o restante do País”, falou.
Em pauta
Além dos pronunciamentos, a sessão desta semana também aprovou o parecer da Comissão de Finanças da Lei das Diretrizes Orçamentárias (LDO). Ontem, reunião extraordinária, às 11 horas, decidiu pela aprovação em primeira votação do documento.
A LDO é um instrumento de conexão entre o Plano Plurianual (PPA) e o orçamento anual. Ele estabelece a ligação entre o curto prazo (orçamento) e o longo prazo (PPA). A LDO fixa as metas e prioridades da Administração Pública.
Aumento no número de vereadores
O projeto segue em tramitação e provavelmente na próxima terça deve ser aprovado na segunda – e final – votação. Tão logo isso ocorra, o projeto vai para a sanção do prefeito Anízio de Souza.